Pesquisadores registram lula gigante rara em vídeo de alta definição no Oceano Atlântico. Confira detalhes sobre este animal enigmático das profundezas.
Uma equipe do Instituto Oceânico Schmidt, dos Estados Unidos, registrou imagens raras e em alta definição de duas lulas do gênero Magnapinna durante uma expedição científica realizada no Oceano Atlântico em junho de 2026. O encontro com a lula gigante ocorreu a 4.300 metros de profundidade, na região conhecida como Zona de Fratura de Doldrums, uma vasta cadeia de montanhas submarinas marcada por intensa atividade tectônica.
A filmagem, captada pelo veículo submarino operado remotamente (ROV) SuBastian, é considerada um feito excepcional, visto que a espécie está entre os cefalópodes mais misteriosos e menos observados pela ciência mundial.
Do fenômeno da internet para a ciência detalhada
A fama dessas criaturas começou em 2007, após um vídeo gravado próximo a uma plataforma de petróleo no Golfo do México viralizar Devido à baixa qualidade técnica daquela época, com imagens instáveis e iluminação verde, o animal acabou sendo erroneamente associado a criaturas extraterrestres.
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A nova expedição, contudo, mudou essa perspectiva ao utilizar o veículo submarino operado remotamente (ROV) SuBastian.
As imagens de alta definição capturadas agora:
- Oferecem uma visão clara da anatomia desses cefalópodes.
- Demonstram que a aparência “assustadora” observada em 2007 era apenas fruto das limitações tecnológicas daquele período.
- Permitem uma observação detalhada que auxilia no entendimento biológico do animal.

Características de um animal enigmático
A aparência incomum da lula Magnapinna começa pelas grandes nadadeiras posicionadas no alto da cabeça, característica que inspirou seu nome em latim, cujo significado é “grande barbatana”. Essas estruturas, com formato semelhante ao de um coração, permitem que o animal se movimente lentamente pelas profundezas do oceano.
Apesar disso, o aspecto mais impressionante está nos tentáculos. Extremamente finos e desproporcionais em relação ao corpo, eles podem se estender por vários metros, conferindo à espécie uma silhueta única entre os cefalópodes.
O maior indivíduo já registrado pelos pesquisadores media 6,4 metros de comprimento, sendo que cerca de 6,1 metros correspondiam exclusivamente aos tentáculos. Até o momento, a ciência reconhece oficialmente apenas três espécies do gênero — Magnapinna atlantica, Magnapinna pacifica e Magnapinna talismani.
A importância de investigar o desconhecido
O avistamento de dois indivíduos juntos é considerado um fato excepcional, visto que, até hoje, apenas algumas dezenas de observações desse gênero foram registradas globalmente. A descoberta reforça que, mesmo em áreas estudadas por décadas, as profundezas oceânicas permanecem como uma fronteira de mistérios.
Aaron Micallef, cientista-chefe da expedição Doldrums e pesquisador sênior do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), expressou a relevância do momento em um comunicado público. Segundo Micallef, o evento confirma que “Esta expedição mostrou que mesmo num dos cantos mais remotos do oceano, o nosso planeta permanece vivo, dinâmico e cheio de surpresas ”.
Assim, a lula gigante do gênero Magnapinna continua a fascinar especialistas e a provar que a exploração científica submarina é vital para a compreensão da biodiversidade terrestre.
Com informações da Revista Galileu
