Pesquisa publicada em 2026 mostra que o calor do Oceano Austral se aproximou da Antártida, colocando plataformas de gelo em alerta.
Em 28 de abril de 2026, um estudo liderado pela Universidade de Cambridge revelou um sinal preocupante no Oceano Austral: a água quente do oceano profundo está se aproximando da Antártida.
A descoberta indica que a chamada água profunda circumpolar avançou em direção à plataforma continental antártica nas últimas duas décadas.
Esse movimento pode ampliar o derretimento das geleiras por baixo, justamente onde o gelo encontra o oceano.
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A pesquisa foi publicada na revista Communications Earth & Environment e também contou com cientistas da Universidade da Califórnia, da Scripps Institution of Oceanography e da UCLA.
Água quente do oceano profundo se aproximou da Antártida nas últimas duas décadas
O estudo analisou dados oceânicos acumulados ao longo de décadas. Com isso, os pesquisadores identificaram que o calor profundo não permaneceu estável.
Pelo contrário, ele se deslocou em direção ao sul, aproximando-se das bordas congeladas da Antártida.
Esse avanço chamou atenção porque a água profunda circumpolar é mais quente que as massas de água próximas ao continente.
Assim, quando essa água alcança as plataformas de gelo, ela pode acelerar o derretimento pela base.
Por que a água profunda circumpolar preocupa os cientistas
A água profunda circumpolar circula no entorno da Antártida e carrega calor em camadas mais profundas do oceano.
Entretanto, quando essa massa de água se aproxima da plataforma continental, o risco aumenta.
Isso acontece porque as plataformas de gelo antárticas funcionam como barreiras naturais.
Elas seguram geleiras e mantos de gelo localizados no interior do continente.
Logo, se essas estruturas forem enfraquecidas, o gelo terrestre pode escorrer com mais facilidade para o mar.
Geleiras da Antártida ajudam a controlar o nível global do mar
O alerta do estudo está ligado ao papel da Antártida no equilíbrio do planeta.
As geleiras e mantos de gelo do continente armazenam um volume gigantesco de água congelada.
Segundo os pesquisadores, se todo esse gelo fosse perdido, haveria água suficiente para elevar o nível global do mar em cerca de 58 metros.
Esse número não significa que isso ocorrerá de uma vez.
Ainda assim, ele mostra a importância das plataformas de gelo para a estabilidade climática e oceânica.
Como os cientistas descobriram o avanço do calor profundo
Durante muitos anos, o Oceano Austral foi difícil de monitorar. Afinal, a região é remota, fria e marcada por condições extremas.
Por isso, os pesquisadores combinaram diferentes fontes de dados.
Foram usados registros de navios científicos, medições oceânicas e informações de boias autônomas do programa Argo.
A equipe aplicou técnicas de aprendizado de máquina para reconstruir registros mensais desde 2004.
Dessa forma, foi possível observar com mais precisão o avanço da água quente em direção à Antártida.
Oceano Austral tem papel central no clima da Terra
O Oceano Austral não influencia apenas a Antártida.
Na verdade, ele ajuda a regular o armazenamento de calor, carbono e nutrientes em escala global.
Os oceanos absorvem mais de 90% do excesso de calor associado ao aquecimento global.
Por isso, mudanças na distribuição desse calor podem ter efeitos amplos no sistema climático.
Estudo confirma tendência antes prevista por modelos climáticos
Antes dessa pesquisa, modelos climáticos já indicavam que o calor profundo poderia se deslocar em direção à Antártida.
Agora, porém, os cientistas observaram esse padrão diretamente nos dados.
Segundo Joshua Lanham, autor principal do estudo, a descoberta mostra que a mudança já está acontecendo.
O fenômeno não é apenas uma hipótese futura.
Ele já aparece nas medições do Oceano Austral.
Avanço da água quente reforça alerta sobre o futuro das geleiras
A descoberta não afirma que todas as geleiras antárticas entrarão em colapso imediato.
No entanto, ela reforça um alerta importante.
A aproximação da água quente pode aumentar a vulnerabilidade das plataformas de gelo.
O derretimento pela base pode ganhar força em áreas sensíveis do continente.
Assim, a Antártida volta ao centro das discussões sobre mudanças climáticas, oceanos e nível do mar.
O estudo mostra que o calor armazenado nas profundezas do oceano já está se movendo.
E, agora, esse movimento ocorre cada vez mais perto de uma das regiões mais importantes para o equilíbrio climático da Terra.
