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O pai fundou a Arezzo numa garagem de Belo Horizonte em 1972 e amargou dois anos de prejuízo, o filho criou a própria marca de sapatos aos 18 e, como CEO, levou o negócio à fusão que criou a gigante “Azzas 2154”, com mais de 30 marcas, 2 mil lojas e um IPO que levantou R$ 565 milhões

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 08/07/2026 às 18:30 Atualizado em 08/07/2026 às 18:33
Arezzo: da garagem de BH em 1972 à fusão que criou a Azzas 2154, pai e filho Birman construíram um gigante de 30 marcas e 2 mil lojas.
Arezzo: da garagem de BH em 1972 à fusão que criou a Azzas 2154, pai e filho Birman construíram um gigante de 30 marcas e 2 mil lojas.
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Anderson Birman acertou a mão com um modelo Anabela para o público feminino, e Alexandre, que aos 13 anos já dominava a fabricação de calçados, fundou a Schutz em 1995, assumiu o comando em 2013 e dobrou a companhia antes da união com o Grupo Soma

Poucas famílias brasileiras carregam um sobrenome tão amarrado a um produto quanto os Birman aos sapatos. Segundo o InfoMoney, a Arezzo foi fundada em 1972 por Anderson Birman, em Belo Horizonte, começando com produção artesanal na garagem da família e amargando prejuízo nos dois primeiros anos, até o sucesso chegar com o modelo Anabela, voltado ao público feminino.

Meio século depois, o negócio da garagem virou colosso: a companhia comandada pelo filho, Alexandre Birman, se uniu em 2024 ao Grupo Soma dando origem à Azzas 2154, holding com mais de 30 marcas e cerca de 2 mil lojas, segundo a Suno. No caminho, teve filho competindo com pai, IPO histórico e uma pandemia que quase zerou o caixa.

O menino que aos 13 já sabia fazer um sapato inteiro

O herdeiro não cresceu no escritório, cresceu na fábrica. Alexandre Café Birman, nascido em Belo Horizonte em 1976, dominava aos 13 anos todo o processo de fabricação de um calçado e, aos 17, foi estudar sapataria num curso técnico na Itália, segundo o InfoMoney. O sobrenome do meio, Café, veio de uma bisavó cafeicultora, como se a história econômica do país atravessasse o nome da família.

Em vez de esperar a cadeira do pai, ele criou a própria: em 1995, aos 18 anos, fundou a Schutz, que começou mirando o público masculino e virou a chave para o feminino em 1999, até abrir a primeira loja na Oscar Freire, em São Paulo, em 2009, de acordo com o InfoMoney. Pai e filho construíram marcas concorrentes antes de juntá-las sob o mesmo teto.

A união das marcas, a Tarpon e o IPO no aniversário do pai

Arezzo: da garagem de BH em 1972 à fusão que criou a Azzas 2154, pai e filho Birman construíram um gigante de 30 marcas e 2 mil lojas.
Sapatos femininos de salto, imagem ilustrativa. Foto: N509FZ (CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons).

A profissionalização veio em etapas calculadas. A gestora Tarpon investiu R$ 76,3 milhões por 25% da companhia na estruturação da Arezzo&Co, e o IPO aconteceu em 2 de fevereiro de 2011, dia do aniversário de Anderson, com a ação saindo a R$ 19, no teto da faixa, levantando R$ 565,8 milhões e subindo quase 12% no primeiro dia, segundo o InfoMoney. A empresa de sapatos da garagem mineira virou queridinha da bolsa.

Dali em diante, as ações acumulariam alta de cerca de 300% desde a estreia, com o mercado premiando um modelo raro no varejo brasileiro: marcas fortes, fábrica enxuta e expansão disciplinada por franquias e lojas próprias.

O filho assume, estuda em Harvard e dobra a empresa

A sucessão foi preparada como projeto. Alexandre assumiu como CEO em 2013, depois de frequentar em Harvard uma disciplina de gestão avançada para presidentes, e sob o comando dele a companhia praticamente dobrou, chegando em 2019 a R$ 1,6 bilhão de receita líquida, lucro de R$ 162 milhões, 14,5 milhões de pares vendidos, 750 lojas físicas e mais de 2.700 pontos de venda, segundo o InfoMoney. O herdeiro provou que não era só herdeiro.

No mesmo período, ele multiplicou o portfólio, lançando marcas como Anacapri, de preço acessível, e fechando em 2019 a distribuição exclusiva da americana Vans no Brasil, por R$ 50 milhões, o primeiro movimento não orgânico da companhia em quase 50 anos, de acordo com o InfoMoney. A casa de uma marca só virou plataforma de várias.

A pandemia que sumiu com 90% do faturamento

Arezzo: da garagem de BH em 1972 à fusão que criou a Azzas 2154, pai e filho Birman construíram um gigante de 30 marcas e 2 mil lojas.
Calçados femininos em exposição, imagem ilustrativa. Foto: N509FZ (CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons).

O teste de fogo veio em março de 2020. Com o fechamento das lojas na pandemia, 90% do faturamento da companhia desapareceu, e a resposta foi uma virada digital em tempo recorde, com vendas migrando para o site, o WhatsApp e o Instagram, segundo o InfoMoney. A empresa que vivia de vitrine física aprendeu a vender por mensagem em questão de semanas.

A crise acabou acelerando a transformação que já estava no plano: o digital deixou de ser canal acessório e virou músculo permanente da operação, preparando o terreno para o movimento mais ousado da história da casa.

A fusão que criou um gigante de 30 marcas

O capítulo atual redesenhou o varejo de moda brasileiro. Em 2024, a companhia dos Birman se uniu ao Grupo Soma, dono de algumas das marcas de roupa mais valiosas do país, dando origem à Azzas 2154, uma holding com mais de 30 marcas e cerca de 2 mil lojas, segundo a Suno. Calçado e vestuário, dois mundos que sempre andaram separados no varejo nacional, passaram a responder ao mesmo grupo.

Para o consumidor, o efeito é invisível e gigante ao mesmo tempo: boa parte das vitrines de shopping que ele percorre pertence agora à mesma companhia. Para o mercado, é a aposta de que escala e portfólio são a defesa definitiva num varejo espremido por juros e concorrência internacional.

A lição de meio século: cada geração refunda a empresa

A história dos Birman ensina algo raro sobre longevidade nos negócios. Anderson fundou, errou dois anos, acertou com a Anabela e construiu a marca; Alexandre não administrou a herança, criou uma concorrente aos 18, trouxe método, dobrou a empresa e a fundiu num grupo maior: cada geração tratou o negócio como algo a ser refundado, não apenas mantido. É o antídoto contra a regra que diz que a terceira geração destrói o que a primeira construiu.

Da garagem mineira à holding de 2 mil lojas, o sapato dos Birman atravessou meio século sempre um passo à frente.

Conta pra gente nos comentários: você sabia que Arezzo e Schutz nasceram de pai e filho competindo entre si, e acha que herdeiro tem que começar criando o próprio negócio?

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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