Projeto em Salvador chama atenção ao reaproveitar baterias de laptop, motor de empilhadeira e peças descartadas para transformar um Gurgel Supermini antigo em elétrico, mantendo câmbio manual, uso urbano e desempenho curioso em um compacto brasileiro fora do padrão convencional.
Um Gurgel Supermini antigo ganhou uma segunda vida nas ruas de Salvador ao ser convertido em carro elétrico com baterias reaproveitadas de laptop, motor de empilhadeira e componentes que seriam descartados, em uma adaptação fora do padrão convencional.
À frente do projeto, o funcionário público Alfredo Correia adaptou dois exemplares do compacto brasileiro e colocou um deles para rodar em uso urbano, preservando a proposta simples do carro enquanto substituía o conjunto original por uma solução elétrica artesanal.
O contraste entre o veículo escolhido e a tecnologia aplicada é o ponto que torna a transformação especialmente curiosa, já que o Supermini nasceu como um carro pequeno, leve e urbano, associado à fase final da trajetória da Gurgel no Brasil.
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Na conversão feita em Salvador, a carroceria compacta e o baixo peso ajudaram a tornar viável uma adaptação incomum, construída com peças reaproveitadas e distante do padrão industrial encontrado nos carros elétricos modernos.
Gurgel Supermini elétrico usou baterias de laptop e motor de empilhadeira
Segundo reportagem do UOL, Correia utilizou baterias de laptop, motor de empilhadeira e outros componentes que seriam descartados para converter dois Gurgel Supermini 1994, sendo um prata e outro branco.
Parte do material elétrico veio de parcerias e do reaproveitamento de lixo eletrônico, incluindo baterias que deixariam de ser usadas em computadores portáteis, mas ainda podiam ser reorganizadas em um novo conjunto para alimentar o veículo.
Em vez de partir de um carro de alto valor ou de um clássico de luxo, a adaptação teve como base um compacto nacional de uso urbano, com dimensões reduzidas, mecânica simples e aparência de veículo antigo.
Esse perfil tornou a conversão ainda mais curiosa, pois aproximou dois universos que raramente aparecem juntos: um carro brasileiro produzido em pequena escala e uma solução elétrica montada a partir de equipamentos descartados.

Entre as peças centrais da mudança, o motor de empilhadeira assumiu papel decisivo no funcionamento do conjunto elétrico, substituindo a lógica de um motor automotivo novo por uma solução industrial reaproveitada.
Ao aproveitar um equipamento usado em outra aplicação, Correia adaptou a lógica do projeto para o que havia disponível, reforçando o caráter artesanal da conversão e a necessidade de combinar componentes de origens diferentes.
Baterias reaproveitadas de laptop viraram pacote para mover o carro
Outro ponto de destaque veio das baterias reaproveitadas de laptop, que foram reunidas em centenas de células para criar um pacote capaz de movimentar o carro em uso urbano.
Essa solução exige organização elétrica e controle cuidadoso para funcionar, mas, no caso relatado, a proposta era justamente aproveitar material descartado e demonstrar que parte do lixo eletrônico poderia ganhar outra aplicação em um veículo pequeno.
Nas ruas de Salvador, cidade conhecida por vias inclinadas e trechos urbanos que exigem força em baixa velocidade, o Gurgel convertido conseguiu circular mantendo características incomuns para um elétrico artesanal.
Além do motor reaproveitado e das baterias de laptop, o compacto preservou câmbio manual e tração traseira, dois elementos que aumentam a estranheza para quem associa carros elétricos a transmissões automáticas e sistemas projetados de fábrica.
No uso relatado, o Supermini convertido alcançava autonomia de até 100 km e podia chegar perto de 90 km/h quando embalado, números informados na reportagem do UOL.
Esses dados ganham relevância porque não se tratava de um modelo desenvolvido por uma montadora, mas de uma adaptação feita com equipamentos reaproveitados, em um carro antigo e de proposta essencialmente urbana.
Dentro desse contexto, a velocidade e a autonomia citadas colocam o projeto em um uso cotidiano limitado, especialmente para deslocamentos curtos, sem transformar o Supermini em um equivalente direto dos elétricos modernos.
Câmbio manual e tração traseira mantiveram parte da experiência original

A permanência do câmbio manual ajuda a explicar parte do interesse em torno do carro, porque o Gurgel adaptado preservou uma característica normalmente ausente em veículos elétricos desenvolvidos de fábrica.
Nos elétricos modernos, o motor entrega torque de forma direta e dispensa trocas convencionais; já no Supermini convertido, a condução mistura silêncio de propulsão elétrica com uma operação ainda ligada ao universo dos carros antigos.
Há também um peso simbólico na escolha do modelo, já que a Gurgel foi uma marca nacional associada a soluções próprias, carros pequenos, carrocerias de fibra e projetos voltados a necessidades locais.
Ver um exemplar da fabricante transformado em elétrico com peças de descarte cria uma camada extra de curiosidade, porque a conversão parece prolongar, por outro caminho, a tradição de improviso técnico e experimentação ligada à marca.
Diferente de conversões elétricas comerciais, que costumam envolver kits importados, baterias novas e oficinas especializadas, o projeto de Correia ganhou atenção justamente pelo reaproveitamento e pela adaptação de peças já existentes.
Essa abordagem não reduz a complexidade técnica, mas muda a narrativa da transformação: o carro não chama atenção por luxo ou desempenho extremo, e sim por fazer um compacto antigo rodar com uma solução elétrica construída fora do padrão.
Lixo eletrônico ajudou a dar nova função ao compacto brasileiro
A ideia de usar baterias de laptop surgiu depois que o funcionário público conheceu experiências semelhantes na internet, conforme relatado na reportagem, e passou a buscar formas de aplicar o conceito em seus próprios carros.
A partir daí, fornecedores locais ligados à reciclagem de materiais tecnológicos e empresas de manutenção de computadores ajudaram no acesso às células usadas, criando uma rede de reaproveitamento em torno da conversão.
Mesmo com desempenho modesto quando comparado aos elétricos atuais, o Supermini adaptado entrega um tipo de curiosidade que conversa diretamente com o leitor brasileiro interessado em carros antigos, tecnologia acessível e soluções improváveis.
A combinação reúne um carro nacional pouco comum, uma conversão feita em Salvador, baterias de notebook, motor de empilhadeira e uso real em ruas com ladeiras, transformando a história em algo maior do que uma simples troca de motor.
Por fora, o Gurgel mantém a aparência de um compacto antigo, com proporções pequenas e desenho de outra época; por dentro, o funcionamento depende de células reaproveitadas, motor elétrico e soluções feitas para encaixar peças incompatíveis na origem.
Essa diferença entre aparência e funcionamento é justamente o ponto que mais desperta curiosidade, pois o carro segue com identidade visual antiga, mas passa a se mover com energia elétrica vinda de componentes descartados.
A conversão também mostra como carros antigos podem ganhar novos usos quando há conhecimento técnico, acesso a peças e disposição para experimentar, sem que isso transforme o veículo em um elétrico moderno de fábrica.
No caso do Supermini, a adaptação mostrou que um urbano brasileiro poderia continuar rodando com outro tipo de propulsão, usando materiais que normalmente seriam descartados e mantendo parte da experiência mecânica original.
O fascínio da história está no fato de o carro não parecer futurista, já que ele continua sendo um Gurgel Supermini com identidade nacional, mas passou a circular com energia elétrica vinda de baterias reaproveitadas.
A imagem de um compacto brasileiro subindo ladeiras em Salvador sem depender do motor original ajuda a explicar por que esse tipo de projeto prende a atenção de quem gosta de carros, tecnologia e soluções improváveis.
Um carro elétrico feito com baterias de laptop e motor de empilhadeira parece uma experiência de garagem ou uma alternativa real para dar nova vida a modelos antigos?
