Petrobras investe R$ 15 milhões em comunidades quilombolas com projetos de renda, cultura, energia limpa e desenvolvimento sustentável em quatro estados.
A Petrobras iniciou uma nova etapa de investimentos sociais voltados para comunidades tradicionais brasileiras. A partir de junho, a companhia passou a apoiar ações de desenvolvimento territorial sustentável em seis comunidades quilombolas localizadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pará e Amapá.
Realizado em parceria com o Instituto Terroá, o Projeto Quilombo Sustentável receberá investimento de R$ 15 milhões ao longo de quatro anos. A iniciativa deve beneficiar diretamente cerca de 300 pessoas de forma contínua, promovendo geração de renda, preservação ambiental, valorização cultural e fortalecimento da autonomia comunitária.
Segundo publicação da companhia no dia 1 de junho, além do impacto econômico, o programa busca fortalecer o protagonismo das próprias comunidades quilombolas, respeitando saberes ancestrais e incentivando modelos produtivos alinhados ao desenvolvimento sustentável.
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Petrobras aposta em iniciativas sustentáveis para fortalecer territórios tradicionais
O projeto foi estruturado a partir das características e necessidades específicas de cada localidade. Segundo a Petrobras, a proposta é garantir que todas as ações sejam construídas em conjunto com os moradores, aumentando a efetividade dos resultados e o envolvimento comunitário.
José Maria Rangel, gerente executivo de Responsabilidade Socioambiental da companhia, destacou que a metodologia prioriza a participação dos quilombolas desde o diagnóstico inicial até a execução das atividades.
Entre as principais frentes de atuação estão:
- Regularização fundiária;
- Preservação ambiental;
- Geração de renda;
- Turismo de base comunitária;
- Capacitação profissional;
- Valorização da cultura quilombola;
- Fortalecimento das organizações locais.
Essas iniciativas sustentáveis também estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Desenvolvimento sustentável ganha força com atividades produtivas de base comunitária
Um dos principais diferenciais do projeto é a valorização de atividades já presentes nas comunidades. Em vez de introduzir modelos externos, a proposta busca ampliar práticas tradicionais que fazem parte da identidade local.
Ao longo dos próximos quatro anos, serão apoiadas ações como roças comunitárias, quintais produtivos, produção de pescado, viveiros de mudas, cozinhas comunitárias e beneficiamento de produtos regionais.
O objetivo é criar fontes de renda permanentes, reduzir vulnerabilidades econômicas e fortalecer o desenvolvimento sustentável sem comprometer os recursos naturais que sustentam essas populações.
Além disso, o programa incentiva formas de produção mais responsáveis, ampliando oportunidades para as futuras gerações.
Comunidades quilombolas de São Paulo recebem investimentos em educação e turismo
Em São Paulo, o projeto atenderá os quilombos Sertão de Itamambuca e Caçandoca, ambos localizados em Ubatuba, no litoral norte paulista.
Uma das ações previstas é a criação da Quilomboteca da Caçandoca, uma biblioteca especializada em cultura e história quilombola. O espaço deverá funcionar como centro de referência para estudantes, pesquisadores e escolas da região.
Outra frente importante envolve o fortalecimento das atividades agrícolas locais. As roças comunitárias e os quintais produtivos passarão por processos de mapeamento e aprimoramento com técnicas agroecológicas.
As crianças e adolescentes também serão contemplados com cursos de surf que unem esporte, educação ambiental e convivência comunitária.
No Sertão de Itamambuca, o sistema de aquicultura será ampliado para fortalecer a produção de pescado destinada ao consumo local e à geração de renda.
Iniciativas sustentáveis ampliam oportunidades econômicas no litoral paulista
A região também receberá investimentos voltados para o turismo de base comunitária, considerado uma importante alternativa econômica para as famílias locais.
Entre as melhorias previstas estão:
- Construção de torres para observação de aves;
- Capacitação de monitores ambientais;
- Formação em primeiros socorros;
- Cursos sobre afroturismo;
- Treinamentos em observação da fauna regional.
A expectativa é que essas ações ampliem o fluxo de visitantes e fortaleçam a economia local sem comprometer a preservação ambiental.
Petrobras impulsiona produção de pescado e fortalecimento cultural no Rio de Janeiro
No Quilombo do Camorim, na cidade do Rio de Janeiro, será implantado um sistema integrado de aquacultura natural.
O modelo permitirá que a produção de pescado seja destinada tanto ao consumo interno quanto à comercialização em mercados locais. Um dos diferenciais está no reaproveitamento da água dos tanques para irrigação de hortas comunitárias, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência produtiva.
Os moradores também receberão capacitação prática para gestão, implementação e comercialização da atividade.
Outra medida prevista é a construção de uma sede comunitária que servirá como espaço para reuniões, eventos culturais e atividades de fortalecimento da identidade quilombola.
Cadeia produtiva do açaí abre novas perspectivas para comunidades quilombolas do Pará
No município de Abaetetuba, no Pará, as comunidades de Laranjituba e África serão beneficiadas por investimentos voltados à modernização da produção de açaí.
Atualmente, grande parte da produção é comercializada in natura ou processada de forma artesanal. Com a implantação de novos equipamentos e infraestrutura adequada, os produtores poderão ampliar a qualidade dos produtos e acessar mercados mais exigentes.
A proposta é agregar valor à cadeia produtiva e aumentar a renda das famílias envolvidas.
O projeto também prevê a construção de uma sede comunitária equipada com miniauditório para receber eventos do movimento quilombola, universidades e iniciativas de empreendedorismo local.
Além disso, será criado um viveiro de mudas acompanhado por cursos de gestão e boas práticas produtivas.
Desenvolvimento sustentável e energia solar chegam ao Amapá
No Kulumbu do Patuazinho, localizado em Oiapoque, no Amapá, o foco será o fortalecimento da economia comunitária por meio da valorização dos conhecimentos tradicionais.
Uma das ações mais importantes será a criação da marca coletiva “Kulumbu do Patuazinho”, destinada à comercialização de ervas medicinais, remédios tradicionais e artesanatos produzidos pela comunidade.
Para apoiar essa estratégia, será construída uma sede comunitária voltada para produção, armazenamento e comercialização dos produtos.
Os moradores também receberão formação técnica para melhorar processos produtivos e ampliar os canais de venda.
Outro destaque envolve a realização de estudos para identificar soluções de energia solar capazes de modernizar a infraestrutura local e melhorar sistemas de abastecimento de água.
Petrobras reforça compromisso com inclusão social e preservação cultural
O Projeto Quilombo Sustentável demonstra como investimentos direcionados podem gerar impactos positivos em diferentes áreas ao mesmo tempo.
Ao combinar geração de renda, preservação ambiental, capacitação profissional e valorização cultural, a Petrobras contribui para fortalecer comunidades historicamente vulneráveis e ampliar suas oportunidades de desenvolvimento.
Com investimento de R$ 15 milhões, duração prevista de quatro anos e atendimento direto a aproximadamente 300 pessoas, a iniciativa representa um importante exemplo de como ações estruturadas podem impulsionar o desenvolvimento sustentável, preservar tradições culturais e criar novas perspectivas econômicas para comunidades quilombolas em diferentes regiões do Brasil.

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