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O Brasil vai colher uma safra recorde de até 357 milhões de toneladas de grãos, mas não tem capacidade de armazenagem de boa parte dela, o déficit de armazenagem chegou ao maior nível da história e equivale a quase toda a produção da Argentina

Publicado em 28/05/2026 às 01:03
Atualizado em 28/05/2026 às 01:10
A capacidade de armazenagem do Brasil cobre 59% da safra de grãos. Déficit supera 124 milhões de toneladas. Conab aponta 225 milhões de capacidade.
A capacidade de armazenagem do Brasil cobre 59% da safra de grãos. Déficit supera 124 milhões de toneladas. Conab aponta 225 milhões de capacidade.
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O Brasil deve registrar na safra 2025/2026 uma produção estimada de até 350 milhões de toneladas de grãos, mas a capacidade de armazenagem do país é de 225,26 milhões de toneladas, cobrindo apenas 59% do volume colhido. Segundo informações do portal itatiaia, o déficit de capacidade de armazenagem supera 124 milhões de toneladas, equivalente a quase toda a produção agrícola da Argentina. Dados do painel da Companhia Nacional de Abastecimento mostram que o país tem 12.116 unidades armazenadoras, com o sistema de granel sólido respondendo por 202,41 milhões de toneladas e o convencional por 22,84 milhões.

O Brasil está prestes a colher a maior safra de grãos de sua história, mas não tem onde guardar quase metade dela. A capacidade de armazenagem do país alcançou 225,26 milhões de toneladas em 2026, segundo dados do Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras compilados pela Conab. O problema é que a produção estimada para a safra 2025/2026 chega a 350 milhões de toneladas. O déficit de capacidade de armazenagem supera 124 milhões de toneladas, o maior da história brasileira, volume que equivale a quase toda a produção agrícola da Argentina e que obriga produtores a vender às pressas ou deixar grãos expostos a perdas.

A defasagem entre produção e capacidade de armazenagem não é nova, mas se agravou nos últimos anos porque a safra cresce mais rápido do que os investimentos em infraestrutura de estocagem. A capacidade de armazenagem avançou 60% desde 2010, passando de 140,55 milhões para 225,26 milhões de toneladas, com crescimento médio anual de 2,99%. No mesmo período, a produção de grãos mais que dobrou, ampliando o abismo entre o que o Brasil colhe e o que consegue estocar.

Os números da capacidade de armazenagem em 2026

imagem ilustrativa/explicativa
imagem ilustrativa/explicativa

O sistema brasileiro de estocagem é composto por 12.116 unidades armazenadoras e 18.752 Certificados de Depósito Agropecuário. Do total de 225,26 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem, o sistema de granel sólido representa 202,41 milhões de toneladas, enquanto o armazenamento convencional responde por 22,84 milhões de toneladas.

A armazenagem em nível de fazenda avançou em ritmo mais acelerado que a média nacional, com crescimento de 3,65% ao ano. O volume estocado nas propriedades rurais saltou de 20,98 milhões de toneladas em 2010 para 37,25 milhões em 2026. A participação das fazendas na capacidade de armazenagem total também cresceu, atingindo pico de 17,01% em 2023 antes de recuar levemente para 16,54% em 2026.

Onde está concentrada a capacidade de armazenagem

A infraestrutura de capacidade de armazenagem permanece concentrada nas principais regiões produtoras. O Centro-Oeste lidera com 92,63 milhões de toneladas e 3.158 unidades, seguido pela região Sul com 74,21 milhões de toneladas e o maior número de unidades armazenadoras do país, somando 5.526.

O Sudeste possui 33,10 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem, enquanto o Nordeste conta com 16,61 milhões e o Norte com 8,69 milhões. Entre os estados, Mato Grosso lidera com 57,9 milhões de toneladas, seguido por Paraná com 35,9 milhões e Rio Grande do Sul com 33,4 milhões. A concentração reflete a geografia da produção de grãos, mas deixa regiões de expansão agrícola, como o MATOPIBA, com infraestrutura insuficiente para os volumes de grãos colhidos. A Conab monitora a evolução da capacidade por meio do painel de armazenagem, que evidencia as disparidades regionais.

O que o déficit de capacidade de armazenagem causa na prática

Quando o produtor colhe e não tem onde estocar, é obrigado a vender imediatamente, independentemente do preço de mercado. Essa pressão de oferta no período de colheita derruba as cotações e transfere o poder de negociação para os compradores, reduzindo a renda do agricultor que não consegue esperar por momentos mais favoráveis para comercializar seus grãos.

Além da perda financeira, o déficit de capacidade de armazenagem gera perdas físicas. Grãos armazenados em condições inadequadas sofrem com umidade, pragas e contaminação, reduzindo a qualidade e o valor do produto. O transporte também é afetado: sem estocagem, a logística se concentra nos meses de colheita, sobrecarregando rodovias, ferrovias e portos em um período curto e elevando os custos de frete.

O que precisa mudar para a capacidade de armazenagem acompanhar a safra

O crescimento anual de 2,99% na capacidade de armazenagem é insuficiente para acompanhar a expansão da produção. Para que o déficit pare de crescer, o ritmo de construção de novos silos e armazéns precisaria pelo menos dobrar, exigindo investimentos que o setor privado sozinho não tem conseguido realizar na velocidade necessária.

O governo federal mantém linhas de crédito subsidiadas para construção de armazéns em propriedades rurais, e a Conab recomenda que a capacidade estática ideal corresponda a pelo menos 120% da produção. A adesão, porém, depende de condições de financiamento, burocracia de licenciamento e capacidade de investimento do produtor. O aumento da participação das fazendas na capacidade de armazenagem total, de 14,93% em 2010 para 16,54% em 2026, mostra que o movimento existe, mas está longe de resolver um déficit que, segundo a Conab, já supera 124 milhões de toneladas e cresce a cada safra recorde.

Você sabia que o Brasil não tem onde guardar quase metade da safra que colhe? Acha que o problema é falta de investimento, burocracia ou o crescimento rápido demais da produção? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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