A parceria entre Nikon SLM Solutions e Bosch leva a impressão 3D de metal a um novo patamar e abre caminho para peças automotivas mais leves, complexas e com menos tempo gasto em desenvolvimento.
A Nikon SLM Solutions e a Bosch Industry Consulting colocaram na mesa uma demonstração que pode mudar a forma como a indústria automotiva olha para a impressão 3D em metal: as empresas produziram um bloco de motor V8 completo, em alumínio, como uma única peça. O componente saiu de um sistema multi-laser NXG XII 600, instalado no Bosch Additive Solution Center, em Nuremberg, na Alemanha.
O feito vai além do impacto visual. Ele mostra que a manufatura aditiva já não está restrita a protótipos ou peças de teste. No caso do bloco V8, a tecnologia entrou numa faixa de aplicação de alto valor, onde pode competir com processos tradicionais e até atuar ao lado deles em partes críticas do setor automotivo.
O ponto que mais pesa para a indústria é o tempo. Na fundição convencional, a produção de um bloco de cilindros exige ferramental, validação e semanas ou meses antes da primeira peça chegar à linha. Cada alteração de projeto ainda exige mexer nesse ferramental, com novo custo e nova demora. Ao imprimir a peça diretamente do arquivo digital, Bosch e Nikon SLM eliminaram essa etapa e reduziram a dependência desse ciclo longo de preparação.
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Uma peça única que seria muito mais difícil pela rota tradicional

Segundo voxelmatters.com, o bloco foi feito em liga de alumínio AlSi10Mg e abriu espaço para geometrias que seriam difíceis ou caras demais para a fundição. Entre elas estão canais internos de refrigeração, estruturas com redução de peso e a junção de partes que, em um motor convencional, apareceriam separadas.
Essa liberdade de desenho é justamente uma das apostas mais fortes da manufatura aditiva. Em vez de adaptar o projeto ao molde, o projeto passa a ditar a forma da peça. Isso amplia o campo para soluções mais leves e mais complexas, algo especialmente valioso em motores de alta performance.
Menos material onde não faz falta, mais eficiência onde importa
As empresas disseram ter seguido princípios de DfAM, a lógica de projetar pensando já na fabricação aditiva. Na prática, o material foi concentrado onde a análise estrutural indicava necessidade e retirado em áreas menos críticas. O resultado, de acordo com o material divulgado, foi um bloco consideravelmente mais leve que um equivalente fundido, sem perda de desempenho.
Esse tipo de ganho interessa diretamente a aplicações em motorsport e em powertrains de alta performance, onde cada redução de peso pode influenciar resposta, eficiência e integração da peça ao conjunto. A grande diferença é que, com a impressão 3D, essa mudança não depende de moldes complexos nem de um redesenho caro do processo inteiro.
Bosch traz escala industrial, Nikon SLM traz a plataforma de produção
A parceria também foi apresentada como uma resposta a um desafio que ainda trava a expansão da manufatura aditiva: sair do laboratório e chegar à produção real. A Bosch entrou com décadas de experiência industrial, enquanto a Nikon SLM Solutions forneceu a plataforma de produção, além de qualificação de materiais, desenvolvimento de parâmetros de processo, preparação de dados, software de garantia de qualidade e engenharia de aplicação.
Para as empresas, essa combinação é decisiva quando o assunto é volume e confiabilidade. Não basta imprimir uma peça complexa; é preciso garantir repetibilidade, controle e viabilidade para uma cadeia que exige padrão automotivo.
O peso da cadeia de fornecedores na corrida pela impressão 3D
Outro dado citado pelas companhias ajuda a dimensionar a aposta: elas estimam que 60% a 80% dos componentes de um veículo acabado vêm de fornecedores de primeiro e segundo nível, e não diretamente das montadoras. Por isso, a expansão da manufatura aditiva não depende só dos centros de desenvolvimento das fabricantes de carros.
Na visão defendida no projeto, a tecnologia só vai ganhar escala de verdade se avançar também sobre essa base de fornecedores. É ali que estão boa parte das peças, dos prazos e das decisões que movem a indústria automotiva. O bloco V8 impresso em uma única peça não resolve tudo, mas deixa claro que a disputa por eficiência, rapidez e liberdade de projeto já começou a mudar de lugar.
Se esse tipo de produção começar a avançar além das demonstrações, a cadeia automotiva pode ver meses de ferramental virarem um processo mais curto e muito mais flexível. E você, acha que a impressão 3D de metal já está pronta para sair do teste e ganhar as linhas industriais? Comente e compartilhe a sua opinião.
