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Grupo Dolly entra no centro de uma disputa bilionária após procuradorias pedirem falência por dívida de R$ 15,7 bilhões acumulada durante mais de duas décadas

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 01/07/2026 às 22:10 Atualizado em 01/07/2026 às 22:13
Mascote verde da Dolly em estádio de futebol, ao lado de garrafas de refrigerante, em referência ao pedido de falência por dívida de R$ 15,7 bilhões.
Imagem ilustrativa reúne o mascote e diferentes refrigerantes da Dolly, empresa citada em pedido de falência apresentado por procuradorias.
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PGFN e PGE-SP acionaram a Justiça contra empresas do Grupo Dolly e alegam que o passivo envolve débitos com a União, São Paulo e o FGTS.

O Grupo Dolly tornou-se alvo de um pedido de falência protocolado nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026.

A solicitação foi apresentada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo.

Segundo os órgãos, as empresas acumulam uma dívida ativa estimada em R$ 15,7 bilhões.

O passivo envolve obrigações com a União, o governo paulista e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

A cobrança se estende por mais de 25 anos, conforme os argumentos apresentados pelas procuradorias à Justiça.

Dívida bilionária está dividida entre União, São Paulo e FGTS

A maior parte da dívida do Grupo Dolly está vinculada à União.

Os dados apresentados pelas procuradorias indicam a seguinte divisão:

  • R$ 8,3 bilhões inscritos na dívida ativa da União;
  • R$ 7,4 bilhões devidos ao estado de São Paulo;
  • aproximadamente R$ 15 milhões relacionados ao FGTS.

Os valores colocam o grupo no centro de uma das maiores cobranças fiscais atualmente levadas ao Judiciário.

A soma apresentada considera os débitos inscritos pelos órgãos responsáveis pelas cobranças federal e estadual.

Procuradorias apontam possível blindagem patrimonial

A PGFN e a PGE-SP afirmam que o passivo não teria sido provocado apenas por dificuldades financeiras.

Os órgãos sustentam que teria existido uma estratégia deliberada de blindagem patrimonial.

Essa estrutura, segundo as procuradorias, teria dificultado a localização de bens e o avanço das medidas de cobrança.

A manifestação judicial também menciona a criação de novas estruturas de planejamento tributário e proteção patrimonial.

As alegações ainda serão analisadas pelo Poder Judiciário durante o andamento do processo.

Recuperação judicial durou quase oito anos

O Grupo Dolly permaneceu em recuperação judicial por quase oito anos, conforme informaram as procuradorias.

O procedimento havia sido iniciado em 2018 para organizar as obrigações financeiras das empresas.

A PGFN e a PGE-SP afirmam que os débitos fiscais não foram quitados durante esse período.

O grupo pediu a desistência da recuperação judicial em maio de 2026.

A empresa passou, então, a buscar negociações com credores fora do processo de recuperação.

O g1 informou que o Grupo Dolly não havia apresentado manifestação até a última atualização da reportagem original.

Processo teria sido usado para suspender cobranças

A recuperação judicial teria sido utilizada para desfazer medidas de cobrança adotadas anteriormente, segundo os órgãos públicos.

As procuradorias também alegam que novas estruturas patrimoniais foram constituídas durante o processo.

O pedido de falência apresenta esses elementos como parte de uma estratégia que teria impedido a recuperação dos valores.

A Justiça deverá avaliar as provas, os documentos e os argumentos apresentados antes de tomar qualquer decisão.

Decisão do STJ abriu caminho para o pedido de falência

O pedido contra o Grupo Dolly foi fundamentado em um entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça.

A Terceira Turma do STJ reconheceu, em 24 de fevereiro de 2026, que a Fazenda Pública pode pedir a falência de grandes devedores.

A medida pode ser adotada quando tentativas anteriores de execução fiscal não produzem resultados.

A PGFN publicou, em 31 de março de 2026, a Portaria nº 903 para regulamentar esse tipo de atuação.

A norma foi divulgada no Diário Oficial da União em 2 de abril de 2026.

O novo entendimento equiparou, na prática, as fazendas públicas aos credores privados em situações complexas e prolongadas.

Justiça analisará futuro das empresas do Grupo Dolly

O Poder Judiciário deverá decidir se os requisitos para a decretação da falência foram atendidos.

A análise poderá considerar o tamanho da dívida, a duração das cobranças e as alegações de blindagem patrimonial.

O passivo de R$ 15,7 bilhões permanece dividido entre a União, o estado de São Paulo e o FGTS.

As informações foram divulgadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo g1.

Na sua opinião, a falência é a melhor alternativa para recuperar uma dívida pública desse tamanho ou uma negociação ainda poderia produzir melhores resultados?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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