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O transporte de cargas por navios cresceu 13% na última década graças a cabotagem brasileira, mas você sabe como funciona esta modalidade logística?

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 13/08/2020 às 13:14 Atualizado em 14/08/2020 às 20:03
Log-In Endurance cabotagem navios logística
Log-In Endurance – Fonte Login-IN
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As atividades logísticas são fundamentais para que a máquina do abastecimento funcione. Descobrir meios para amortizar os riscos e alcançar excelentes metas, tal como assegurar que insumos e outros produtos essenciais sejam entregues em todas as regiões do Brasil é um obstáculo e tanto. Quando o assunto é transporte o primeiro modal que vem em nossos pensamentos na maior parte das vezes é o rodoviário (via terrestre). Todavia, a cabotagem e algo que deve ser visto com mais carinho quando o assunto é planejamento logístico. O Brasil conta com mais de 8,5 mil quilômetros de costa que permite operações em navegações aquaviárias.

Leia também: Governo Federal anuncia aumento de até 40% na frota de navios para cabotagem brasileira e indústria naval vislumbra PL que pode favorecer portos, gerando empregos e menos dependência de transporte terrestre por caminhões

Para os profissionais que já vivem a realidade das operações logísticas, possivelmente esta definição não seja tão inédita assim. Em uma definição simples, este tipo de transporte é o que acontece por mar, na costa do Brasil. Contudo, se indagarmos essas mesmas pessoas, a maioria não saberá responder exatamente como funciona os serviços de cabotagem.

Tipos de navios mais comuns utilizados em nossa cabotagem

  • Navios graneleiros – dedicados ao transporte de carga solta e de grandes dimensões, conhecidos como Break Bulks
  • Navios tanques – aqueles que exclusivamente fazem o transporte de granéis líquidos, como petróleo
  • Navio porta-contêiner – Como o nome já diz, ele é destinado a transportar contêineres e o mais utilizado no mundo
  • Navio Roll in – Roll Out – Navio dedicado a transporte de veículos automotores

Há muitos outros tipos de embarcações, geralmente construídos sob medida para cada tipo de carga, pois a nossa cabotagem é muito diversificada.

A intenção deste artigo é fazer uma observação mais minuciosa sobre as operações de navios porta-contêineres, pois estes são amplamente utilizados na maior parte da cadeia logística aquaviária atualmente. Esta categoria de serviços teve um aumento médio de 13% na década passada, que basicamente triplicou durante este período, contribuindo com um PIB real brasileiro de 1,4% ao ano. Informações da Antaq e Login-in.

Gráfico de crescimento da Cabotagem no Brasil com transporte de cargas via navios
Fonte: Base Antaq e Log-In

Estes dados dados expõe, sem margem para erros, o quanto o modal é eficiente e diversificado para servir diversos segmentos da indústria. Se levarmos em contato todos os produtos de consumimos diariamente em nossas residências, em suas dimensões e o espaço que elas ocupam, chegamos a conclusão que por volta de 90% é feito em território nacional e transportado por navios em contêineres. Isso engloba todo tipo de produtos: Alimentos, eletrônicos, maquinário e etc.

Fazendo uma analogia: a cabotagem funciona da mesma forma que uma linha de ônibus regular, com dia e hora para atracar em cada um dos portos. O navio faz um circuito fechado e sempre sai e retorna para um mesmo ponto. Previsibilidade é a palavra de ordem.

Para exemplificar nada melhor do que fatos e usarei como modelo uma linha que conheço bem. O circuito começa a operação em Pecém, que é o terminal portuário da costa do Nordeste Brasileiro, próximo a Fortaleza (CE); segue para Salvador (BA); passa por Santos (SP); de lá vai para Itajaí (SC) e chega a Buenos Aires (Argentina). E depois ele volta, passa em Rio Grande (RS); Santa Catarina e Santos novamente, vai direto para Suape (PE) e volta a Pecém. Esse circuito leva 28 dias para ser concluído e demanda quatro navios. Mas, por quê?

Circuito de operações da cabotagem, começando por Pecém como exemplo
Circuito de operações da cabotagem, começando por Pecém como exemplo

A resposta é simples: como queremos “estar” em cada um desses portos uma vez por semana, é preciso ter várias embarcações para fazer essa rotação. É como se se fizesse um círculo e se colocasse um navio equidistante do outro, rodando no mesmo sentido, com sete dias de diferença um do outro.

Mas, e se quero levar uma carga de Buenos Aires para Manaus e esse serviço só vai até Pecém? Aí a analogia é com uma conexão de um avião. Coletamos um contêiner em Buenos Aires e descemos em um dos terminais no Brasil que tenha conexão um dos outros três serviços que ofertamos. Neste caso, quanto um navio do Serviço Amazonas que liga o sul do Brasil à Manaus passa pelo terminal portuário, colocamos o contêiner originalmente da Argentina em outra embarcação e a mercadoria segue viagem, com a mesma previsibilidade e dentro do prazo acordado no agendamento.

É a mesma ideia do ônibus e do avião: têm pontos em que passageiros (cargas) descem e em outros eles apenas sobem, mas em alguns acontecem os dois movimentos.  O que se repete em todos os portos. A conexão é imperceptível para o cliente, afinal o que importa a ele é que sua carga chegue intacta. Aliás, esta é outra vantagem da cabotagem.

Leia também: Os 4 passos fundamentais para trabalhar embarcado no ramo marítimo aquaviário, com ótimos salários e escalas de trabalho diferenciadas.

Tem outra dúvida que sempre surge: se o navio passa uma vez por semana e a indústria precisa expedir mercadorias diariamente, como fazemos?  É nessa hora que o know-how de operador logístico faz a diferença e entra em cena o time de atendimento, que apoia o cliente em seu planejamento logístico e que programa as coletas, de acordo com a necessidade de cada um, sem interrupção e com hora marcada.  Em seguida, o caminhão que coletou a carga já acondicionada no contêiner vai até o terminal portuário e faz o depósito de toda a mercadoria.  Agora, imagina isso acontecendo em diversos clientes inúmeras vezes ao dia? É por isso que é possível observar aquelas pilhas de contêineres nos portos.  

E outra caraterística da cabotagem, bastante interessante, são os períodos “free” nos terminais de destino (sem custo), que podem variar entre sete e 15 dias. Isto ajuda o cliente a se planejar no recebimento e evitar custos adicionais com estadias. Isso é bastante vantajoso, na medida em que, a maioria dos clientes não quer e nem precisa receber no mesmo dia todos os contêineres, de acordo com seu planejamento logístico. Eles ficam no porto, depositados, a Central de Atendimento novamente entra em ação e liga para cada um deles, e faz o agendamento de entrega, de acordo com prioridades e disponibilidade para recebimento. Tudo muito planejado, funcionando como uma esteira produtiva.

Enfim, a previsibilidade é sem dúvida um fator marcante quando o assunto é cabotagem e que coloca o transporte rodoviário em bastante desvantagem. No momento zero, quando se programa a carga, o recebedor já sabe exatamente quando ele terá suas mercadorias.  De tão simples acaba parecendo complicado, mas certamente é bem mais eficiente do se que imagina.

Mauricio Alvarenga. Experiente em operações de cabotagem logística na Login-IN por navios

Mauricio Alvarenga é diretor comercial da Log-In Logística Intermodal, empresa 100% brasileira que opera Navegação de Cabotagem, Movimentação Portuária e Soluções logísticas customizadas

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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