O Porto de Luleå prepara uma dragagem entre 2027 e 2030 para aprofundar canais, receber navios maiores, reaproveitar parte dos sedimentos e ampliar uma área portuária voltada à indústria verde.
Em uma região da Suécia onde o mar congela durante parte do ano, o Porto de Luleå vai retirar 14 milhões de metros cúbicos do fundo do mar para abrir caminho para cargueiros maiores. O volume mostra a dimensão da obra que precisa ocorrer antes que embarcações mais profundas possam chegar ao terminal.
A dragagem faz parte do Projeto Malmporten e tem início previsto para a primavera de 2027. As informações foram divulgadas por Boskalis, empresa global de dragagem e infraestrutura marítima.
O porto fica no norte da Suécia e atende uma região que concentra investimentos em aço sem combustíveis fósseis e energia sustentável. A ampliação deverá criar espaço para novas operações e permitir o transporte de mais carga em cada viagem.
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Dragagem é a retirada de material que reduz a profundidade do porto
Dragagem é a retirada de areia, argila, pedras e outros materiais que se acumulam no fundo do mar. Esse trabalho aprofunda o canal usado pelos navios para entrar, manobrar e chegar até os locais de carga.
Quando a profundidade não acompanha o tamanho das embarcações, o porto passa a receber navios menores ou com menos carga. A obra em Luleå busca ampliar a passagem para navios com maior calado, nome dado à parte da embarcação que fica dentro da água.
O novo canal deverá permitir a entrada de embarcações com até 14,7 metros de calado e capacidade para transportar até 85.000 toneladas. A estrutura atual recebe navios com capacidade de até 45.000 toneladas.
Parte do material retirado vai virar terreno para novas operações
Nem todo o material retirado do fundo do mar terá destino fora da área portuária. Parte dos sedimentos deverá ser reaproveitada em aterro para criar terreno e ampliar a estrutura do Porto de Luleå.
Aterro, neste caso, é a formação de uma nova faixa de terra para receber instalações portuárias. O plano prevê uma área de águas profundas, preparada para embarcações que precisam de mais espaço sob o casco.
Boskalis, empresa global de dragagem e infraestrutura marítima, trouxe os números e os prazos do contrato, que inclui o reaproveitamento de parte do material retirado durante a dragagem.
O gelo encurta o tempo disponível para realizar a obra
A dragagem não poderá ocorrer livremente durante todos os meses do ano. As atividades serão realizadas nas temporadas sem gelo, quando as condições do mar permitem o trabalho de máquinas e embarcações.

Esse limite torna o cronograma mais apertado. A obra deve começar na primavera de 2027 e terminar antes de meados de agosto de 2030, aproveitando apenas os períodos em que o gelo não bloqueia as operações.
Além da retirada de sedimentos, o projeto prevê cuidados para reduzir impactos no mar. O trabalho incluirá barreiras para conter partículas na água e acompanhamento da turbidez, que mede o quanto a água fica carregada de material.
Canais mais fundos permitem transportar mais carga por viagem
A profundidade do canal pode mudar o tamanho do navio que chega a um porto. Quanto maior for o calado permitido, maior pode ser a embarcação usada para transportar minérios, combustíveis, máquinas e outras cargas.
No caso de Luleå, a expansão pretende quase dobrar a capacidade de carga por viagem, passando de 45.000 toneladas para até 85.000 toneladas. Isso pode reduzir a quantidade de viagens necessárias para transportar o mesmo volume de mercadorias.
O projeto também está ligado à demanda por exportações do norte da Suécia e da Finlândia. A região reúne atividades industriais que dependem de portos preparados para receber embarcações de maior porte.

Santos, Paranaguá e portos do Norte ajudam a entender o desafio
Santos, Paranaguá e os portos do Norte ajudam a visualizar por que a dragagem tem peso na economia. A profundidade do canal influencia diretamente o tamanho do navio que pode entrar e operar com segurança.
A diferença em Luleå está no gelo. Enquanto os portos brasileiros lidam com marés, correntes e acúmulo de material no fundo, o porto sueco também precisa encaixar a obra em uma janela limitada pela condição do mar.
Em todos esses casos, a dragagem tem uma função simples de entender: tirar o que impede a passagem e deixar o caminho mais fundo para os navios.
Projeto Malmporten já tem contrato, mas a obra ainda não começou
O contrato para a dragagem foi concedido pela Administração Marítima Sueca e pelo Porto de Luleå. Boskalis e Van Oord vão atuar juntas na execução dos trabalhos previstos no Projeto Malmporten.
A retirada dos 14 milhões de metros cúbicos ainda não começou. O cronograma marca o início para 2027 e estabelece a conclusão antes de meados de agosto de 2030.
A obra mostra que ampliar um porto não depende apenas de construir novos armazéns ou instalar guindastes. Em Luleå, o primeiro passo será mudar a profundidade do fundo do mar para abrir passagem a navios maiores.
O reaproveitamento de parte dos sedimentos também deverá criar terreno para novas operações portuárias, em uma região que tenta ampliar sua estrutura para atender a indústria verde.
Você acredita que portos brasileiros poderiam aproveitar mais material de dragagem para ampliar áreas de operação sem depender apenas de novos aterros?

