Projeto da chinesa Gotion High-Tech prevê investimento inicial de cerca de 950 milhões de euros, duas fábricas em Valladolid, produção de cátodos, reciclagem de baterias e até 1.000 empregos diretos após a operação
A gigafábrica de baterias da Gotion High-Tech em Valladolid, na Espanha, recebeu aval para 138 milhões de euros em subsídios públicos. O projeto, estimado em cerca de 950 milhões de euros nesta primeira fase, prevê duas unidades industriais e mira a produção e reciclagem de componentes estratégicos para veículos elétricos.
Subsídio destrava projeto bilionário em Valladolid
O Ministério da Indústria e do Turismo da Espanha aprovou os recursos que permitirão à chinesa Gotion High-Tech avançar com sua primeira gigafábrica de baterias fora da Ásia.
A decisão foi confirmada pela Sociedade Estatal de Promoção Industrial e Desenvolvimento Empresarial, a Sepides.
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Os subsídios fazem parte da quinta edição do PERTE do Veículo Elétrico e Conectado, o PERTE VEC V. A concessão consolida uma aprovação preliminar anunciada em maio deste ano.
O pacote será dividido entre duas frentes. A unidade de reciclagem de baterias e recuperação de materiais críticos, conhecidos como “black mass” ou massa negra, receberá 82,3 milhões de euros.
Já a fábrica de cátodos ficará com 55,9 milhões de euros. A distribuição dos recursos foi confirmada pelo ministro da Indústria, Jordi Hereu.

Cátodos tornam fábrica estratégica para veículos elétricos
O cátodo é um dos componentes de maior valor nas baterias. Segundo o Ministério dos Transportes, ele representa cerca de 60% do valor total de uma bateria.
Até agora, nenhuma fábrica da União Europeia produz esse componente. Por isso, a unidade de Valladolid é tratada como uma etapa relevante para reduzir parte da dependência europeia da Ásia nesse segmento.
Durante a apresentação do projeto, o ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que a ideia não era simplesmente “fabricar baterias, algo que já é feito em muitos lugares”, mas “abrir um novo caminho”.
O orçamento estimado pela Sepides é de 411,5 milhões de euros para uma das fábricas e 539,1 milhões de euros para a outra.
Os 138 milhões de euros em recursos públicos equivalem a cerca de 15% do investimento previsto para a primeira fase.

Projeto prevê 2.500 empregos na construção e 1.000 vagas diretas
A Gotion High-Tech atua em toda a cadeia produtiva das baterias, da extração e transformação de matérias-primas até a reciclagem final.
A empresa mantém relações comerciais com a Volkswagen e possui fábricas próprias na Alemanha e na Eslováquia.
A unidade de Valladolid deverá receber matéria-prima do Marrocos. A empresa também afirma que o projeto servirá como plataforma de exportação para a América Latina.
Segundo dados divulgados pela própria Gotion, a construção das duas fábricas deve gerar cerca de 2.500 postos de trabalho.
Depois do início das operações, as unidades devem empregar aproximadamente 1.000 trabalhadores de forma direta.
A primeira fase, ligada à fábrica de reciclagem, tem início de construção previsto para 2027. As instalações ocuparão cerca de 700.000 metros quadrados de área industrial.
Terrenos, energia solar e regras urbanísticas ainda precisam avançar
Mesmo com a aprovação do subsídio, a gigafábrica de baterias ainda depende de etapas administrativas e estruturais.
O projeto está condicionado à construção de uma usina solar de grande porte para abastecer as fábricas.
Essa usina poderá exigir até mil hectares adicionais de terreno. Também será necessário alterar o Plano Geral de Ordenamento Urbano de Valladolid.
A expectativa, segundo o El Economista, é que a aprovação provisória dessa alteração ocorra em 27 de julho. A decisão final, porém, caberá ao governo regional de Castela e Leão.
A Prefeitura de Valladolid, administrada por uma coalizão entre PP e Vox, já assinou carta de intenções para ceder os terrenos. A área inicial será de 70 hectares, com possibilidade de ampliação para até 120 hectares.
Segundo o El Confidencial, o prefeito Jesús Julio Carnero afirmou manter “contato permanente” com os executivos chineses e prometeu agilizar os trâmites necessários.
O projeto foi retomado depois que a eslovaca InoBat, que também havia recebido recursos públicos para se instalar em Valladolid, desistiu do plano sem apresentar as garantias financeiras exigidas.
Óscar Puente, prefeito da cidade entre 2015 e 2023 e hoje ministro dos Transportes, foi um dos principais articuladores da iniciativa.
Ele classificou o projeto como o maior investimento industrial em Valladolid desde a chegada da Renault, em 1953.
A Gotion considera essa primeira fase apenas o início de um plano maior. Segundo informações da própria empresa, o investimento total poderá chegar a 5 bilhões de euros e incluir até oito fábricas em Valladolid.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Ministério da Indústria e do Turismo da Espanha, Sepides, Ministério dos Transportes da Espanha, Gotion High-Tech, El Economista e El Confidencial, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

