Em Tabasco, no México rural, uma impressora gigante da Icon imprimiu em 3D as primeiras casas do que a ONG New Story chama de primeiro bairro impresso do mundo. Serão 50 moradias de 46 m², erguidas camada por camada em cerca de 24 horas para famílias de baixa renda.
Imagine um bairro inteiro construído por uma máquina. No sul do México, isso deixou de ser ficção: uma impressora gigante começou a erguer, camada por camada, as casas do primeiro bairro impresso em 3D do mundo. Segundo os sites Dwell e Designboom, o projeto foi revelado em dezembro de 2019, em Tabasco, e já tinha as suas primeiras moradias prontas.
A iniciativa é da New Story, uma organização sem fins lucrativos dedicada à moradia, em parceria com a empresa de tecnologia Icon e a mexicana Échale. Juntas, elas usaram uma impressora 3D de cerca de 10 metros de comprimento para levantar casas populares em uma comunidade onde muitas famílias vivem com aproximadamente US$ 3 por dia.
Uma casa em 24 horas: como a impressora gigante trabalha

imagem: Photo by Joshua Perez
O coração do projeto é a máquina. A Vulcan II, desenvolvida por a construtech Icon, é uma impressora gigante de cerca de 10 metros de comprimento que ergue as paredes extrudando cimento camada por camada, através de um bico, até completar a estrutura básica da casa.
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A velocidade impressiona. São necessárias cerca de 24 horas de trabalho para concluir as paredes em alguns casos, de duas casas ao mesmo tempo. Depois que a impressora termina, entram os construtores humanos, responsáveis por instalar telhados, janelas e portas, dando o acabamento final a cada moradia.
US$ 20 por mês para quem vive com US$ 3 por dia

imagem: Photo by Joshua Perez
Mais impressionante que a tecnologia é o preço final para as famílias. As escolhidas para morar no bairro recebem um financiamento imobiliário sem juros e sem fins lucrativos, com parcelas de aproximadamente 400 pesos mexicanos cerca de US$ 20 por mês ao longo de sete anos.
O valor faz sentido diante da realidade local. Reportagens internacionais sobre o projeto destacaram que muitos moradores da região vivem com cerca de US$ 3 por dia, e a proposta é que cada família comprometa apenas uma fração da renda com a casa.
Ou seja, a impressora gigante não entrega só paredes: entrega a chance de trocar a moradia precária por um lar seguro.
Cinquenta casas de 46 m² com dois quartos

imagem: Photo by Joshua Perez
Quando estiver pronto, o bairro terá 50 casas térreas de 46 metros quadrados cada, todas em Tabasco, no sudeste do país.
As primeiras já saíram completas, com telhado, janelas e interiores acabados um passo importante em um projeto que quer testar formas mais baratas de oferecer moradia às comunidades mais pobres do mundo.
Por dentro, cada unidade tem dois quartos, uma sala de estar, uma cozinha e um banheiro, além de instalações de eletricidade e água e uma pequena varanda para refeições ao ar livre. A New Story esperava que as 48 casas restantes estivessem ocupadas por famílias já no ano seguinte, em 2020.
Feita para o interior: chuva, lama e energia instável

imagem: Photo by Joshua Perez
Construir com uma impressora gigante no meio do México rural não foi simples. A Vulcan II foi projetada justamente para funcionar sob as restrições comuns em áreas afastadas, onde o fornecimento de energia costuma ser imprevisível.
As dificuldades não pararam aí. Segundo o projeto, as chuvas locais frequentemente inundavam as vias de acesso ao canteiro de obras, atrapalhando a logística.
Mesmo assim, a máquina seguiu firme — afinal, trata-se, segundo os idealizadores, da primeira impressora do tipo pensada para combater a falta de moradia entre populações vulneráveis.
De 2014 a Tabasco: a trajetória da New Story
O bairro impresso não surgiu do nada. Fundada em 2014, a New Story já havia construído mais de 2.700 casas no Haiti, em El Salvador, na Bolívia e no México, respondendo a desastres com construção tradicional antes de apostar na nova tecnologia.
Foi essa busca por eficiência que levou a ONG a se unir à Icon em 2017, para desenvolver uma impressora robusta o bastante para operar em condições adversas.
Em 2018 veio o primeiro protótipo; depois, a parceria com a FuseProject, de Yves Béhar, e o plano ambicioso de erguer uma comunidade inteira na América Latina que ganhou forma justamente em Tabasco.
Mais que casas: um bairro planejado com a comunidade

imagem: Photo by Joshua Perez
O projeto vai além das paredes impressas. Em parceria com o governo local, o bairro faz parte de um plano comunitário mais amplo para toda a área municipal, que prevê áreas verdes, parques, equipamentos comunitários e serviços básicos para as famílias.
E há um detalhe que muda tudo: as próprias famílias foram convidadas a ajudar a desenhar o plano diretor da região. Em vez de apenas receber uma casa pronta, os futuros moradores participaram das decisões sobre o lugar onde vão viver o que dá ao projeto uma dimensão de dignidade que vai muito além do concreto impresso.
E você, moraria em uma casa impressa em 3D?
De uma impressora gigante que trabalha 24 horas a famílias que vão pagar US$ 20 por mês pela casa própria, o primeiro bairro impresso em 3D do mundo mostra como a tecnologia pode atacar um problema tão antigo quanto a falta de moradia.
Você moraria em uma casa impressa em 3D? Acha que soluções assim poderiam ajudar a reduzir o déficit habitacional aqui no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com quem sonha com a casa própria.

