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Pequena vila no Brasil foi eleita uma das mais bonitas do mundo, recebeu 1,5 milhão de turistas em 2024, proíbe carros, escondeu a rede elétrica sob a areia e protege 8.850 hectares de paisagens naturais

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 11/07/2026 às 19:12 Atualizado em 11/07/2026 às 19:16
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Entre dunas, ruas cobertas de areia e regras ambientais incomuns, Jericoacoara combina turismo em larga escala com medidas adotadas para preservar uma das paisagens mais conhecidas do Ceará, incluindo restrições a veículos, cobrança específica de visitantes e infraestrutura planejada para reduzir impactos visuais.

No litoral oeste do Ceará, Jericoacoara reúne ruas de areia, circulação restrita de veículos e paisagens protegidas por um parque nacional, enquanto o destino mantém características que o diferenciam de áreas costeiras marcadas pela urbanização e pelo tráfego convencional.

Durante 2024, o Parque Nacional de Jericoacoara contabilizou mais de 1,2 milhão de visitas e apareceu entre as unidades de conservação mais procuradas do Brasil, conforme levantamento divulgado pelo município com dados atribuídos ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Esse número oficial corresponde aos acessos registrados no parque nacional, e não a 1,5 milhão de turistas hospedados ou recebidos exclusivamente pela vila, distinção necessária para compreender corretamente a dimensão do fluxo turístico observado na região ao longo daquele ano.

Situada no município de Jijoca de Jericoacoara, a vila alcançou projeção internacional depois de ser citada pelo jornal norte-americano The Washington Post por sua beleza natural, reconhecimento que ampliou a visibilidade de um destino historicamente isolado entre dunas.

Antes da expansão do turismo, Jericoacoara conservava características de uma comunidade pesqueira com acesso difícil e infraestrutura limitada; ainda assim, as mudanças ocorridas nas últimas décadas não eliminaram um de seus principais traços, pois as vias continuam cobertas de areia e sem pavimentação convencional.

Restrição de carros preserva as ruas de areia

Dentro da Vila de Jericoacoara, a circulação de automóveis particulares permanece restrita, de modo que os visitantes precisam deixar os veículos em estacionamento autorizado na entrada e utilizar os meios de transporte permitidos para chegar às pousadas, aos restaurantes e às residências.

De acordo com a Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara, a medida busca preservar o ambiente e organizar a mobilidade local, embora a regra não impeça completamente a circulação de transportes autorizados e de veículos necessários ao funcionamento cotidiano dos serviços da vila.

Já no interior do parque, normas específicas ampliam a proteção ambiental, pois o ICMBio proíbe o tráfego de veículos automotores sobre dunas fixas ou móveis e permite atividades como caminhadas, passeios de canoa, ciclismo e roteiros conduzidos por operadores autorizados.

Rede elétrica subterrânea reduziu o impacto visual

Em 1998, a energia elétrica passou a chegar de forma permanente à vila por meio de uma rede subterrânea que substituiu os geradores, responsáveis até então pela iluminação de apenas alguns pontos da antiga comunidade pesqueira.

Com a instalação abaixo do solo, postes e fios aparentes deixaram de ocupar a paisagem das ruas arenosas, solução que ampliou o fornecimento de energia sem criar uma rede aérea visível em uma região conhecida justamente pelo aspecto natural e pela baixa interferência urbana.

Até essa transformação, a infraestrutura disponível acompanhava o isolamento geográfico de Jericoacoara; posteriormente, o modelo subterrâneo tornou-se uma das características mais conhecidas da vila e passou a simbolizar a tentativa de conciliar modernização, serviços públicos e preservação paisagística.

Parque Nacional de Jericoacoara protege 8.850 hectares

Criado em 2002, o Parque Nacional de Jericoacoara ocupa 8.850 hectares e inclui uma faixa marítima de um quilômetro de largura paralela ao litoral, formando uma área protegida que envolve a vila e reúne diferentes ambientes costeiros.

Ao longo desse território, campos de dunas, praias, manguezais e lagoas temporárias formadas no período chuvoso compõem a paisagem, enquanto a unidade de conservação protege ecossistemas, favorece pesquisas científicas e permite atividades relacionadas à educação ambiental e ao turismo ecológico.

Entre os pontos mais conhecidos está a Pedra Furada, arco rochoso que pode ser alcançado por caminhada conforme as condições da maré e as orientações locais, enquanto o Serrote abriga o ponto mais elevado do parque e a área onde funciona o farol.

Também procurada pelos visitantes, a Duna do Pôr do Sol oferece vista para o litoral no fim do dia, ao passo que passeios por manguezais, praias e lagoas temporárias ampliam as opções em uma região marcada pela presença constante de areia, vento e mar.

Embora seja frequentemente associada aos passeios de Jericoacoara, a Lagoa do Paraíso não fica ao lado da vila nem costuma ser alcançada a pé, pois está situada a cerca de 18 quilômetros de Jeri e exige deslocamento por carro, buggy ou transfer autorizado.

Taxa de Turismo Sustentável é cobrada por dez dias

Para permanecer na Vila de Jericoacoara, cada visitante deve pagar a Taxa de Turismo Sustentável, cujo valor informado pela prefeitura é de R$ 41,50 por pessoa, com validade de dez dias e renovação de R$ 4,15 para cada diária adicional.

Destinada a ações de preservação ambiental e à manutenção de serviços turísticos, a cobrança pode ser quitada antecipadamente pelos canais oficiais ou nos pontos de atendimento instalados tanto na sede de Jijoca quanto na entrada da vila.

Ao superar 1,2 milhão de acessos em 2024, o parque evidenciou a dimensão alcançada pelo destino; paralelamente, as limitações ao trânsito, a cobrança turística e as normas ambientais procuram conservar elementos que ainda distinguem Jericoacoara de áreas litorâneas intensamente urbanizadas.

Com um fluxo anual tão elevado entre dunas, lagoas, praias e ruas de areia, quais medidas devem ser priorizadas para que Jericoacoara preserve sua paisagem sem fechar as portas para o turismo?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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