Com crescimento de 4% no volume produzido em 2025, São Paulo alcança 54,17 mil toneladas de tilápia, movimenta R$ 494,11 milhões, amplia uso de tanques-rede, fortalece frigoríficos especializados e consolida a espécie como eixo econômico da aquicultura estadual
A piscicultura paulista consolidou a tilápia como um dos principais vetores do agronegócio estadual em 2025, com crescimento de 4% no volume produzido em relação a 2024, totalizando 54,17 mil toneladas e faturamento de R$ 494,11 milhões, segundo dados preliminares do Instituto de Economia Agrícola.
O desempenho mantém São Paulo como o segundo maior produtor de tilápia do Brasil, atrás apenas do Paraná, reforçando a relevância econômica da atividade e seu papel estratégico no abastecimento de pescado e na diversificação da produção agropecuária estadual.
Crescimento produtivo e estrutura industrial consolidada no Estado
Os dados do Valor da Produção da Aquicultura Paulista para o ciclo de 2025 apontam que a tilápia segue como a espécie mais dinâmica da piscicultura paulista. O volume produzido alcançou 54,17 mil toneladas, resultado associado à expansão tecnológica e à maior eficiência dos sistemas de criação.
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A estrutura industrial do Estado é considerada robusta. Atualmente, 21 frigoríficos concentram 86% do abate estadual de tilápias. Apesar disso, parte da produção paulista ainda é direcionada para unidades de processamento localizadas em estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Segundo artigo científico publicado no site do Instituto de Economia Agrícola, as perspectivas para o segundo semestre são consideradas favoráveis. O relatório destaca que condições climáticas adequadas de temperatura e luminosidade podem impulsionar a produção, com potencial para reverter a queda observada no valor total da produção no cálculo preliminar.
Avanço dos tanques-rede e distribuição regional da produção
A tecnologia de criação em tanques-rede tem sido determinante para o aumento da produção e da produtividade da tilápia no Estado. Esse sistema está concentrado, principalmente, nos grandes reservatórios hidrelétricos do oeste paulista e já responde por mais de 75% do volume total produzido.
Em 2024, levantamento realizado pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral e pelo Instituto de Economia Agrícola contabilizou mais de 12 mil unidades de tanques-rede em operação em São Paulo. O número reflete a intensificação da atividade e a adoção de modelos produtivos mais eficientes.
Os viveiros escavados, por sua vez, seguem relevantes em regiões como o planalto paulista e a Mantiqueira. Nessas áreas, a produção se divide entre o mercado comercial e o segmento de pesque-pague, atividade voltada ao lazer que contribui para a economia local e para a diversificação da renda rural.
Pesquisa científica e inclusão da tilápia no VPA em 2025
Para o pesquisador do Instituto de Economia Agrícola, Eder Pinnati, a pesquisa científica tem papel central na evolução da cadeia produtiva da tilápia em São Paulo. Segundo ele, estudos abordam desafios relacionados à qualidade da água, à produtividade e à gestão da cadeia.
Pinnati destaca que o IEA iniciou o acompanhamento sistemático e a divulgação de dados e informações da cadeia produtiva da tilápia, contribuindo para maior transparência e embasamento técnico das decisões do setor, mesmo diante de desafios operacioanis e ambientais.
Em função da relevância econômica e da intensificação da atividade, a tilápia passou a integrar, em 2025, o Valor da Produção Agropecuária. O VPA gera um ranking de importância econômica dos produtos agropecuários do Estado.
Elaborado desde 1948, o VPA é um dos principais indicadores econômicos da agropecuária paulista e serve de base para análises setoriais, planejamento e formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor.
Investimentos, frigoríficos e potencial de expansão da oferta
O setor de piscicultura segue atraindo novos investimentos em São Paulo, refletidos no aumento contínuo do número de criatórios cadastrados pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária. A expansão indica maior profissionalização e intensificação da atividade.
Segundo Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do Instituto de Economia Agrícola, ainda existe amplo potencial de crescimento, uma vez que grande parte do abastecimento paulista de tilápia continua vindo de outros Estados.
Vegro destaca que a instalação de grandes frigoríficos especializados no abate e processamento, incluindo filetagem e aproveitamento do couro para outros usos, tem colaborado de forma decisiva para o crescimento da produção estadual.
Entre as aplicações mencionadas está o uso do couro de tilápia para tratamento de queimaduras de primeiro grau, ampliando o aproveitamento industrial do pescado e agregando valor à cadeia produtiva.
Consumo, preferência do consumidor e desafios de mercado
A tilápia é apontada como a espécie de pescado preferida dos paulistas, seguida por salmão, pescada e atum. A informação consta em pesquisa realizada pelo Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto de Pesca do Estado de São Paulo.
Apesar da preferência, o alto custo da proteína é citado como um dos principais fatores que limitam o consumo. O estudo indica que o consumo de peixes, crustáceos e moluscos no Estado está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
Em média, os paulistas consomem esses alimentos de uma a três vezes por mês, enquanto a OMS recomenda consumo mínimo de duas vezes por semana. Celso Vegro observa que há potencial de crescimento da demanda.
Segundo o pesquisador, nos últimos anos houve maior presença da tilápia nos hábitos alimentares dos brasileiros, especialmente no centro-sul do país. Ele explica que a estrutura produtiva paulista tem reagido positivamente, seguindo a lógica econômica em que o aumento da demanda estimula a oferta.

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