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RJ
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A despeito da ‘impressão de demora’ para o lançamento oficial no mercado, a Base Exchange (a nova bolsa de valores do Rio de Janeiro) está cumprindo à risca o cronograma de homologações, conduzido pelos órgãos reguladores, CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o BC (Banco Central), com previsão de entrada em operação entre o segundo semestre deste ano e o início do próximo.

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Escrito por Marcello Sigwalt Publicado em 02/07/2026 às 19:23 Atualizado em 02/07/2026 às 23:17
Uso de tecnologia de ponta e redução drástica de custos formam a base da entrada em operação da Base Exchange, prevista para ocorrer até o início de 2027
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Controlada pelo fundo soberano Mubadala Investment Company – sediado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com patrimônio estimado em US$ 400 bilhões – a Base Exchange tem operação no país da Flowa Technologies, agora sob o comando de Francisco Gurgel, em substituição a Claudio Pracownik, e promete ‘sacudir’ o mercado de capitais tupiniquim e o ‘reinado’ absoluto da B3 (B3SA3), também chamada de ‘bolsa brasileira’.

Palavra de ordem: redução drástica de tarifas de negociação

A ousadia da bolsa carioca tem como ‘carro-chefe’ a estratégia de reduzir de forma drástica as tarifas de negociação e pós-negociação (clearing própria), cuja cobrança é motivo de insatisfação recorrente de grandes bancos para com a concorrente B3. Outra vantagem comparativa seria oferecer ao mercado uma estrutura em nuvem mais enxuta, transparente e acessível.

Para garantir uma adesão rápida do investidor, a BE empregará um modelo de dupla negociação (cross-listing), que permite ao investidor comprar e vender exatamente as mesmas ações (PETR4, VALE3), BDRs e ETFs já listados, assim como escolher a plataforma com execução mais barata naquele momento.

Sistema é ‘desenho’ para calcular riscos em tempo real

Segundo Pracownik, a BE pretende utilizar ‘margens mais racionais, mediante um sistema desenhado para calcular riscos em tempo real, a fim de obter a liberação mais rápida de garantias financeiras pelas corretoras.

No momento, a nova bolsa do Rio se empenha em concluir o processo de validação técnica, visando criar sua própria câmara de compensação (Base Clearing) junto à autoridade monetária, eliminando a dependência da câmara de compensação da B3 pela nova instituição. A criação mencionada, na verdade, demanda um aporte prévio na cada de centenas de milhões de reais, em capital social integralizado, com vistas à sua aprovação.

Desafio crucial é provar ‘capacidade preditiva’ de algoritmos

Importa ressaltar que, na fase atual de homologação, o desafio crucial da Base Exchange é conseguir comprovar matematicamente (e sistematicamente) aos técnicos do BC ‘que os algoritmos de nuvem da Base Clearing têm capacidade para ‘esses cálculos de risco em tempo real sem qualquer margem de erro’.

Logo em sua estreia, a Base Exchange pretende negociar ativos à vista, como ações, FIIs (fundo de investimento imobiliário) e ETFs (fundo de índice), antes de ofertar derivativos.  

Como meio de diluir a participação majoritária (73%) do Mubadala, o gestor do empreendimento, Americas Trading Group (ATG) – hoje, Flowa Technologies – pretende incentivar a criação de um consórcio de, ao menos, dez instituições financeiras globais e os chamados ‘grandes formadores de mercado (market makers). A estratégia aqui é garantir volume de negociação e liquidez, logo no início das operações.

Redução de alíquota de ISS é vantagem comparativa

Ainda no plano de custos, que fazem toda a diferença para o investidor, a BE também obteve, a redução, de 5% para 2%, da alíquota do ISS (Imposto sobre Serviços) para as atividades da bolsa, após aprovação do respectivo projeto de lei 3276/2024 pela Câmara de Vereadores do Rio. A medida beneficia, não só corretoras, mas igualmente provedores de tecnologia e custodiantes.

Nessa mesma toada tributária, ‘do bem’, outra iniciativa legislativa, a do ISS Neutro (com foco em crédito de carbono), permitirá que a Base Exchange se converta em polo global de negociação de ativos ambientais e sustentáveis.

Inovação da BE é tecnologia 100% em nuvem

Em sinergia com o princípio de aliviar o investidor do custo de carregamento total das operações, será adotada uma tecnologia 100% em nuvem, com reflexos diretos no valor da corretagem final.

Na qualidade de Câmara de Liquidação e Contraparte Central (CCP), a Base Clearing desempenhará a função de “compradora de todo vendedor” e “vendedora de todo comprador”, assim assumindo todo risco, caso alguma corretora quebre durante a sessão.

Outra novidade nesse processo é a necessidade de CVM e BC se ‘debruçarem’ na elaboração de um manual de avaliação específico para o ingresso da nova instituição.

Clearing deve cumprir ‘Capital Próprio em Risco’

De igual modo, a Base Clearing terá de assimilar o preceito de ‘Capital Próprio em Risco (Skin in the game), que exige a reserva de parte de seu capital social na ‘linha de frente’ de risco. No caso de um calote que consuma as garantias de uma determinada corretora, recursos do Mubadala cobrirão esse prejuízo, antes mesmo de este chegar aos demais membros.

Como não trabalha diretamente com dinheiro em espécie, a Base Clearing – que se limita a calcular quem deve e quem tem a receber – precisará contar com bancos liquidantes (conectadas ao Sistema de Pagamentos Brasileiro do BC), que atuam como ‘ponte financeira’ entre essa câmara de compensação e as contas das corretoras e investidores.

B3 precisará cortar ‘gorduras’ em tarifas

Em contraponto, é preciso lembrar que a B3 possui margem financeira mais do que suficiente para ‘cortar as gorduras’ de suas próprias tarifas, de modo seletivo, além de ter de lançar programas de fidelidade direcionados a grandes clientes institucionais e oferecer pacotes de exclusividade em produtos onde a BE não tenha condições de atuar imediatamente, a exemplo de derivativos complexos.

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Marcello Sigwalt

Sou um profissional de comunicação, especializado em Economia, Política, Meio Ambiente, Ciência & Tecnologia, Educação, Esporte e Polícia, nas quais exerci as funções de editor, repórter, consultor de comunicação e assessor de imprensa. Destaco as atividades de edição e reportagem, mediante o uso de linguagem informativa e fluente que estimule o debate, a reflexão e a consciência crítica. No período de 2003-2011, em Brasília, atuei como assessor de imprensa no Congresso Nacional (na Câmara dos Deputados e no Senado federal); consultor de comunicação do Projeto de Gestão Ambiental Rural (PGAR), do Ministério do Meio Ambiente e das Nações Unidas, em 2006; editor da Assessoria de Comunicação do Ministério de Ciência e Tecnologia (Ascom/MCTI), em 2012. Como repórter especial, assinei a capa das revistas: Veja (prisão do senador Luiz Estevão, 2000); Galileu (Peritos criminais, 2010) e Conjuntura Econômica-FGV (Comércio exterior do Brasil e Crise Argentina, 2002). Atuei como editor-assistente do Portal iG para as eleições de 2010. Em 2013, cobri a cobertura do seminário internacional sobre energia, para a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham-Rio). De 2014 a 2015, atuei como repórter especial da revista Desafios do Desenvolvimento (Ipea); repórter da revista Brasil Energia Petróleo (RJ) e editor do site Janus Investimentos (SP), em 2018 e 2019, e redator e editor do site Capitalist. De 2022 a 2025, fui editor de Economia do jornal Correio da Manhã (RJ). Atualmente, produzo conteúdo para os sites Linkedin e Substack.

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