A fragilização por hidrogênio atingiu determinados lotes de parafusos estruturais do Leadenhall Building, provocou três rupturas entre 2014 e 2015 e levou à substituição preventiva de peças vulneráveis sem comprometer a integridade geral da torre.
Pareciam resistentes o bastante para sustentar uma torre de 222 metros, mas três parafusos gigantes do Leadenhall Building quebraram entre 2014 e 2015. A investigação encontrou um problema invisível dentro do próprio aço.
Os parafusos sofreram fragilização por hidrogênio, fenômeno que reduz a capacidade do metal de suportar esforço sem romper. Uma parte de uma das peças chegou ao nível do solo, em uma área sem acesso público.
A informação foi publicada por Construction Management, revista especializada em engenharia e construção. O problema ficou limitado a determinados lotes de fixadores de alta resistência.
-
São Paulo projeta o maior túnel rodoviário do Brasil, com mais de 6 km na Serra do Mar, dentro de obra de R$ 8 bilhões que promete ampliar em 145% a capacidade para caminhões e ônibus entre o planalto, o litoral e o Porto de Santos
-
Papel das figurinhas da Copa pode levar 100 anos para se decompor na natureza, mas uma empresa brasileira encontrou uma solução para o papel liner
-
Pouca gente sabe, mas uma barragem nos EUA levou 5 milhões de barris de cimento, 4,44 milhões de jardas cúbicas de concreto e até uma fábrica de gelo capaz de produzir 2 milhões de libras por dia para não rachar durante a cura; conheça a engenharia por trás da Hoover Dam
-
Parecia apenas uma fachada futurista de metal, mas painéis curvos viraram refletores, aqueceram calçadas a cerca de 60 °C, atingiram apartamentos e precisaram receber acabamento fosco
Três parafusos gigantes quebraram pouco depois da conclusão da torre
O Leadenhall Building fica em Londres e ganhou o apelido de Cheesegrater por causa de seu formato inclinado. Pouco depois da conclusão da torre, grandes parafusos usados nas ligações da estrutura começaram a apresentar fraturas.
As rupturas ocorreram entre 2014 e 2015. Parte de uma das peças caiu até o nível do solo, mas atingiu uma área sem circulação pública. Ninguém ficou ferido.
A quebra de três parafusos exigiu uma investigação técnica, pois essas peças ajudam a manter diferentes partes da estrutura metálica unidas. O objetivo era descobrir se havia um defeito isolado ou um problema espalhado pela torre.
Átomos invisíveis conseguiram penetrar no aço
A fragilização por hidrogênio ocorre quando átomos muito pequenos entram na estrutura interna do aço. Essa entrada pode acontecer durante processos industriais usados na fabricação, limpeza ou tratamento das peças.
Uma vez dentro do metal, os átomos podem se deslocar para pontos submetidos a maior esforço. Nessas regiões, favorecem a formação e o avanço de fissuras minúsculas.
Essas fissuras crescem enquanto o parafuso permanece sob pressão. A peça pode parecer normal externamente e continuar trabalhando por algum tempo antes de se romper.
O aço perdeu a capacidade de se deformar antes de quebrar
Aço resistente não é o mesmo que aço impossível de quebrar. Uma das características mais importantes do material é sua capacidade de se deformar antes da ruptura, oferecendo sinais de que existe um problema.
O hidrogênio pode reduzir essa capacidade e deixar o material mais frágil por dentro. Em vez de se deformar gradualmente, o parafuso fica mais sujeito a uma quebra repentina.

Esse comportamento ajuda a explicar por que as rupturas ocorreram depois que as peças já estavam instaladas. A combinação entre hidrogênio preso no metal, alta resistência e esforço contínuo favoreceu as falhas tardias.
Investigação identificou lotes específicos de fixadores
A análise não encontrou um defeito geral em toda a estrutura do Leadenhall Building. A fragilização estava ligada a determinados lotes de parafusos de alta resistência, o que permitiu direcionar a resposta para as peças consideradas vulneráveis.
Construction Management, revista especializada em engenharia e construção, detalhou que o hidrogênio pode se mover pela estrutura interna do aço e se concentrar em áreas de maior esforço.
A presença de três parafusos quebrados não significava que a torre de 222 metros estivesse próxima do colapso. O problema atingiu componentes específicos e não comprometeu a integridade geral do edifício.
Fixadores vulneráveis foram retirados por precaução
O programa corretivo substituiu preventivamente os fixadores considerados vulneráveis. A ação não ficou restrita aos três parafusos quebrados, pois outras peças ligadas aos lotes afetados também precisavam de atenção.
A substituição preventiva reduziu a possibilidade de novas rupturas provocadas pelo mesmo fenômeno. Em uma construção desse porte, retirar componentes suspeitos antes que apresentem falhas é uma medida essencial de segurança.
O caso também mostrou a importância de registrar a origem de cada lote usado em grandes obras. Essa identificação permite localizar peças produzidas nas mesmas condições e concentrar inspeções onde existe maior possibilidade de defeito.
Uma falha microscópica exigiu uma resposta em grande escala
Os três rompimentos mostraram como um problema invisível pode atingir até peças fabricadas para suportar enormes esforços. Átomos de hidrogênio fragilizaram determinados parafusos, favoreceram fissuras internas e levaram à quebra das peças.
A investigação delimitou o problema e orientou a substituição preventiva dos fixadores vulneráveis. O episódio reforçou a importância do controle industrial, da identificação de lotes e do acompanhamento técnico em grandes estruturas.
Se um defeito invisível pode fragilizar até o aço de uma torre de 222 metros, quais controles deveriam ser obrigatórios antes da instalação dessas peças? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

