De graça e na escola pública, a EJA deu o diploma do ensino fundamental a quem não pôde estudar na idade certa; em uma única cerimônia no interior de São Paulo, os 36 formandos da EJA já podem seguir para o ensino médio
Numa sala de aula de Araraquara, no interior de São Paulo, gente de todas as idades dividiu a mesma carteira e a mesma formatura. A Educação de Jovens e Adultos, a EJA, diplomou 36 alunos de uma vez, todos com o certificado do ensino fundamental que agora abre a porta para o ensino médio, segundo o Diário do Centro do Mundo, em reportagem de 10 de julho de 2026.
Entre os formandos, uma história virou o símbolo da turma. Dona Lourdes Batigalhia, de 83 anos, concluiu a EJA em 8 de julho e, com o diploma do ensino fundamental na mão, já planeja seguir os estudos e cursar uma faculdade, registra o Diário do Centro do Mundo.
O que é a EJA e por que ela existe
Antes da história de dona Lourdes, vale entender a política pública que a tornou possível. A EJA, Educação de Jovens e Adultos, é a modalidade da escola pública brasileira feita para quem não conseguiu estudar na idade regular, e é gratuita.
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O caso de Araraquara mostra o alcance dela, em leitura desta redação, devidamente sinalizada. A EJA não é aula particular nem curso pago: é o mesmo sistema público que atende crianças, adaptado para o adulto e o idoso que trabalham de dia ou que ficaram anos longe da sala de aula. Na turma que se formou, adolescentes que se atrasaram na escola dividiram o diploma do ensino fundamental com uma senhora de 83 anos, e todos saíram com o mesmo certificado válido para avançar. É esse o poder de uma política que existe justamente para não deixar ninguém de fora por causa da idade.
Vale explicar como a EJA se organiza, ainda em leitura sinalizada. Ela é dividida em duas grandes etapas: uma que corresponde ao ensino fundamental, dos primeiros anos de leitura e conta até o 9º ano, e outra equivalente ao ensino médio. Quem conclui o ensino fundamental pela EJA, como a turma de Araraquara, recebe um diploma com o mesmo valor de quem terminou na idade regular e pode se matricular no ensino médio no ano seguinte. As aulas costumam ser à noite ou em horários flexíveis, justamente para caber na vida de quem trabalha, e a matrícula é feita nas escolas da rede pública ou nas secretarias de educação do município. Nada disso custa um centavo ao aluno.
A virada de dona Lourdes: dos afazeres de casa à sala de aula
A trajetória que emocionou Araraquara tem raiz numa geração inteira de mulheres que não pôde estudar. Dona Lourdes decidiu voltar à sala de aula após a morte do marido e conta que, quando era jovem, as oportunidades eram outras, detalha o Diário do Centro do Mundo.
As palavras dela resumem uma época. “As meninas aprendiam a costurar, cozinhar, lavar e cuidar do marido. Quando ele faleceu e eu fiquei sozinha, falei: agora eu vou partir para o estudo”, afirmou, conforme o Diário do Centro do Mundo. Em observação desta redação, devidamente sinalizada: essa frase carrega a história de milhões de brasileiras da geração dela, que trocaram a escola pelo casamento porque era o que se esperava. A EJA é, para muitas, a segunda chance que a juventude não ofereceu, e dona Lourdes a agarrou.
O que o diploma mudou: “sei ler, sei escrever, sei pronunciar”
O ganho concreto aparece na fala mais simples e mais forte da reportagem. “Mudou muito, muito mesmo. Eu aprendi mais, sei ler, sei escrever, sei pronunciar. Para mim foi uma maravilha”, afirmou dona Lourdes, segundo o Diário do Centro do Mundo.

A família acompanhou de perto a mudança. A filha Eliane Zinato contou que a mãe ficou muito abalada após a morte do marido, mas encontrou nos estudos uma forma de recomeçar: “Ela quis voltar a estudar e apoiamos, é uma felicidade sem fim”, registra o Diário do Centro do Mundo. Em leitura sinalizada desta redação: ler, escrever e “saber pronunciar” são coisas que quem estudou na idade certa nem percebe que tem. Para quem passou a vida sem, cada uma dessas conquistas é uma porta que se abre, do rótulo do remédio ao nome da rua, da placa do ônibus ao bilhete do neto.
O sonho da faculdade e o recado da EJA para quem acha que é tarde
A história não termina no diploma do ensino fundamental, e é aí que ela ganha o melhor gancho. Dona Lourdes afirmou que realizou um sonho antigo, mas pretende continuar: “Meu sonho foi realizado, só que eu vou partir para a frente. Vou fazer uma faculdade ainda, se Deus quiser”, segundo o Diário do Centro do Mundo.
Por que essa história importa para o leitor, em leitura desta redação, devidamente sinalizada? Porque ela é, na prática, um anúncio de utilidade pública sobre um direito que muita gente não sabe que tem. A EJA existe em praticamente todo município brasileiro, é gratuita e aceita matrícula de qualquer adulto que não concluiu os estudos, do ensino fundamental ao médio. Se uma senhora de 83 anos concluiu o ensino fundamental e já fala em faculdade, o recado para quem tem 30, 40 ou 60 e parou na metade é direto: a porta da escola pública continua aberta, e a idade não é a tranca que muita gente imagina.
E o efeito de terminar o ensino fundamental vai além do papel, ainda em observação sinalizada. O diploma é o que destrava o próximo degrau: sem o ensino fundamental concluído não dá para cursar o médio, e sem o médio não se chega à faculdade que dona Lourdes sonha. Cada etapa é a chave da seguinte, e é por isso que uma cerimônia da EJA num município do interior vale muito mais do que 36 certificados: vale 36 caminhos que voltaram a ser possíveis. Conta pra gente nos comentários: você conhece alguém que voltou a estudar depois de adulto, ou que ainda sonha em terminar os estudos?
Assista: como funciona a Educação de Jovens e Adultos
Para quem quer entender o caminho que dona Lourdes percorreu, vale conhecer a modalidade. A Prefeitura de Florianópolis publicou um vídeo explicando a Educação de Jovens e Adultos, a mesma modalidade de ensino público que formou a turma de Araraquara, no mesmo tema da EJA tratado pelo Diário do Centro do Mundo.

