Rotina sobre rodas une trabalho remoto, custo de moradia e um roteiro ambicioso, em uma mudança planejada por jovens do litoral paulista que transformaram um veículo em endereço, escritório e ponto de partida para viagens cada vez mais longas pelo mundo.
Gabriel Rosa Santos e Larissa Schunck Losano, ambos de 26 anos, trocaram o apartamento alugado em Praia Grande, no litoral de São Paulo, por uma van adaptada artesanalmente para servir como motorhome.
O casal deixou a moradia fixa e passou a tratar o veículo como casa, meio de transporte e base de trabalho, dentro de uma rotina planejada para caber na estrada, segundo reportagem do THMais.
A história envolve uma decisão construída antes da mudança definitiva, já que os dois viviam de aluguel, gostavam de viajar e buscavam outro formato de moradia.
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Casal troca aluguel por motorhome em Praia Grande
Com o trabalho remoto como ponto de partida, Gabriel e Larissa conseguiram reorganizar a vida sem depender de um endereço fixo para manter a renda, condição essencial para transformar a van em moradia sobre rodas.
Gabriel mantém uma agência publicitária, enquanto Larissa dá aulas online de inglês, o que permitiu ao casal adaptar a rotina profissional ao deslocamento e planejar viagens sem romper completamente com as atividades de trabalho.

Segundo Gabriel, os custos envolvidos no projeto não ficaram muito diferentes dos gastos de um aluguel fixo, avaliação que ajudou o casal a avançar com a reforma e abandonar o modelo tradicional de moradia.
Durante oito meses, a van passou por uma adaptação artesanal até ganhar estrutura para dormir, cozinhar, trabalhar e guardar objetos, sempre com foco em aproveitar ao máximo o espaço disponível no interior do veículo.
Ainda na fase de construção do motorhome, Gabriel e Larissa já tinham rodado cerca de 18 mil quilômetros.
Esse percurso indica que o veículo não ficou restrito à obra, pois também foi testado em viagens reais enquanto o casal ajustava a estrutura interna e avaliava as necessidades da vida na estrada.
Van adaptada virou casa, escritório e transporte
Dentro do motorhome, cada área precisou cumprir mais de uma função, porque quarto, cozinha, sala, escritório e circulação passaram a dividir uma estrutura compacta, muito diferente da divisão encontrada em uma moradia convencional.
Para manter a van funcional, objetos, móveis e equipamentos tiveram de ser escolhidos com cuidado, já que qualquer excesso pode comprometer o conforto, dificultar o deslocamento interno e reduzir a praticidade da casa móvel.
A organização do espaço se tornou parte da rotina diária, pois o casal precisa conciliar trabalho, descanso, alimentação e deslocamento dentro de um ambiente reduzido, sem a separação típica entre cômodos de um apartamento.
A primeira meta definida por Gabriel e Larissa foi conhecer todos os estados brasileiros.
Depois dessa etapa, o plano informado pelo casal inclui América do Sul, América Central, Estados Unidos, Canadá e Alasca, antes da chegada à Europa e da escolha de novos destinos internacionais.
Roteiro começa no Brasil e mira outros continentes
Com início previsto dentro do país, a rota dá ao projeto uma dimensão maior do que uma viagem temporária, pois o casal pretende passar por todos os continentes e decidir os próximos caminhos a partir da experiência acumulada.

A decisão tomada em Praia Grande também muda a função do veículo, que deixou de ser apenas transporte e passou a reunir moradia, escritório e ponto de partida para deslocamentos longos entre cidades, estados e países.
No lugar do apartamento alugado, a van assumiu o centro da rotina do casal, reunindo em poucos metros quadrados atividades que antes dependiam de endereço fixo, contas domésticas tradicionais e espaços separados para viver e trabalhar.
Embora a liberdade de movimento chame atenção, viver em uma casa sobre rodas exige planejamento constante para lidar com paradas, manutenção, deslocamentos, abastecimento, organização interna e escolha de locais adequados para permanência.
Trabalho remoto sustenta vida na estrada
Como Gabriel e Larissa dependem de atividades online, a conexão à internet, a energia disponível e os pontos de parada entram no planejamento com a mesma importância dada ao roteiro de viagem.
Essa necessidade torna o trabalho remoto uma condição prática, não apenas um detalhe da história, já que a renda do casal precisa continuar funcionando enquanto a van atravessa diferentes cidades e regiões.
Ao contrário de uma casa alternativa instalada em terreno, chácara ou marina, o motorhome acompanha os moradores pelas estradas e permite mudar de cidade sem desmontar a própria rotina doméstica e profissional.
A escolha também dialoga com uma dificuldade comum a muitos brasileiros, porque o custo de manter uma moradia alugada pesa no orçamento e leva parte das pessoas a buscar formas diferentes de morar.

No caso de Gabriel e Larissa, a resposta encontrada foi transformar um veículo em casa, reorganizar os gastos e ajustar o trabalho à mobilidade, sem apresentar a mudança como solução simples ou aplicável a qualquer realidade.
Espaço reduzido exige escolhas diárias
Mesmo com a proposta de liberdade, a vida na van impõe limites claros ao casal, especialmente porque móveis grandes, acúmulo de objetos e compras sem planejamento não combinam com uma moradia compacta.
Cada compartimento ocupado interfere na circulação e no conforto, o que obriga Gabriel e Larissa a selecionar apenas o que precisa estar a bordo para trabalhar, cozinhar, dormir e viajar.
A reforma de oito meses reforça que o projeto exigiu tempo, investimento e reorganização prática antes de se tornar rotina.
O motorhome não foi comprado pronto, mas construído artesanalmente para atender às necessidades específicas do casal, que precisou adaptar a casa móvel ao próprio modo de trabalhar, viajar e viver.
Na prática, a experiência mostra como o conceito de casa pode mudar quando o trabalho deixa de depender de um endereço único e o aluguel deixa de ser a única referência possível de moradia.
Para Gabriel e Larissa, a van passou a representar casa, estrada e autonomia, dentro de um roteiro que começa pelos estados brasileiros e se projeta para outros países e continentes.
A etapa nacional funciona como ponto de partida de uma escolha mais ampla, na qual o casal inverteu a ordem tradicional de primeiro comprar um imóvel e só depois transformar a viagem em projeto de vida.
