Os irmãos Batista, donos da JBS e à frente de um império que fatura mais de R$ 400 bilhões por ano com carne bovina, frango e suínos, operam um ramo de negócio que pouca gente associa ao sobrenome mais conhecido do agronegócio brasileiro: atividades portuárias no litoral de Santa Catarina. Wesley e Joesley Batista comandam empresa que administra operações no complexo portuário de Itajaí, um dos mais movimentados do Sul do Brasil, posição estratégica que conecta a cadeia de exportação de proteínas ao transporte marítimo internacional, Segundo o NSC.
Os irmãos Batista são conhecidos no Brasil e no mundo como os donos da JBS, maior frigorífico do planeta e uma das maiores empresas de alimentos em operação. Mas Wesley e Joesley tocam um negócio no litoral de Santa Catarina que raramente aparece nas manchetes e que a maioria das pessoas desconhece: os dois comandam empresa que opera no complexo portuário de Itajaí, um dos portos mais estratégicos do Sul do país para a movimentação de contêineres, cargas gerais e produtos refrigerados.
A conexão entre frigorífico e porto não é acidental: é verticalização. A JBS exporta carne para mais de 190 países, e o complexo de Itajaí é rota essencial para que o produto saia das plantas industriais do Sul e do Centro-Oeste e chegue aos navios que abastecem mercados na Ásia, no Oriente Médio e na Europa. Controlar a operação portuária por onde passa parte significativa da própria produção reduz custos logísticos, aumenta a previsibilidade dos embarques e dá aos irmãos Batista vantagem competitiva que poucos concorrentes conseguem replicar.
O que os Batista fazem no complexo portuário de Itajaí

Porto de Itajaí cresce operações em mais de 300% sob administração da JBS Terminals (Foto: JBS Terminals, Tanajura, Divulgação)
O complexo portuário de Itajaí, na foz do rio Itajaí-Açu, é um dos principais polos de comércio exterior de Santa Catarina e do Brasil. A região concentra terminais que movimentam contêineres, granéis sólidos, cargas refrigeradas e veículos, e a presença dos irmãos Batista nesse ecossistema se dá por meio de empresa que atua na administração e operação de atividades dentro do complexo.
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A lógica de negócio é de integração vertical. Quando uma empresa controla desde o abate do animal até o embarque no navio, cada etapa intermediária que pertence a terceiros representa custo, risco e dependência. Ao operar no porto por onde parte da carne da JBS segue para exportação, os Batista eliminam uma dessas intermediações e ganham controle sobre a logística de ponta a ponta, modelo que grandes grupos industriais globais adotam há décadas mas que no Brasil ainda é exceção.
Itajaí como porto estratégico para a cadeia de proteínas
O complexo de Itajaí e Navegantes, cidades vizinhas conectadas pela mesma estrutura portuária, é o segundo maior do Brasil em movimentação de contêineres, atrás apenas de Santos (SP). Para a cadeia de proteínas, a posição geográfica é privilegiada: o porto fica próximo a plantas industriais de aves e suínos em Santa Catarina — o estado é o maior exportador brasileiro de carne de frango e o segundo de carne suína.
A JBS tem operações relevantes em Santa Catarina através da Seara, marca de aves e suínos que é uma das maiores do país. A proximidade entre as fábricas da Seara e o complexo portuário de Itajaí encurta a cadeia logística e reduz o tempo entre a saída do produto da planta industrial e o embarque no navio refrigerado, fator crítico para cargas perecíveis que perdem valor a cada hora fora da câmara fria.
A J&F e o portfólio de negócios que vai além da carne

Os irmãos Batista operam seus negócios por meio da J&F Investimentos, holding familiar que controla a JBS e dezenas de outras empresas em setores que vão de celulose (Eldorado Brasil) a bancos (Banco Original), passando por couro (JBS Couros), embalagens, energia e agora atividades portuárias. O portfólio da J&F reflete uma estratégia de diversificação que transforma os Batista em operadores industriais de escala, não apenas em donos de frigorífico.
A atuação portuária em Itajaí se encaixa nessa lógica. A J&F não precisa que o porto dê lucro isoladamente para que o investimento se justifique: basta que a operação reduza custos logísticos da JBS e da Seara em volume suficiente para compensar o capital empregado. Esse é o mesmo raciocínio que levou o grupo a investir em energia (para abastecer as próprias fábricas) e em embalagens (para reduzir dependência de fornecedores externos).
O que quase ninguém sabe sobre os Batista em Santa Catarina
A presença dos irmãos Batista no litoral catarinense é discreta por natureza. Operações portuárias não geram a mesma visibilidade que a marca JBS ou Seara nas gôndolas de supermercado, e a maioria dos moradores de Itajaí provavelmente não associa o nome Batista às atividades que acontecem nos terminais do porto. Essa invisibilidade é, em certa medida, estratégica: quanto menos atenção pública sobre a logística, menos exposição regulatória e menos escrutínio sobre contratos.
O fato é que os Batista montaram ao longo de duas décadas um conglomerado que controla pedaços-chave da cadeia produtiva brasileira, do boi no pasto ao contêiner no navio. A operação em Itajaí é apenas mais uma peça de um quebra-cabeça que inclui produção, processamento, transporte e exportação, modelo de integração que explica em parte por que a JBS se tornou o maior frigorífico do mundo e por que os irmãos Batista continuam sendo os nomes mais influentes do agronegócio brasileiro.
O contexto atual: investigação nos EUA e pressão sobre os negócios
A atuação diversificada dos irmãos Batista ganha relevância extra no momento em que a JBS enfrenta investigação criminal antitruste nos Estados Unidos, anunciada pelo Departamento de Justiça em maio de 2026, por suspeita de fixação de preços no mercado de carne bovina americano. A pressão regulatória nos EUA incide sobre a JBS USA, mas o efeito cascata pode afetar toda a cadeia do grupo, incluindo operações logísticas como a de Itajaí, que dependem do fluxo de exportação para manter volume e rentabilidade.
Se a investigação resultar em restrições operacionais ou multas pesadas nos Estados Unidos, o impacto sobre a capacidade de exportação da JBS seria sentido em toda a cadeia, dos abatedouros aos portos. Para o complexo de Itajaí, qualquer queda no volume de cargas refrigeradas exportadas significa menos receita portuária, reforçando que o negócio portuário dos Batista não é empreendimento isolado, mas peça interdependente de um ecossistema industrial que vive ou sofre junto.
Você sabia que os irmãos Batista da JBS também operam no complexo portuário de Itajaí, em Santa Catarina? Conte nos comentários o que pensa sobre a diversificação do grupo e se acredita que controlar do frigorífico ao porto é vantagem competitiva legítima ou concentração de mercado excessiva.

Geram 280.000 empregos em todo o mundo e 167.000 só no Brasil. Muito mais do que os 23.000 da Havan ou 7300 da Ypê. Todo dia tem choro da gadolandia kkkkkkk
Sabe de nada inocentes! O Narco Estado agradece.
Dois irmãos visionários.
Contribui com o crescimento do País.
Incentivo, motivação e não falta para os mas novos empreendedores.
Parabéns. Dignos de Aplausos.