A frase que ele mais ouvia era uma pergunta: “você está maluco?”. Em vez de recuar, vendeu e repassou lojas e foi atrás de fábricas na Europa e na Ásia para entender uma tecnologia que quase ninguém conhecia por aqui. Anos depois, o mercado que diziam não ter futuro virou tendência e deu razão à aposta.
Ouvindo de muita gente que estava maluco, o empresário de Joinville Paulo Cortez largou a tradicional loja de peças que comandava havia mais de 25 anos e cruzou o mundo, indo até a China, para apostar num negócio que ninguém levava a sério no Brasil. A aposta eram as bicicletas elétricas, um mercado praticamente desconhecido no país na época, mas que o empresário acreditava ter futuro, contrariando o ceticismo de quem o cercava.
A história foi relembrada pelo próprio Paulo em um vídeo publicado em suas redes sociais e divulgada em 31 de maio de 2026 pelo portal ND Mais. Por décadas, ele esteve à frente da Jobrasil, loja tradicional de peças para motos e bicicletas, fundada em 1946 e uma das mais antigas de Joinville. Foi justamente quando já tinha uma carreira consolidada que decidiu arriscar tudo em algo novo, numa virada que mudaria os rumos de sua vida empresarial.
A decisão que muitos chamaram de loucura

Depois de vender algumas lojas e transferir outras para familiares, o empresário embarcou em uma jornada pelo mundo para entender o mercado de bicicletas elétricas, ainda incipiente no Brasil, visitando países como Espanha, Itália, Holanda e a China, em busca de fábricas, tecnologias e referências sobre como funcionava o setor.
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A iniciativa foi recebida com muita desconfiança. “Seu Paulo, você está maluco? Ir para o outro lado do mundo atrás de bicicleta elétrica? Isso não vai dar em nada, isso não vai pegar”, relembra o empresário sobre os comentários que ouvia na época. Mesmo assim, ele manteve a convicção de que a mobilidade elétrica encontraria espaço para crescer no país, e seguiu firme em sua aposta apesar das críticas.
O tempo deu razão à aposta
O que parecia uma ideia sem futuro acabou se mostrando visionário. Anos depois das viagens internacionais, o mercado de bicicletas elétricas se consolidou no Brasil e ganhou força em Santa Catarina, e a aposta que muitos consideravam loucura se transformou em um negócio sólido. Segundo o próprio Paulo, sua empresa teria sido pioneira no estado na comercialização desse tipo de produto.
Vale registrar que essa afirmação de pioneirismo parte do relato do próprio empresário, o que é natural em uma história contada na primeira pessoa. De todo modo, o fato é que a mobilidade elétrica deixou de ser uma curiosidade distante para se tornar uma tendência concreta nas cidades brasileiras, impulsionada pela busca por alternativas de transporte mais econômicas e sustentáveis, o que acabou dando respaldo à intuição que ele teve lá atrás.
A nova geração no comando
Com o crescimento do setor, veio também a renovação dentro do negócio. Quando o mercado começou a acelerar, por volta de 2019, Paulo decidiu envolver uma nova geração na empresa e convidou o neto, Paulinho Cortez, para participar da operação, o que ajudou a modernizar o negócio e a fortalecer a atuação no segmento de bicicletas elétricas.
Hoje, é o jovem quem visita importadoras, avalia fornecedores e seleciona os modelos comercializados, assumindo a linha de frente das decisões técnicas. “Ele dá um show em mim agora em bicicleta elétrica”, admite o empresário, com orgulho, ao reconhecer que o neto domina o assunto. É um exemplo de como a experiência de uma geração pode se somar à energia e ao conhecimento atualizado de outra, mantendo o negócio vivo e competitivo.
Qualidade acima da quantidade
Ao longo da trajetória no setor, a família adotou uma filosofia que vai na contramão do mercado. Em vez de tentar vender o maior número possível de marcas, a empresa optou por trabalhar apenas com produtos que ofereçam peças de reposição, assistência técnica e suporte ao cliente depois da compra, priorizando a qualidade. Segundo Paulo, mais de dez fabricantes deixaram de fazer parte do portfólio ao longo dos anos por causa dessa exigência.
A preocupação com o pós-venda, segundo o empresário, é um dos pilares que ajudaram a construir a credibilidade que vinha desde os tempos da antiga Jobrasil. É uma lição valiosa para o varejo: às vezes, vender menos e melhor, garantindo que o cliente seja bem atendido depois da compra, vale mais do que oferecer de tudo um pouco sem dar suporte adequado, algo cada vez mais valorizado pelos consumidores.
O retrato de um mercado em ascensão
A história de Paulo dialoga com uma transformação maior que acontece nas ruas. A mobilidade elétrica vem crescendo no Brasil, impulsionada por bicicletas, patinetes e outros veículos que prometem deslocamentos mais baratos, ágeis e menos poluentes, especialmente nos centros urbanos, num movimento que acompanha tendências já consolidadas na Europa e na Ásia.
Esse cenário ajuda a entender por que uma aposta vista como excêntrica há alguns anos hoje parece natural. À medida que as cidades discutem alternativas ao carro e ao transporte movido a combustíveis fósseis, soluções como a bicicleta elétrica ganham relevância, e empreendedores que enxergaram esse potencial mais cedo, como o joinvilense, acabam saindo na frente de um movimento que só tende a crescer nos próximos anos.
A trajetória do empresário Paulo Cortez é uma daquelas histórias que mostram como visão e coragem podem transformar uma aposta arriscada em acerto. Ao trocar a segurança de uma loja tradicional pela incerteza de um mercado que ninguém levava a sério, e ao buscar conhecimento do outro lado do mundo, ele provou que ouvir “você está maluco” nem sempre é motivo para desistir. Mais do que uma história de negócios, é um lembrete de que enxergar tendências antes dos outros e insistir nelas com seriedade pode fazer toda a diferença na vida de um empreendedor.
E você, já teve uma ideia que todo mundo achou loucura, mas na qual você acreditou? O que acha da aposta do empresário joinvilense nas bicicletas elétricas? Deixe seu comentário, conte sua própria história de empreendedorismo ou de aposta arriscada e compartilhe a matéria com aquele amigo que também sonha em ter o próprio negócio.

Verdade, moro na cidade e lembro em 2008 uma salinha na Av. Getúlio Vargas. Que vendida essas bicicletas, eu estudava ali no Elias Moreira e passava todo dia em frente. Legal ver os Joinvilenses sendo pioneiros.