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Cientistas procuravam um buraco negro em galáxia a 11 bilhões de anos-luz, mas o ALMA revelou uma “fábrica” de neutrinos escondida por poeira e alimentada por intensa formação de estrelas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 20/06/2026 às 17:48
Atualizado em 20/06/2026 às 17:50
Astrônomos buscavam buraco negro, mas acharam galáxia distante que pode explicar até 20% dos neutrinos de alta energia.
Astrônomos buscavam buraco negro, mas acharam galáxia distante que pode explicar até 20% dos neutrinos de alta energia.
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Cientistas miravam um possível buraco negro supermassivo em uma galáxia distante, mas observações do ALMA revelaram que a fonte provável de energia era outra: uma região compacta, empoeirada e extremamente ativa, onde a formação intensa de estrelas pode estar produzindo neutrinos de alta energia.

Astrônomos esperavam confirmar a presença de um buraco negro em uma galáxia distante ligada a um neutrino de alta energia. Mas as observações revelaram outro cenário: uma fábrica cósmica alimentada por intensa formação de estrelas.

Galáxia distante virou alvo após sinal do IceCube

O caso começou com o evento IC 210922A, detectado pelo Observatório de Neutrinos IceCube, no Polo Sul. Para rastrear sua origem, uma equipe internacional usou o ALMA e outros telescópios.

A busca levou à galáxia JCMT0402−0424, a cerca de 11 bilhões de anos-luz da Terra. Ela é excepcionalmente luminosa e aparece associada ao sinal investigado.

Neutrinos estão entre as partículas mais difíceis de estudar. Eles atravessam o espaço e até a Terra interagindo pouco com a matéria, o que torna sua origem um desafio.

Buraco negro não apareceu nos dados

A expectativa inicial era encontrar um buraco negro supermassivo alimentando a galáxia distante. Esse tipo de fonte já havia sido associado a galáxias produtoras de neutrinos.

No entanto, ao examinar JCMT0402−0424, os pesquisadores não encontraram as emissões energéticas normalmente ligadas a um buraco negro poderoso. As observações de rádio reforçaram essa ausência.

A galáxia é fortemente encoberta por poeira, o que dificulta sua visualização em luz visível. Em comprimentos de onda submilimétricos, porém, ela brilha intensamente.

Por causa dessa combinação de brilho extremo e aparência oculta, a equipe apelidou a galáxia de Shadow Blaster, ou Explosão de Sombras.

Lente gravitacional ampliou a Shadow Blaster

O avanço veio graças a um alinhamento favorável. Uma galáxia entre a Terra e Shadow Blaster curvou e amplificou as ondas de rádio da galáxia distante.

Esse efeito, conhecido como lente gravitacional, funcionou como um telescópio natural. Ele produziu imagens mais brilhantes e ampliadas, permitindo ao ALMA observar detalhes internos da galáxia.

As medições mostraram que gás e poeira parecem ser aquecidos principalmente pela formação intensa de estrelas, não por um buraco negro supermassivo.

Os pesquisadores também identificaram um núcleo compacto e denso no centro de Shadow Blaster. Grandes quantidades de gás e poeira se concentram em uma região com cerca de 1.500 anos-luz de diâmetro.

Estrelas podem explicar parte dos neutrinos

Os resultados indicam que galáxias compactas, ricas em poeira e com formação estelar intensa podem ter sido subestimadas como fontes de neutrinos de alta energia.

A análise aponta que esse tipo de galáxia pode responder por até 20% da população total de neutrinos de alta energia observados no Universo.

Se novos estudos confirmarem esse cenário, a descoberta pode mudar a forma como os cientistas entendem a produção de algumas das partículas mais elusivas do cosmos.

O achado amplia o papel das galáxias starburst no debate sobre neutrinos, mostrando que a atividade estelar, mesmo escondida pela poeira, pode deixar sinais detectáveis a bilhões de anos-luz.

O que você achou dessa descoberta envolvendo buraco negro, neutrinos e uma galáxia escondida por poeira? Deixe sua opinião nos comentários e conte se essa explicação baseada em formação de estrelas surpreendeu mais do que a hipótese inicial de um buraco negro supermassivo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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