Estudo com quase 100 mil pessoas na Suécia associa semaglutida a menos hospitalizações, afastamentos, depressão, ansiedade e transtornos por uso de substâncias, mas pesquisadores ainda não definem os mecanismos envolvidos
A semaglutida, usada em medicamentos como Wegovy e Ozempic, foi associada a reduções de até 42% em hospitalizações e afastamentos por problemas psiquiátricos em estudo com quase 100 mil pessoas na Suécia.
Estudo acompanhou registros de 2009 a 2022
A análise foi publicada na revista científica The Lancet Psychiatry e avaliou medicamentos análogos do GLP-1, classe usada para perda de peso e diabetes. Entre eles estão a semaglutida e a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Finlândia Oriental, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, e da Universidade Griffith, na Austrália, com base em registros nacionais suecos reunidos entre 2009 e 2022.
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Ao todo, quase 100 mil indivíduos foram acompanhados. Desse grupo, mais de 20 mil usaram medicamentos análogos do GLP-1 durante o período analisado, permitindo comparar fases com e sem tratamento.

Semaglutida teve associação mais forte
Os resutlados indicaram que o uso desses medicamentos, especialmente da semaglutida, esteve ligado a menos hospitalizações e afastamentos do trabalho relacionados a problemas psiquiátricos.
Durante os períodos em que os participantes usaram semaglutida, os riscos foram 42% menores em comparação com fases sem tratamento. A queda também apareceu em diagnósticos específicos avaliados pela pesquisa.
O risco de depressão diminuiu 44%, enquanto os transtornos de ansiedade caíram 38%. Esses números reforçaram a hipótese de que os remédios podem ter efeitos além do controle de peso e do diabetes.
Uso de substâncias também teve queda
A semaglutida também foi associada a menor risco de transtornos por uso de substâncias. Internações hospitalares e afastamentos relacionados a esse tipo de problema foram 47% menores durante os períodos de tratamento.
Os agonistas do receptor GLP-1 ainda apareceram associados a risco reduzido de comportamento suicida.
A análise não detalhou mecanismos definitivos, mas apontou uma ligação estatística relevante nos registros avaliados.
Mark Taylor, professor da Universidade Griffith e um dos autores do estudo, citou que uma pesquisa anterior com registros suecos já havia ligado medicamentos GLP-1 a menor risco de transtorno por uso de álcool.
Como problemas ligados ao álcool costumam afetar humor e ansiedade, os pesquisadores esperavam algum efeito positivo nessas áreas. Ainda assim, a força da associação surpreendeu a equipe.
Possíveis mecanismos ainda não estão definidos
Markku Lähteenvuo, diretor de Pesquisa e docente da Universidade da Finlândia Oriental, afirmou que o estudo baseado em registros não permite determinar exatamente como ou por que os medicamentos afetam sintomas de humor.
Entre as possibilidades citadas estão menor consumo de álcool, melhorias na imagem corporal ligadas à perda de peso e alívio pelo melhor controle glicêmico no diabetes. Também podem existir mecanismos neurobiológicos diretos.
Esses mecanismos poderiam envolver alterações no funcionamento do sistema de recompensa do cérebro.
A associaçãp, porém, ainda exige cautela, já que o desenho do estudo não estabelece causa direta.
Novo achado contrasta com pesquisa anterior
O estudo publicado na The Lancet Psychiatry contrasta com uma pesquisa divulgada há um ano na revista científica Current Neuropharmacology.
Esse trabalho anterior avaliou uma possível ligação entre análogos de GLP-1 e alterações cerebrais associadas a maior risco de depressão e ideação suicida em determinados pacientes, com base em caminhos genéticos.
Com informações de Época Negócios.

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