Símbolo militar do século 19, o Quartel da Tabatinguera perdeu vitalidade após décadas vazio, acumulando ruínas, invasões e furtos enquanto aguarda decisão sobre sua recuperação
É difícil passar pelo Parque Dom Pedro II e não notar o Quartel da Tabatinguera, que segue à beira da Avenida do Estado com sinais evidentes de desgaste.
O antigo endereço do Segundo Batalhão de Guardas permanece entre as poucas construções não religiosas do século 19 ainda existentes no centro paulistano, mas hoje impressiona pela presença de entulho e pela aparência deteriorada.
As primeiras estruturas foram erguidas em 1842, com alvenaria de tijolos e taipa de pilão. O terreno havia sido uma chácara no período colonial e recebeu usos variados ao longo do século 19, como convento, seminários e manicômio.
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Pesquisas do portal São Paulo Antiga indicam que, por volta de 1905, o local passou por adaptações para receber a Força Pública, denominação antiga da polícia estadual.
O governo brasileiro assumiu o imóvel em 1964 e instalou ali um batalhão das Forças Armadas. A área foi devolvida ao governo paulista em 1992, quando passou a abrigar o 2º Batalhão de Guardas da Polícia Militar. Até então, a construção preservava molduras, vitrais coloridos e mantinha conservação exemplar.
De patrimônio reconhecido a estrutura em ruínas
Embora seja patrimônio histórico da cidade e do estado, o quartel permaneceu vazio desde 1992 após a transferência do batalhão para Osasco. Sem manutenção, a estrutura antes cuidadosa entrou em processo contínuo de degradação.
Em 2022, uma visita da Folha de S. Paulo registrou telhados ruindo, acúmulo de lixo e viaturas da Polícia Militar abandonadas. Invasões intensificaram a deterioração do espaço, com roubos de fios, torneiras, canos, portões e até tijolos.
Em maio de 2025, o governo estadual anunciou que estuda recuperar o quartel. A proposta integra o programa de Requalificação do Centro e prevê restaurar o prédio, além de construir habitações destinadas a famílias de baixa e média renda em seu entorno. Caso avance, o projeto pode reinserir o Quartel da Tabatinguera na vida paulistana após décadas de abandono.

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