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Pouca gente sabe, mas procuração assinada pelo Gov.br tem validade jurídica, dispensa reconhecimento de firma em cartório e já é aceita em diversos órgãos públicos

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 02/03/2026 às 10:08
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Pouca gente sabe, mas procuração assinada pelo Gov.br tem validade jurídica, dispensa reconhecimento de firma em cartório e já é aceita em diversos órgãos públicos
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Decisão do STJ confirma validade jurídica de procuração assinada pelo Gov.br e dispensa reconhecimento de firma em cartório em determinadas situações previstas na Lei 14.063/2020.

Brasília (DF) — Em fevereiro de 2026, o Superior Tribunal de Justiça confirmou que documentos assinados eletronicamente por meio da plataforma Gov.br possuem validade jurídica, inclusive para fins de representação processual, podendo dispensar reconhecimento de firma em cartório quando atendidos os requisitos legais. A decisão foi fundamentada na Lei nº 14.063/2020, que regulamenta o uso de assinaturas eletrônicas nas interações com entes públicos no Brasil.

O que diz a Lei nº 14.063/2020 sobre assinatura eletrônica

A Lei 14.063/2020 estabelece três tipos de assinatura eletrônica:

  1. Assinatura simples
  2. Assinatura avançada
  3. Assinatura qualificada (ICP-Brasil)

A assinatura realizada por meio do Gov.br pode ser classificada como assinatura eletrônica avançada, desde que vinculada a uma conta com nível de segurança elevado (nível prata ou ouro).

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Segundo a legislação, a assinatura avançada é válida quando:

  • Permite identificação inequívoca do signatário
  • Está vinculada ao titular
  • Utiliza mecanismos de autenticação seguros

Procuração digital pelo Gov.br dispensa reconhecimento de firma?

A decisão do STJ indicou que, em contexto judicial específico analisado, a assinatura eletrônica Gov.br foi considerada suficiente para validar a procuração, sem necessidade de reconhecimento de firma em cartório. Isso significa que:

  • Para atos processuais digitais
  • Em ambientes judiciais eletrônicos
  • Quando o sistema aceita assinatura avançada

A exigência tradicional de firma reconhecida pode ser afastada. No entanto, a aplicação pode variar conforme o órgão, o tribunal ou o tipo de ato jurídico envolvido.

Quando ainda pode ser exigida assinatura qualificada (ICP-Brasil)

Apesar da decisão, há situações em que:

  • Cartórios extrajudiciais
  • Instituições financeiras
  • Atos imobiliários
  • Escrituras públicas

Podem exigir assinatura qualificada emitida por certificado digital ICP-Brasil. A diferença é técnica: a assinatura qualificada utiliza certificado digital emitido por autoridade certificadora credenciada na Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).

Gov.br já é utilizado por Receita Federal e INSS

A plataforma Gov.br já permite:

  • Procurações eletrônicas para acesso ao e-CAC da Receita Federal
  • Autorizações digitais no INSS
  • Representação administrativa em diversos serviços públicos

Esses serviços já dispensam reconhecimento de firma físico quando realizados via sistema oficial autenticado.

Níveis de segurança da conta Gov.br

A validade da assinatura depende do nível da conta:

  • Bronze – nível básico
  • Prata – verificação adicional
  • Ouro – validação biométrica ou bancária

Para maior segurança jurídica, recomenda-se conta nível prata ou ouro.

Digitalização da burocracia no Brasil

O reconhecimento de firma sempre foi exigência tradicional no Brasil para validar autenticidade de assinaturas.

Com a digitalização de serviços públicos e expansão do processo eletrônico, o uso de assinatura digital avançada passou a ser aceito em:

  • Processos judiciais eletrônicos
  • Serviços administrativos federais
  • Protocolos digitais

A decisão do STJ reforça essa tendência.

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Segurança jurídica e limites práticos

Especialistas apontam que a decisão não elimina completamente o reconhecimento de firma em todos os contextos. A validade depende de:

  • Natureza do ato jurídico
  • Regulamentação específica do órgão
  • Ambiente (judicial ou extrajudicial)
  • Exigência expressa em lei

Portanto, embora haja avanço, a exigência pode variar caso a caso.

Impacto para cidadãos e empresas

Se aplicada de forma ampla, a dispensa de reconhecimento de firma pode:

  • Reduzir custos com cartório
  • Agilizar procedimentos
  • Facilitar representação digital
  • Diminuir burocracia

O avanço se insere no contexto de digitalização da administração pública federal. A decisão do Superior Tribunal de Justiça, em 2026, confirmou que procuração assinada via Gov.br pode ter validade jurídica e dispensar reconhecimento de firma em determinadas situações previstas na Lei nº 14.063/2020.

O uso da assinatura eletrônica avançada consolida um movimento de modernização dos atos administrativos e processuais no Brasil, embora a exigência de certificado ICP-Brasil ainda possa ser aplicada em atos específicos.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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