Surto ligado ao MV Hondius deixou três passageiros mortos, levou a OMS a coordenar parceiros e reacendeu dúvidas sobre a variante Andes do hantavírus
Um alerta sanitário internacional ganhou força após suspeitas de surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius. No entanto, a Organização Mundial da Saúde afastou qualquer comparação com o início da pandemia de Covid-19.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o cenário atual não apresenta o mesmo nível de ameaça global observado no começo da crise causada pelo coronavírus. Tedros deu a declaração nesta quarta-feira, 6 de maio, à agência France Presse, na sede da organização, em Genebra.
Conforme Tedros afirmou, “o risco para o restante do mundo é baixo”. Além disso, ao responder sobre semelhanças com a Covid-19, ele afirmou: “Não, acredito que não”.
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Navio MV Hondius vira centro do alerta sanitário
O caso envolve o MV Hondius, embarcação de bandeira holandesa que entrou no radar internacional após a morte de três passageiros. De acordo com as informações repassadas à OMS, autoridades comunicaram o alerta no sábado, 2 de maio, em meio às suspeitas sobre o surto a bordo.
Antes disso, o navio partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, para uma viagem pelo Oceano Atlântico. Depois, a embarcação permaneceu ancorada na costa de Cabo Verde desde domingo, enquanto autoridades acompanhavam a situação sanitária.
OMS mantém risco baixo e coordena resposta
Apesar da repercussão internacional, a OMS adotou um tom cauteloso e evitou tratar o episódio como ameaça global. Segundo Tedros, portanto, o caso não exige, neste momento, a convocação do comitê de emergência da organização.

Ainda assim, o diretor-geral informou que a entidade já realizou reuniões para coordenar parceiros e organizar uma resposta ao episódio. Dessa forma, a OMS acompanha o caso, mas reforça que o risco mundial segue baixo.
Variante Andes exige atenção no monitoramento
O hantavírus aparece como uma doença pouco frequente. Normalmente, roedores infectados transmitem o vírus, sobretudo pelo contato com urina, fezes ou saliva desses animais.
No entanto, a variante Andes, confirmada em três casos relacionados ao navio, exige atenção maior. Isso acontece porque essa variante também pode passar de uma pessoa para outra, diferentemente de outras formas mais comuns do vírus.
Por que a OMS descarta comparação com a Covid-19
A OMS descartou a comparação com a Covid-19 porque o cenário atual permanece limitado e monitorado. Além disso, a organização não informou sinais de disseminação global semelhantes aos observados no início da pandemia.
Portanto, mesmo com mortes confirmadas entre passageiros, a avaliação oficial segue concentrada na resposta coordenada e no controle do episódio. Enquanto isso, o MV Hondius permanece como ponto central do alerta, e a OMS mantém a mensagem principal: há vigilância sanitária, mas não há indicação de risco global elevado.
Diante desse cenário, a pergunta que fica é: o alerta em torno do hantavírus deve preocupar mais pela doença em si ou pela velocidade com que qualquer surto reacende memórias da Covid-19?
