A empresa de Araucária, fundada em 2008 por Bruno Borgonovo e Ricardo Lecink, projeta passar de R$ 300 milhões em 2026, lança a linha Brilhaê que mistura papelaria e maquiagem para o público de 7 a 15 anos e investiu R$ 40 milhões numa nova sede de 16 mil metros quadrados
Em 7 de julho de 2026, a Pequenas Empresas & Grandes Negócios revelou os números de uma empresa paranaense que transformou material escolar em objeto de desejo. Segundo a PEGN, a BRW, com sede em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, faturou R$ 242 milhões em 2025, cresce 20% ao ano e projeta ultrapassar R$ 300 milhões em 2026.
A arma mais nova da empresa é a linha Brilhaê, que funde papelaria e maquiagem para meninas de 7 a 15 anos: são 32 produtos, sendo 11 híbridos inéditos e patenteados, como o marca-texto com gloss labial acoplado, o carimbo com protetor labial e o marca-texto com carimbo na tampa e esmalte à base d’água embaixo. É o tipo de invenção que parece brincadeira e movimenta milhões.
O jovem de 21 anos, o aporte da família e o “W” do nome
A história da BRW começou em 2008, quando Bruno Borgonovo, aos 21 anos e recém-chegado de um intercâmbio no Canadá, recebeu R$ 200 mil do pai e do tio, donos da holding industrial Wave, para começar um negócio próprio, segundo a PEGN. Daí vem o nome: o “B” de Bruno, o “R” do sócio e cofundador Ricardo Lecink, e o “W” da Wave, a holding da família, que tem tradição no setor automotivo e fábrica na China, embora a BRW mantenha gestão independente.
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Ele perdeu o emprego numa fábrica de calçados no início dos anos 1990, vendeu ferramenta na porta de banco e padaria em Franca para sustentar a família e fundou a Loja do Mecânico, que hoje tem 19 lojas, projeta faturamento de R$ 1,2 bilhão e acaba de abrir a primeira unidade na capital paulista
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O pai fundou a Arezzo numa garagem de Belo Horizonte em 1972 e amargou dois anos de prejuízo, o filho criou a própria marca de sapatos aos 18 e, como CEO, levou o negócio à fusão que criou a gigante “Azzas 2154”, com mais de 30 marcas, 2 mil lojas e um IPO que levantou R$ 565 milhões
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O desenho de largada também foi diferente do padrão: em vez de fabricar, a empresa nasceu importando matéria-prima sob encomenda da China, licenciando e distribuindo, primeiro com brindes corporativos, depois migrando para a papelaria com marca própria ao enxergar o potencial do segmento. “Obviamente, a gente se espelha nessa trajetória, mas não é o mesmo negócio”, disse Borgonovo à PEGN sobre a relação com a empresa da família.
A aposta na papelaria “fofa” que virou mina de ouro

O salto veio quando a empresa decidiu ditar tendência em vez de seguir. Entre 2020 e 2021, a BRW cresceu 70% ao apostar na inovação dentro do setor, e o CEO resume a tese: “A papelaria é um universo de oportunidades. A BRW foi uma das pioneiras na pandemia ao trazer pro mercado brasileiro a proposta da papelaria fofa e divertida”, afirmou à PEGN. O caderno deixou de ser item de lista obrigatória e virou acessório de identidade.
Para sustentar a máquina de tendências, a companhia montou um time interno que monitora comportamento do consumidor, mercados vizinhos como moda e até as cores da Pantone, e agora amplia esse departamento para dedicá-lo à pesquisa e desenvolvimento. A missão é acompanhar uma geração que consome tendência na velocidade do feed.
20 mil pontos de venda e 87% dos municípios médios do país
A capilaridade da operação impressiona para uma empresa de 176 funcionários. São 2,2 mil itens no catálogo, cerca de 4 mil pedidos expedidos por mês e presença em 20 mil pontos de venda, alcançando 87% dos municípios brasileiros com mais de 30 mil habitantes, além de exportações para Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai, segundo a PEGN. Até o fim de 2026, a meta é lançar 240 produtos.
A logística que sustenta esse alcance ganhou casa nova. De acordo com a Gazeta do Povo, a BRW investiu R$ 40 milhões na nova sede na região de Curitiba, um complexo de 16 mil metros quadrados que triplicou a estrutura anterior e opera com automação como o picking by light, sistema que usa luzes para guiar os operadores na separação dos pedidos, sem lista manual.
As 11 patentes e a resposta às cópias

A linha Brilhaê marca uma virada de postura da empresa. A BRW solicitou 11 patentes para os lançamentos híbridos desenvolvidos internamente, inaugurando uma fase de defesa de propriedade intelectual, e em junho a companhia bateu a meta de ter 5% da receita anual vinda de inovação, puxada pelas encomendas da nova linha, segundo a PEGN. Inovar atrai copiador, e a empresa aprendeu a se blindar.
O próprio CEO trata o assunto sem drama: “Antigamente, a gente até ficava um pouco chateado com as imitações. Hoje, enxergamos que, quando você é referência em algo, é natural que as pessoas copiem. Então, as patentes também servem para nos blindar em movimentos mais estratégicos”, disse à PEGN. A empresa também fez rebranding, trocando a estrela do logotipo por um ponto final.
Play-Doh, Pringles e o plano de conquistar Europa e Estados Unidos
O portfólio de 2026 mostra o apetite da marca. Além das linhas próprias, a BRW aposta em licenciamentos globais como produtos da Play-Doh, borrachas em formato das batatas Pringles e materiais escolares do Senninha, e mira a expansão internacional além da América do Sul, com foco na Europa e nos Estados Unidos, segundo a PEGN. Toda a produção já sai de fábrica com embalagem trilíngue, em português, espanhol e inglês.
A ponte para o mundo já existe dentro de casa: a holding da família opera fábrica na China que exporta para mais de 60 países e mantém centro de distribuição na Polônia. “Quem exporta para a América do Sul exporta para qualquer lugar. Isso não é uma limitação pra gente”, resumiu Borgonovo à PEGN.
O que essa história ensina sobre inventar em mercado comum
A BRW cresce num setor que muita gente considera commodity, e é exatamente aí que mora a lição. Papelaria é mercado maduro, disputado por gigantes, e mesmo assim uma empresa do Paraná encontrou espaço de R$ 242 milhões inventando o que ninguém tinha pensado: transformar o material escolar em acessório de moda para adolescente, com patente e tudo. Não foi preço nem escala que abriram o caminho, foi criatividade com método.
Do aporte familiar de R$ 200 mil ao plano de atravessar o Atlântico, a empresa mostra que produto “fofo” pode ser negócio sério.
Conta pra gente nos comentários: você compraria um marca-texto com gloss pra filha, ou acha que papelaria e maquiagem não deviam se misturar?
