Crise sucroenergética pressiona dívida Raízen e leva empresa a iniciar recuperação extrajudicial com apoio de Shell Cosan.
A Raízen recuperação entrou em uma nova fase após a empresa protocolar um plano de recuperação extrajudicial nesta quarta-feira (11), que pode alterar profundamente o controle acionário da companhia.
O processo envolve os atuais controladores — Shell Cosan — além de credores e outros investidores, e tem como objetivo reestruturar a dívida Raízen, estimada em cerca de R$ 65 bilhões.
A medida ocorre no Brasil, em meio a um cenário econômico desafiador e a uma crise sucroenergética que tem pressionado o setor de açúcar e etanol nos últimos anos.
-
Anvisa barra lote de antibiótico após descoberta inesperada em frasco lacrado e ainda suspende clindamicina com impurezas e soro fisiológico usado em aplicação intravenosa
-
“Cara, foi bizarro”: fundadora do Nubank assume erro que disparou alerta de liquidação do banco para milhares de clientes e explica o que realmente aconteceu
-
Levi’s vê a Fifa cobrir seu logo na Copa de 2026, entra na brincadeira sem perder o estilo e transforma pano branco em marketing que viraliza nas redes
-
Bill Gates é chamado para explicar contatos com Jeffrey Epstein em depoimento fechado que pode revelar bastidores de uma das investigações mais sensíveis dos EUA
Caso o plano avance, o bloco de controle da empresa poderá cair de 88% para aproximadamente 30% do capital total.
Além disso, o movimento prevê conversão de parte da dívida em participação acionária, o que pode transformar credores em novos sócios da companhia.
A reestruturação busca aliviar o peso financeiro da empresa e garantir continuidade das operações em um ambiente econômico considerado mais adverso.
Bloco de controle da Raízen recuperação pode cair de 88% para 30%
Atualmente, o controle da companhia está concentrado nas mãos de Shell Cosan, que dividem igualmente o bloco controlador da empresa. Cada grupo detém cerca de 50% das ações dentro desse bloco.
Com o avanço da Raízen recuperação, no entanto, essa estrutura poderá mudar de forma significativa. A expectativa é que o bloco controlador passe a representar apenas cerca de 30% da empresa.
Nesse novo cenário, o controle seria dividido entre Shell, Cosan e Aguassanta, holding pertencente ao empresário Rubens Ometto, principal acionista da Cosan.
Mesmo com a redistribuição das participações, a Shell deve permanecer como a maior acionista individual da companhia.
Ainda assim, detalhes importantes sobre governança permanecem indefinidos. Por exemplo, a composição do conselho de administração e a forma de exercício do controle ainda estão sendo debatidas entre os envolvidos.
Conversão da dívida Raízen pode transformar credores em sócios
Outro ponto central do processo de recuperação extrajudicial envolve a renegociação da dívida Raízen com credores.
As negociações incluem a possibilidade de converter aproximadamente R$ 25 bilhões da dívida em capital da companhia. Se o acordo for fechado, credores podem se tornar acionistas relevantes da empresa.
Essa estratégia é comum em processos de reestruturação financeira, pois reduz o endividamento e fortalece o balanço das empresas.
Caso o plano seja implementado integralmente, a estimativa é que a dívida Raízen caia de cerca de R$ 65 bilhões para aproximadamente R$ 35 bilhões.
Especialistas avaliam que este pode se tornar o maior processo de recuperação extrajudicial já registrado no Brasil.
Embora empresas como Oi e Odebrecht tenham reestruturado dívidas maiores, esses casos ocorreram dentro de processos judiciais.
Segundo fontes próximas às negociações, não existe neste momento uma busca ativa por novos investidores externos.
Aporte bilionário de Shell Cosan para apoiar Raízen recuperação
Para viabilizar o plano de reestruturação, os atuais controladores também deverão aportar novos recursos na companhia.
O valor estimado do investimento direto é de cerca de R$ 4 bilhões.
Desse total:
R$ 3,5 bilhões serão aportados pela Shell;
R$ 500 milhões virão da Aguassanta, holding ligada a Rubens Ometto.
Nas últimas semanas, representantes de Shell Cosan, executivos da Raízen e integrantes do BTG Pactual participaram de diversas reuniões para discutir os termos do aporte.
Essas negociações incluíram inclusive encontros em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicando a relevância estratégica da empresa para o setor energético brasileiro.
Assim, apesar das discussões, o valor final do investimento acabou permanecendo limitado aos R$ 4 bilhões inicialmente propostos.
Crise sucroenergética e juros altos pressionam a dívida Raízen
Assim, a companhia atribui sua atual situação financeira a uma combinação de fatores econômicos e operacionais.
Entre eles estão:
ciclos de menor produtividade agrícola;
compressão das margens no setor;
aumento expressivo do custo do endividamento.
Em documento oficial divulgado pela empresa, a Raízen explicou o impacto desse cenário.
“A alteração do cenário – decorrente de ciclos de colheita de menor produtividade, queda das margens e alto custo do endividamento financeiro – prejudicou a atividade das companhias operacionais e, toda a operação estruturada pelas Devedoras ao longo de anos de atuação no segmento”, afirma.
Além disso, o aumento das taxas de juros no Brasil agravou a pressão financeira.
Segundo o documento, houve uma “alta expressiva da taxa básica de juros no mercado doméstico”, com a taxa Selic saltando de cerca de 2% em 2020 para aproximadamente 15% em 2026.
Esse avanço elevou significativamente o custo do financiamento das empresas do grupo e contribuiu para ampliar a dívida Raízen.
Raízen recuperação pode redefinir o setor de energia no Brasil
Assim, a Raízen recuperação é vista por analistas como um movimento decisivo para o futuro da empresa e também para o setor de energia renovável no país.
Assim, a companhia é uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioenergia do mundo. Por isso, mudanças em sua estrutura financeira podem ter impactos relevantes em toda a cadeia sucroenergética.
Se o plano for aprovado pelos credores, a empresa poderá reduzir significativamente sua alavancagem financeira e reorganizar sua governança.
Ao mesmo tempo, o processo evidencia os desafios enfrentados pela indústria em meio à crise sucroenergética, marcada por volatilidade de preços, mudanças climáticas e custos financeiros mais elevados.
Nos próximos meses, o desfecho das negociações definirá não apenas o futuro da dívida Raízen, mas também o novo equilíbrio de forças entre Shell Cosan e os demais acionistas da companhia.
Veja mais em: Participação de bloco de controle na Raízen pode cair de 88% para 30% e Capadocianas : Participação de bloco de controle na Raízen pode cair de 88% para 30%, Raquel Landim – FSP

Seja o primeiro a reagir!