A ponte ferroviária de aço, com 112 metros, foi construída ao lado do canal Digbeth e deslocada sobre a Lawley Middleway durante quatro noites. Equipes da HS2, Balfour Beatty VINCI e Mammoet combinaram transportadores modulares e sistema de deslizamento para reduzir impactos no trânsito e antecipar a conclusão da operação.
Uma ponte ferroviária de 1.631 toneladas foi girada 90 graus e deslocada sobre uma das avenidas do anel viário de Birmingham, no Reino Unido, durante uma operação realizada principalmente à noite. A estrutura avançou entre 18 e 24 metros por jornada até alcançar sua posição definitiva sobre a Lawley Middleway.
A conclusão foi anunciada pela High Speed Two, a HS2, em 21 de agosto de 2025, após o início da movimentação em 15 de agosto. Segundo a empresa pública responsável pela ferrovia de alta velocidade, a operação terminou quatro dias antes do cronograma e permitiu antecipar a reabertura completa da avenida.
Estrutura de aço pesa 1.631 toneladas e mede 112 metros
A ponte foi montada com 112 metros de comprimento e peso total de 1.631 toneladas. Ela integra o acesso ferroviário à futura estação Birmingham Curzon Street, um dos principais terminais previstos no projeto HS2.
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O tamanho da estrutura impedia uma movimentação convencional com guindastes comuns ou transporte por rodovia. A solução exigiu uma combinação de equipamentos capazes de sustentar, girar e empurrar o tabuleiro metálico com controle milimétrico.
A ponte ferroviária tornou-se a primeira estrutura de aço colocada no trecho de aproximadamente uma milha formado por cinco viadutos conectados na aproximação da estação. Esse conjunto receberá os trens vindos do túnel de Bromford.
Construção ocorreu ao lado da avenida durante dois anos

Em vez de montar a ponte diretamente sobre a Lawley Middleway, as equipes construíram o vão metálico em terra firme, próximo ao canal Digbeth. A fabricação e a preparação da estrutura ocuparam aproximadamente dois anos.
A estratégia evitou que a avenida permanecesse fechada durante todo o período de montagem. Construir ao lado da via transferiu a maior parte dos trabalhos para uma área separada do fluxo diário de veículos.
Somente depois da conclusão da estrutura a equipe iniciou a etapa de movimentação. Essa decisão reduziu o tempo necessário de bloqueio da avenida e concentrou a interferência no trânsito em períodos noturnos.
Dois transportadores giraram a ponte ferroviária em 90 graus
No dia 15 de agosto de 2025, especialistas da Mammoet elevaram a estrutura sobre dois transportadores modulares autopropelidos, conhecidos pela sigla SPMT.
Esses equipamentos são formados por plataformas com múltiplos eixos controlados individualmente. A capacidade de alterar direção e distribuir o peso permitiu girar a ponte ferroviária em 90 graus sem desmontar qualquer parte do tabuleiro.
Depois da rotação, a estrutura ficou alinhada com o caminho preparado sobre a Lawley Middleway. A manobra abriu espaço para o início do deslocamento horizontal realizado nas quatro noites seguintes.
Sistema de deslizamento empurrou 24 metros por noite
Após a rotação, a ponte passou a ser movimentada com um sistema de deslizamento associado aos transportadores modulares. O equipamento utilizava um mecanismo hidráulico de empurrar e puxar para deslocar gradualmente as 1.631 toneladas.
A previsão inicial divulgada em 8 de agosto indicava avanço de aproximadamente 12 metros por noite. Durante a execução, porém, a estrutura percorreu entre 18 e 24 metros em cada etapa noturna.
O ritmo superior ao planejado foi um dos fatores que permitiram concluir a operação quatro dias antes. Condições meteorológicas favoráveis também ajudaram as equipes a ganhar vantagem sobre o cronograma.
Avenida permaneceu aberta durante o dia

Os bloqueios foram programados para ocorrer à noite, período de menor circulação de veículos. Durante o dia, a Lawley Middleway permaneceu aberta, reduzindo os impactos sobre moradores, empresas e motoristas.
A operação envolveu o trecho entre Garrison Circus e Curzon Circus. Rotas de desvio foram sinalizadas durante os fechamentos, com planejamento para evitar a entrada obrigatória na zona de ar limpo de Birmingham.
Mover a ponte ferroviária em etapas noturnas permitiu conciliar uma obra de grande porte com o funcionamento cotidiano da cidade. Uma montagem convencional sobre a própria avenida poderia exigir interrupções mais longas.
Técnica combinada foi usada pela primeira vez no projeto
A associação entre os transportadores SPMT e o sistema de deslizamento com macacos hidráulicos não é comum em operações desse tipo. Segundo a HS2, a combinação foi usada pela primeira vez pela Balfour Beatty VINCI dentro do projeto ferroviário.
A Balfour Beatty VINCI, conhecida como BBV, atua como principal contratada das obras da HS2 nas Midlands. A Mammoet ficou responsável pela engenharia especializada de movimentação da ponte.
A operação exigiu planejamento detalhado para que diferentes sistemas trabalhassem simultaneamente. Os transportadores sustentavam e orientavam a estrutura, enquanto o mecanismo de deslizamento controlava seu avanço sobre a avenida.
Conclusão antecipada liberou a via quatro dias antes
O cronograma previa que as restrições continuassem até segunda-feira, 25 de agosto de 2025. Com o avanço acima do esperado, a HS2 informou que a avenida voltaria à operação normal às 6 horas de sexta-feira, 22 de agosto.
Greg Sugden, responsável pela execução das aproximações de Curzon Street na HS2, afirmou que o resultado encerrou aproximadamente dois anos de projeto, planejamento, construção e preparação para o lançamento.
Georgios Markakis, gerente de projeto da Balfour Beatty VINCI, atribuiu a antecipação ao planejamento e ao apoio especializado da cadeia de fornecedores. A redução do prazo beneficiou tanto a obra quanto os usuários da avenida.
Ponte integra sequência de cinco viadutos
A estrutura sobre a Lawley Middleway é apenas uma parte do corredor elevado que levará os trens à Birmingham Curzon Street. O trecho terá cinco viadutos conectados: Duddeston Junction, Curzon 1, Curzon 2, Lawley Middleway e Curzon 3.
Os trens de alta velocidade sairão do portal oeste do túnel de Bromford, em Washwood Heath, e seguirão por aproximadamente uma milha sobre esses viadutos até alcançar as plataformas da estação.
A ponte ferroviária funciona como um elo dentro de uma sequência estrutural maior. Seu posicionamento permite que as próximas fases avancem em direção à formação contínua do acesso ferroviário ao centro de Birmingham.
Obra faz parte da chegada da HS2 a Birmingham
A HS2 é uma ferrovia de alta velocidade em construção no Reino Unido. No trecho de Birmingham, os trabalhos envolvem túneis, pontes, viadutos e adaptações em áreas urbanas ocupadas por avenidas, canais e linhas ferroviárias existentes.
A aproximação de Curzon Street é considerada uma das partes mais complexas por atravessar esse ambiente urbano. Mais de 250 profissionais participavam dos trabalhos no setor, incluindo soldadores, armadores, carpinteiros e aprendizes de engenharia.
Nos 12 meses seguintes ao anúncio, estavam previstos novos marcos, como a movimentação do viaduto Curzon 2, o primeiro deslocamento em Duddeston Junction e o início da construção do viaduto Saltley.
Engenharia pesada pode reduzir impactos urbanos?
A movimentação da ponte ferroviária mostrou uma alternativa à construção integral sobre uma avenida movimentada. Ao fabricar a estrutura ao lado da via, girá-la com transportadores e empurrá-la durante a noite, as equipes reduziram os períodos de fechamento e anteciparam a entrega.
Você considera que construir grandes estruturas fora do local definitivo e depois transportá-las deveria ser mais comum em obras urbanas? Conte nos comentários se a redução dos bloqueios compensa a complexidade técnica de movimentar uma ponte de mais de 1.600 toneladas.
