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Nem Trump convence o mercado: empresas dos EUA afirmam que o Brasil não tem substituto, pressionam Washington contra a tarifa de 25% e alertam que a medida pode elevar preços, provocar demissões, atrasar obras e prejudicar setores que dependem de pedras, madeiras, sementes e outros produtos brasileiros

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 20/06/2026 às 16:23
Atualizado em 20/06/2026 às 16:29
Empresários analisam pedras brasileiras e madeiras em armazém com bandeiras dos Estados Unidos e do Brasil ao fundo
Representação ilustrativa de empresários analisando pedras, cristais e madeiras brasileiras em meio ao debate sobre a tarifa de 25% proposta pelos Estados Unidos.
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Companhias americanas pressionam o USTR por isenções para pedras, madeiras, sementes e outros produtos brasileiros considerados essenciais às cadeias produtivas dos Estados Unidos

Empresas americanas passaram a pressionar o governo de Donald Trump contra a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

As companhias afirmam que pedras, madeiras, sementes e componentes fabricados no Brasil não possuem substitutos equivalentes em qualidade, quantidade e preço.

Ao menos 11 empresas e entidades setoriais enviaram manifestações ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR. Desse total, pelo menos nove são americanas.

Segundo os documentos apresentados, a sobretaxa aumentaria despesas, reduziria investimentos e elevaria preços para consumidores dos próprios Estados Unidos.

Empresa afirma que pedras brasileiras não podem ser substituídas

Entre as companhias mobilizadas está a GeoCentral, atacadista de pedras, cristais e fósseis sediada em Mason, no estado de Ohio.

Controlada desde 2008 pela holding familiar CM Paula, a empresa pediu ao USTR que pedras brasileiras sejam retiradas da lista da tarifa.

Atualmente, mais de 25% do portfólio da GeoCentral é importado do Brasil, sobretudo de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.

A empresa compra ametistas, ágatas, quartzos e outras pedras preciosas ou semipreciosas. Posteriormente, os materiais são vendidos como cristais, presentes e itens decorativos.

Pedra natural brasileira iluminada usada como peça decorativa em meio ao debate sobre a tarifa de 25% nos Estados Unidos.
Pedra Agatha, natural brasileira, transformada em peça decorativa, exemplo dos produtos considerados difíceis de substituir por empresas dos Estados Unidos — Foto: Divulgação

Segundo George White, CEO da CM Paula, a escolha pelo Brasil não ocorre apenas por preferência comercial.

“Nós não compramos do Brasil simplesmente porque queremos. Compramos porque o país oferece a melhor combinação de qualidade e custo disponível no mundo”, afirmou ao g1.

Além disso, White destacou que a infraestrutura brasileira permite extrair, cortar, polir e preparar pedras em grande escala.

Conforme a empresa, aproximadamente 120 produtos seriam afetados pela tarifa de 25%. Contudo, fornecedores semelhantes ainda não foram encontrados em outros países.

Tarifas anteriores provocaram cortes e demissões

A GeoCentral afirmou que tarifas aplicadas anteriormente já obrigaram a empresa a cortar despesas, reduzir investimentos em marketing e demitir funcionários.

Além disso, os preços cobrados no atacado foram elevados para compensar parte dos custos adicionais.

A companhia apresentou 117 pedidos de restituição relacionados a importações do Brasil e da China. Segundo White, cerca de 10% dos valores já foram recuperados.

Mesmo com uma nova sobretaxa, a empresa pretende continuar importando produtos brasileiros.

“Continuaremos importando do Brasil. A única diferença é que teremos de arcar com custos maiores por causa das tarifas”, declarou o executivo.

Madeiras brasileiras também são consideradas únicas

Empresas do setor de pisos também pediram exceções para produtos brasileiros, especialmente jatobá e cumaru.

A The Fantastic Floor argumentou que essas espécies são nativas da América do Sul e não estão disponíveis comercialmente nos Estados Unidos.

Da mesma forma, Artivo Surfaces e Strong Flooring Solutions afirmaram que madeiras americanas não reproduzem a aparência e a qualidade dos produtos brasileiros.

Já a Wood Timber Import alertou que fabricantes locais não atendem à demanda do setor imobiliário em volume e qualidade suficientes.

Por sua vez, a distribuidora JKG Inc. destacou que granitos, mármores e quartzos brasileiros possuem características geológicas únicas.

Segundo a companhia, a tarifa elevaria os custos de construção e, consequentemente, aumentaria os preços pagos pelos consumidores americanos.

Habitação, educação e agricultura entram no debate

A Legacy Roots Housing Initiative afirmou que a sobretaxa criaria obstáculos para pequenos incorporadores e poderia atrasar projetos habitacionais.

Enquanto isso, a Lauria Dental Model solicitou isenção para modelos odontológicos utilizados por universidades e cursos profissionais.

A empresa argumentou que os produtos são destinados ao ensino e não disputam mercado com equipamentos médicos fabricados nos Estados Unidos.

Além disso, a American Seed Trade Association pediu que sementes destinadas ao plantio também sejam excluídas da medida.

Segundo a entidade, a tarifa reduziria a competitividade agrícola americana e afetaria cadeias internacionais essenciais à inovação.

Audiência pública ocorrerá em julho

O USTR abriu a consulta após concluir uma investigação sobre práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio americano.

O relatório citou temas como PIX, pirataria, desmatamento ilegal e aplicação das leis anticorrupção.

As manifestações escritas poderão ser enviadas até 1º de julho de 2026. Posteriormente, uma audiência pública será realizada em 6 de julho.

A expectativa apresentada no processo é que uma decisão seja tomada até 15 de julho, quando a nova tarifa poderá começar a ser aplicada.

O Itamaraty informou que atua por meio de contestação técnica e negociação diplomática com Washington.

Paralelamente, a Amcham Brasil defendeu uma solução negociada e destacou a complementaridade econômica entre Brasil e Estados Unidos.

Para as empresas mobilizadas, a tarifa não ampliará a produção americana, pois os produtos brasileiros não possuem alternativas equivalentes no mercado local.

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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