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Quase 70% dos brasileiros devem dinheiro e o desespero é tanto que 52% já reduziram comida 50% cortaram luz e água e 38% pararam de comprar remédio só para não afundar ainda mais nas dívidas

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/04/2026 às 08:17
Atualizado em 21/04/2026 às 08:19
Pesquisa Datafolha mostra que quase 70% dos brasileiros têm dívidas. O crédito rotativo aprisiona 27%, e 38% pararam de comprar remédio para fechar as contas.
Pesquisa Datafolha mostra que quase 70% dos brasileiros têm dívidas. O crédito rotativo aprisiona 27%, e 38% pararam de comprar remédio para fechar as contas.
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O Datafolha revelou que dois em cada três brasileiros carregam dívidas, que o crédito rotativo aprisiona 27% dos entrevistados, e que o desespero levou 52% a cortar alimentos, 50% a reduzir luz e água e 38% a suspender a compra de remédio para tentar sobreviver ao aperto financeiro.

Dois em cada três brasileiros possuem algum tipo de débito financeiro, segundo pesquisa do Datafolha divulgada no sábado (18) com base em entrevistas realizadas nos dias 8 e 9 de abril de 2026. O levantamento consultou 2.002 pessoas em amostra proporcional a todas as regiões do país, com erro estimado em dois pontos para cima ou para baixo e grau de confiança de 95%. Os números desenham um cenário no qual as dívidas não se limitam ao sistema bancário: 41% dos brasileiros que recorreram a conhecidos para obter dinheiro emprestado simplesmente não pagaram de volta. Entre os endividados formais, 29% estão em atraso no cartão de crédito, 26% com financiamentos bancários pendentes e 25% devendo carnês do comércio.

A pressão sobre o orçamento doméstico empurrou os brasileiros para cortes que vão muito além do supérfluo. O Datafolha apurou que 64% eliminaram o lazer, 60% pararam de comer fora, outros 60% trocaram marcas por alternativas mais baratas, 52% compraram menos comida, metade reduziu o gasto com energia, água e gás, 40% atrasaram contas de propósito e 38% deixaram de adquirir remédio ou de honrar parcelas de dívidas. Quando questionados de forma espontânea sobre qual é seu maior problema pessoal, 37% dos brasileiros responderam com temas financeiros: renda baixa, acúmulo de débitos e custo de vida que não para de subir.

O índice de aperto que classifica a situação financeira dos brasileiros

Pesquisa Datafolha mostra que quase 70% dos brasileiros têm dívidas. O crédito rotativo aprisiona 27%, e 38% pararam de comprar remédio para fechar as contas.

O Datafolha construiu uma métrica que avalia oito tipos de restrição orçamentária para medir o grau de sufoco das famílias. O resultado mostra que 45% dos brasileiros vivem sob pressão econômica intensa: 27% em patamar classificado como apertado e 18% em condição severa, faixa na qual o comprometimento da renda atinge praticamente todas as esferas da vida cotidiana. Outros 36% estão em situação moderada, e somente 19% foram enquadrados como livres de restrições relevantes.

Esses percentuais significam que para quase metade da população a pergunta diária não é “o que comprar”, mas “o que cortar”. O fato de 52% dos brasileiros terem reduzido a compra de comida demonstra que o ajuste já ultrapassou a fronteira do conforto e atingiu a sobrevivência básica. E os 38% que abriram mão de remédio para não ampliar as dívidas revelam que a crise financeira se converteu em risco sanitário: em um país onde milhões dependem de medicação contínua para hipertensão, diabetes e outras condições crônicas, interromper o tratamento por falta de dinheiro transfere o custo do presente para uma emergência hospitalar no futuro.

Como o crédito rotativo se transformou em armadilha para os brasileiros

O Datafolha apurou que 27% dos brasileiros utilizam o crédito rotativo do cartão, modalidade que é acionada automaticamente quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura. Desse total, 5% recorrem ao rotativo com frequência regular e 22% de maneira esporádica, mas mesmo o uso eventual pode gerar endividamento acelerado porque os juros dessa modalidade figuram entre os mais altos do mercado financeiro nacional. O saldo não pago é refinanciado a taxas que podem ultrapassar 400% ao ano, o que significa que uma fatura de poucos centenas de reais se multiplica para milhares em questão de meses.

Para os brasileiros que já operam no limite, o rotativo funciona como engrenagem que acelera o endividamento em vez de aliviá-lo. O consumidor acredita estar em dia porque pagou o mínimo, mas na prática está contraindo uma nova dívida a cada fatura, e quando percebe o acúmulo já não tem crédito disponível para cobrir nem o valor mínimo seguinte. É nesse ponto que o cartão deixa de ser ferramenta de pagamento e se torna fonte primária do sufoco financeiro. Dos 29% de brasileiros inadimplentes no cartão de crédito, uma parcela expressiva chegou a essa situação pelo ciclo do rotativo.

O que os brasileiros devem além dos bancos e do cartão de crédito

As dívidas não se concentram apenas no sistema financeiro formal. O Datafolha identificou que 28% dos entrevistados possuem contas de serviços essenciais em atraso: 12% devem telefonia e internet, 12% estão com tributos como IPTU e IPVA pendentes, 11% acumulam débito na conta de luz e 9% na conta de água. São serviços dos quais nenhuma família pode prescindir, e o atraso nesses itens gera consequências imediatas: corte de energia, suspensão de linha telefônica, impedimento de licenciar o veículo.

O dado mais revelador sobre a profundidade da crise entre os brasileiros, porém, é o dos empréstimos informais. Quatro em cada dez pessoas que pediram dinheiro a amigos ou parentes simplesmente não devolveram, percentual que transforma solidariedade em fonte de conflito e corrói vínculos que deveriam funcionar como rede de proteção nos momentos difíceis. Quando até os empréstimos entre conhecidos viram dívidas impagáveis, o sinal é de que o problema transcendeu a esfera bancária e contaminou as relações pessoais de uma parcela enorme da população.

O que os números do Datafolha dizem sobre o remédio para a crise dos brasileiros

A combinação de endividamento generalizado, juros abusivos no crédito rotativo e renda insuficiente produz um ciclo que se retroalimenta. Os brasileiros que cortaram alimentos e remédio para tentar pagar dívidas não estão solucionando o problema: estão deslocando o custo de uma área para outra, sacrificando saúde e nutrição em troca de alívio financeiro temporário que não resolve a causa estrutural do aperto. A pesquisa do Datafolha é um retrato de abril de 2026, mas as condições que geraram esse cenário se acumularam ao longo de anos de juros elevados, crescimento econômico fraco e inflação persistente sobre itens de consumo básico.

O remédio para essa situação vai além da gestão individual do orçamento. Enquanto o crédito rotativo cobrar juros acima de qualquer capacidade razoável de pagamento e a renda dos brasileiros não crescer na mesma velocidade do custo de vida, os índices de endividamento tendem a permanecer nesse patamar ou piorar. Os 37% que identificam questões financeiras como seu maior problema pessoal não estão falando de luxo ou ambição: estão falando de comida, luz, água e remédio, os quatro pilares que sustentam a vida cotidiana e que, para milhões de famílias, já deixaram de ser garantia.

E você, está entre os brasileiros que devem dinheiro? Já precisou cortar remédio ou alimento para fechar as contas do mês? Deixe sua experiência nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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