A incorporadora Newview, em parceria com o braço imobiliário do BTG Pactual, arrematou os 15.000 metros quadrados num leilão de recuperação judicial; o restauro do palacete custa R$ 5 milhões e a entrega do condomínio está prevista para o final de 2029
O casarão do Flamengo mais comentado do mercado imobiliário carioca tem data e destino definidos. Em reportagem publicada em 4 de julho de 2026, a Exame mostrou que o palacete da Rua Marquês de Abrantes, 55, erguido por volta de 1865 como residência do Barão de São Clemente, será restaurado e transformado na área de lazer do Symphony, empreendimento residencial de alto padrão da Newview Incorporadora.
Os números da operação chamam a atenção: o terreno de 15.000 metros quadrados do antigo Colégio Bennett foi adquirido em leilão de recuperação judicial por R$ 60 milhões, em parceria com o BTG Pactual, o projeto ocupa 5.800 metros quadrados com duas torres e 364 unidades de 1 a 4 quartos, entre 40 e 194 metros quadrados, e 70% do VGV foi comercializado já no primeiro mês de vendas, segundo a Exame. A entrega está prevista para o final de 2029.
O palacete de 1865 que viu o bairro nascer
A história do casarão do Flamengo começa quando o bairro nem parecia bairro. O imóvel foi erguido por volta de 1865 como residência do Barão de São Clemente, numa época em que a região ainda era marcada por chácaras e áreas verdes, segundo a Exame. Ao longo das décadas, o palacete passou por diferentes proprietários e usos, até abrigar, a partir de 1919, a operação do Colégio Metodista Bennett, instituição que marcou gerações de cariocas no endereço da Rua Marquês de Abrantes.
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O capítulo mais recente foi o mais melancólico: o casarão ficou fechado por cerca de 20 anos e entrou em avançado estado de deterioração, ainda de acordo com a Exame. O Globo registra que a preservação do imóvel era uma das preocupações dos moradores do entorno desde que a venda do terreno foi anunciada, num bairro da Zona Sul conhecido justamente pelo casario antigo e pela memória afetiva de seus endereços.
O leilão de R$ 60 milhões que mudou o destino do casarão do Flamengo

A virada veio pelo martelo. O terreno de mais de 15.000 metros quadrados foi arrematado pela Newview num leilão de recuperação judicial, em parceria com a Enforce, braço de real estate do BTG Pactual, por R$ 60 milhões, segundo a Exame. Parte da área, cerca de 9.000 metros quadrados, continua ocupada por instituições de ensino, e o restante abriga o condomínio e o casarão restaurado, mantendo a convivência com os vizinhos.
O apetite do público apareceu antes mesmo da abertura oficial: o estande do empreendimento recebeu mais de 2 mil visitas antes do início das vendas, informa o Globo. “O Symphony integra o casarão histórico ao empreendimento moderno, devolvendo ao bairro um marco cultural e oferecendo serviços de alto padrão aos moradores”, afirma Guili Chor, diretor de incorporação da incorporadora, à Exame.
Spa, salão de festas e academia dentro do palacete
O casarão tombado será o coração da área de lazer. No 1º piso ficarão o salão de festas e o spa, com consultoria da Chandra Spa, e no 2º piso funcionará uma academia de cerca de 200 metros quadrados, com consultoria da Bodytech exclusiva para moradores, segundo a Exame. O projeto prevê ainda brinquedoteca, espaço pet e sala de cabeleireiro, ampliando a lista de serviços dentro do condomínio.
O restauro tem orçamento e assinatura próprios. A recuperação do palacete custará R$ 5 milhões e será conduzida pelo arquiteto Jorge Astorga, especialista em recuperação de edificações históricas, e o imóvel deverá abrigar o salão de festas do novo residencial, segundo o Globo. O jornal detalha o time do empreendimento: projeto arquitetônico de Flavio Bassan com a RAF Arquitetura, interiores do Studio Roca e paisagismo de Benedito Abbud, com previsão de plantio de cerca de 100 árvores no terreno.
70% do VGV vendido no primeiro mês

O desempenho comercial surpreendeu até quem lançou. “O lançamento teve excelente arrancada de vendas: 70% do VGV já foi comercializado no primeiro mês. O perfil do comprador é majoritariamente moradores do próprio bairro, entre 35 e 50 anos com família, além de idosos que valorizam praticidade e áreas de convivência”, detalha Guili Chor à Exame.
Para o executivo, o modelo de condomínio clube, com áreas comuns amplas em relação à metragem dos apartamentos, ainda é raridade na Zona Sul carioca, onde terrenos grandes praticamente não existem. “Na Barra da Tijuca ou em São Paulo, esse modelo é comum. Aqui, em bairros como o Flamengo, terrenos grandes são extremamente escassos, e isso torna o projeto ainda mais especial”, diz ele na reportagem da Exame.
A escola que fica e o desconto de 30% na mensalidade
A vocação educacional do endereço não acaba com o lançamento imobiliário. A Exame informa que cerca de 9.000 metros quadrados seguem ocupados pelo colégio Pensi+ e pela faculdade UNINASSAU, enquanto o Globo registra a permanência do Pensi+ e da Uniasselvi como locatários, e esta redação registra a divergência entre as duas fontes sem harmonizá-la. Como estratégia de aproximação com os futuros moradores, os 50 primeiros compradores do empreendimento terão direito a desconto de 30% nas mensalidades do Colégio Pensi a partir de 2027, segundo o Globo.
“O Flamengo sempre teve uma forte vocação educacional, e o Pensi chegou ao bairro entendendo a importância histórica e afetiva da região. Quando a Newview nos procurou para pensar o futuro daquele terreno, ficou claro desde o início que a escola permaneceria ali como parte integrante do projeto”, diz Luciana Vidal, diretora-geral do Colégio Pensi, ao Globo.
A disputa na Justiça e os 25 gatos resgatados
Nem tudo é festa em torno do casarão do Flamengo. Em abril de 2026, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro voltou a defender a paralisação das obras, pedindo a manutenção de uma decisão judicial que havia suspendido as intervenções no terreno e o replantio da vegetação retirada, segundo o Globo. Moradores e entidades da região questionam a derrubada de árvores e possíveis impactos urbanísticos, e protestos chegaram a ser realizados em frente ao antigo colégio, mobilizando ambientalistas e especialistas em patrimônio, relata o jornal.
Do outro lado, a incorporadora promete o plantio das cerca de 100 árvores do paisagismo e afirma ter realizado ações de proteção aos animais que viviam no local. Cerca de 25 gatos que ocupavam a área desde o encerramento das atividades do Colégio Bennett foram resgatados em parceria com a ONG Adote um Bichinho, ainda de acordo com o Globo.
Um século e meio de história no meio de duas torres
Fica a observação desta redação, devidamente sinalizada: é curioso que os dois lançamentos imobiliários mais comentados do momento, este na Zona Sul do Rio e o do convento do Ipiranga em São Paulo, tenham em comum prédios históricos fechados há décadas, gatos como últimos moradores e a aposta de que o passado restaurado vale mais do que o terreno limpo.
Do Barão de São Clemente ao Colégio Bennett, e agora ao Symphony com spa e academia sob o telhado de 1865, o casarão do Flamengo atravessou o Império, a República e 20 anos de portas fechadas para virar o coração de um condomínio de luxo.
Conta pra gente nos comentários: restaurar um palacete histórico como área de lazer privada preserva a memória da cidade, ou esse patrimônio deveria estar aberto a todo mundo?
