Bilhões de anos de interação entre chuva, rochas, rios e atividade geológica moldaram a composição dos oceanos, enquanto evaporação, organismos marinhos e sedimentos ajudam a equilibrar a concentração de sais. O percurso desses minerais revela por que águas doces e marinhas apresentam características tão diferentes.
Formada principalmente por minerais retirados das rochas continentais e transportados pelos rios, a salinidade oceânica também recebe substâncias liberadas por processos geológicos no fundo do mar, entre eles fontes hidrotermais e erupções vulcânicas submarinas.
Ao longo da história geológica da Terra, esses mecanismos atuaram de maneira contínua e ajudaram a concentrar compostos dissolvidos nos oceanos, enquanto córregos, rios e lagos mantiveram quantidades muito menores desses minerais em suas águas.
Embora existam diferenças regionais, a concentração média dos oceanos gira em torno de 35 partes de sais para cada mil partes de água, proporção equivalente a aproximadamente 3,5% da massa total da água marinha.
-
Detectoristas encontram três torques da Idade do Bronze perto de Carlisle, com 3 mil anos e valor estimado em £ 500 mil cada, em área onde projeto de energia pode construir subestação e linha aérea de 28 km
-
Ele joga cubos de gelo na massa para assar a pizza e o resultado vira creme de parmesão: aos 73 anos, o pizzaiolo Sudário Silva faz em São Roque uma pizza que garante ser única em todo o Brasil
-
Em vez de despejar favelas e erguer conjuntos, a Tailândia passou o dinheiro direto às cooperativas de moradores, que renegociaram a terra e reconstruíram os próprios bairros no mesmo lugar; já são mais de 90 mil famílias em cerca de 1.500 comunidades
-
A escola pública que forma de adolescente a idoso na mesma turma: em Araraquara, a EJA diplomou 36 alunos de uma vez, e entre eles dona Lourdes, de 83 anos, que agora já quer entrar numa faculdade
Como os minerais das rochas chegam aos oceanos
Quando atravessa a atmosfera, a água da chuva incorpora parte do dióxido de carbono presente no ar, torna-se levemente ácida e passa a provocar alterações físicas e químicas nas rochas expostas sobre a superfície terrestre.
Como parte dessas substâncias participa de reações químicas ou é aproveitada por organismos marinhos, nem todos os componentes permanecem indefinidamente na água, enquanto outros resistem por períodos mais longos e integram a composição dos oceanos.
Nos oceanos, por outro lado, a evaporação retira principalmente moléculas de água da superfície e deixa a maior parte dos sais no ambiente, condição que pode elevar a salinidade em regiões marcadas por pouca chuva e evaporação intensa.
Fontes hidrotermais e vulcões submarinos
No fundo dos oceanos, parte dos minerais chega por aberturas existentes na crosta, onde a água marinha penetra, encontra rochas aquecidas e retorna ao ambiente depois de passar por importantes transformações químicas.
Sob altas temperaturas, o contato com o magma modifica a composição da água infiltrada, que pode perder determinadas substâncias e incorporar metais ou outros componentes retirados das rochas antes de ser expelida pelas fontes hidrotermais.
Esse mecanismo, contudo, não apenas acrescenta materiais ao oceano, pois algumas reações entre a água e o basalto da crosta também retiram sais dissolvidos, reunindo processos simultâneos de entrada, transformação e remoção.
Ao mesmo tempo, o vulcanismo submarino contribui para essa composição porque o contato entre água, magma e rochas quentes favorece a liberação e a dissolução de componentes minerais posteriormente incorporados à mistura química dos oceanos.
Quanto sal existe na água do mar
Em termos técnicos, a salinidade média corresponde a 35 partes por mil, medida equivalente a aproximadamente 35 gramas de sais dissolvidos em cada quilograma de água marinha, e não necessariamente em cada litro exato.
Ainda que a relação por litro apareça com frequência em explicações voltadas ao público geral, a ciência costuma trabalhar com a massa, porque um litro de água do mar pesa ligeiramente mais do que um quilograma.
Na composição química oceânica, predominam os íons cloreto e sódio, associados ao cloreto de sódio utilizado na alimentação, enquanto magnésio, sulfato e outras substâncias aparecem em proporções menores entre os componentes dissolvidos.
Dependendo da região, a quantidade de sais varia conforme o equilíbrio entre evaporação, precipitação, temperatura e entrada de água doce, fatores capazes de aumentar ou reduzir a concentração em diferentes áreas costeiras e latitudes.
Já nas regiões com muita evaporação e pouca chuva, a salinidade tende a ser maior, enquanto áreas próximas a grandes rios, zonas de precipitação intensa ou locais influenciados pelo derretimento de gelo costumam registrar valores menores.
Por que a salinidade dos oceanos permanece equilibrada
Mesmo com a chegada contínua de minerais carregados pelos rios e liberados no fundo do mar, a salinidade oceânica não aumenta indefinidamente, porque diferentes processos naturais retiram da água quantidades comparáveis desses componentes.
Entre os mecanismos de remoção, parte dos sais participa da formação de estruturas produzidas por organismos marinhos, enquanto outra parcela acaba incorporada aos sedimentos acumulados lentamente nas regiões mais profundas dos oceanos.
Além disso, certos íons reagem com as rochas da crosta oceânica, ajudando a estabelecer um equilíbrio aproximado entre entrada e saída de minerais e impedindo que a concentração de sais cresça continuamente ao longo do tempo.
Reunindo atmosfera, continentes, rios, organismos, crosta oceânica e atividade vulcânica em um processo iniciado há bilhões de anos, o sabor salgado percebido durante um mergulho não revela como uma única gota do mar guarda uma história tão extensa?
