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Empresa é obrigada a liberar funcionários durante os jogos do Brasil na Copa? Entenda os direitos do trabalhador

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 05/07/2026 às 11:09 Atualizado em 05/07/2026 às 11:11
Trabalho durante jogos do Brasil segue normalmente na Copa de 2026, pois as partidas não são feriados e a liberação depende da empresa ou de acordo coletivo.
Trabalho durante jogos do Brasil segue normalmente na Copa de 2026, pois as partidas não são feriados e a liberação depende da empresa ou de acordo coletivo. (imagem meramente ilustrativa)
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Trabalho durante jogos do Brasil segue normalmente na Copa de 2026, pois as partidas não são feriados e a liberação depende da empresa ou de acordo coletivo.

A classificação da Seleção Brasileira para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 trouxe uma dúvida para trabalhadores escalados nos horários das próximas partidas: é possível interromper a jornada para acompanhar os jogos? Pela legislação trabalhista, o empregado não possui direito automático de deixar o serviço, uma vez que os confrontos da seleção não são considerados feriados.

O Brasil enfrenta a Noruega no domingo (5), às 17h. Caso avance até a final, a equipe comandada por Carlo Ancelotti ainda disputará quatro partidas, incluindo dois confrontos previstos para dias úteis.

Assim, o trabalho durante jogos do Brasil deve continuar normalmente, exceto quando houver autorização do empregador, negociação antecipada ou previsão em convenção ou acordo coletivo da categoria.

Trabalho durante jogos do Brasil não é suspenso automaticamente

A realização de uma partida da Seleção Brasileira não altera, por si só, o horário contratado entre empresa e empregado.

Quem estiver escalado deverá cumprir a jornada habitual, independentemente de o jogo ocorrer em um dia útil ou no domingo. A liberação só poderá acontecer por decisão da empresa ou por uma regra previamente estabelecida.

Entre as possibilidades estão:

  • dispensa do trabalho durante o horário da partida;
  • mudança temporária no início ou no término da jornada;
  • organização de revezamentos entre os empregados;
  • compensação das horas não trabalhadas;
  • aplicação de regras previstas em convenções coletivas;
  • acordo antecipado entre empresa e trabalhador.

A forma escolhida deve respeitar a legislação trabalhista e as normas coletivas aplicáveis à atividade. O empregador poderá permitir que toda a equipe ou apenas parte dela acompanhe a partida.

Nesse caso, a empresa também poderá estabelecer mecanismos para compensar o período liberado. O ajuste pode envolver alteração de horários ou reposição das horas em outro momento, desde que sejam observadas as regras legais e coletivas.

A liberação, contudo, não constitui uma obrigação geral da empresa. Também não pode ser presumida pelo empregado apenas porque o Brasil estará em campo. Por isso, qualquer modificação no trabalho durante jogos do Brasil precisa ser comunicada e combinada antes do início da partida.

Partidas disputadas aos domingos seguem regras da escala

O próximo jogo da seleção acontecerá em um domingo, quando parte dos trabalhadores costuma estar de folga. Profissionais de hospitais, aeroportos, transporte público, segurança, fornecimento de energia e outros serviços contínuos, porém, podem permanecer em atividade.

Quando o domingo já integra regularmente a escala e o descanso semanal é concedido em outro dia, não existe pagamento dobrado apenas porque o serviço foi realizado no domingo.

A remuneração e a eventual folga compensatória dependem das normas da Consolidação das Leis do Trabalho e, principalmente, das convenções ou dos acordos coletivos de cada categoria. Essa situação não deve ser confundida com determinadas regras aplicadas ao trabalho em feriados, já que os jogos da Copa não recebem essa classificação.

Trabalho durante jogos do Brasil exige autorização para saída

O empregado que abandonar o posto para assistir à partida sem permissão poderá receber uma penalidade disciplinar. Segundo a advogada trabalhista Malu Vieira Xavier, sócia do escritório A.C. Burlamaqui Advocacia, para o g1, as medidas podem incluir advertência ou suspensão.

Em situações de maior gravidade, também pode existir a possibilidade de demissão por justa causa. A especialista ressalta, entretanto, que essa é a sanção mais severa prevista na legislação e não deve ser aplicada sem avaliação das circunstâncias.

“Uma conduta isolada dificilmente justifica a justa causa. São avaliados fatores como a gravidade da infração, eventual reincidência e os prejuízos causados à empresa”, afirma Malu. A análise deve considerar o comportamento do empregado, o histórico disciplinar e as consequências provocadas pela ausência.

Abandono do posto pode ser mais grave em serviços essenciais

A saída sem autorização tende a ter maior impacto em atividades que não podem ser interrompidas.

Em hospitais e serviços de emergência, por exemplo, a ausência pode comprometer o atendimento à população. Nos aeroportos, no transporte público e no fornecimento de energia, o abandono também pode prejudicar a continuidade da operação.

Trabalho durante jogos do Brasil segue normalmente na Copa de 2026, pois as partidas não são feriados e a liberação depende da empresa ou de acordo coletivo.
Trabalho durante jogos do Brasil segue normalmente na Copa de 2026, pois as partidas não são feriados e a liberação depende da empresa ou de acordo coletivo. (imagem meramente ilustrativa)

O mesmo ocorre em funções relacionadas à segurança, nas quais a falta de um profissional escalado pode afetar outras pessoas ou estruturas. Nesses setores, o prejuízo causado pela conduta poderá pesar na definição da medida disciplinar adotada pela empresa.

Justa causa depende das circunstâncias de cada situação

A ausência para assistir a uma partida não resulta automaticamente em demissão por justa causa.

De acordo com a advogada, a aplicação dessa penalidade depende de elementos como:

  • gravidade da falta;
  • repetição da conduta;
  • prejuízo causado à empresa;
  • natureza da atividade desempenhada;
  • consequências da saída do empregado;
  • histórico disciplinar do trabalhador.

Uma situação isolada pode levar a uma advertência ou suspensão, enquanto casos mais graves ou reincidentes podem receber tratamento diferente. A empresa deve avaliar cada ocorrência individualmente antes de aplicar a sanção.

Como empresas podem organizar as próximas partidas

Caso o Brasil continue avançando na Copa do Mundo de 2026, dois dos quatro possíveis jogos até a final ocorrerão em dias úteis. As empresas que decidirem flexibilizar a jornada poderão organizar previamente o funcionamento para evitar interrupções inesperadas.

Entre as alternativas mencionadas estão a criação de turnos, o revezamento de equipes, a mudança dos horários e a liberação com compensação posterior. Em setores essenciais, a organização pode envolver a manutenção de uma equipe mínima durante o confronto.

Essas medidas dependem das condições de cada empresa e das regras estabelecidas para os trabalhadores envolvidos. A orientação apresentada é que o empregado converse com a empresa antes de alterar sua jornada.

Sair do posto, chegar atrasado ou deixar de comparecer sem autorização pode ser tratado como descumprimento das obrigações profissionais. A empresa, por outro lado, pode decidir se possui condições de flexibilizar os horários sem afetar suas atividades.

Portanto, o trabalho durante jogos do Brasil continua submetido à escala definida pelo empregador e às regras coletivas da categoria. A possibilidade de acompanhar as partidas durante o expediente depende de uma liberação ou negociação realizada antecipadamente.

Com informações do g1

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Andriely Medeiros de Araújo

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