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Ele perdeu o emprego numa fábrica de calçados no início dos anos 1990, vendeu ferramenta na porta de banco e padaria em Franca para sustentar a família e fundou a Loja do Mecânico, que hoje tem 19 lojas, projeta faturamento de R$ 1,2 bilhão e acaba de abrir a primeira unidade na capital paulista

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 08/07/2026 às 18:36 Atualizado em 08/07/2026 às 18:40
Loja do Mecânico: demitido de fábrica de calçados virou camelô de ferramentas em Franca e fundou a rede que hoje projeta R$ 1,2 bilhão de faturamento.
Loja do Mecânico: demitido de fábrica de calçados virou camelô de ferramentas em Franca e fundou a rede que hoje projeta R$ 1,2 bilhão de faturamento.
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Márcio Gurgel quase desistiu quando as vendas travaram, ouviu dos próprios mecânicos que revendia ferramenta de baixa qualidade, anotou as marcas que eles recomendavam e refez o caminho em 1993, e hoje o filho Thiago, que virou programador do site aos 14 anos, é o diretor de tecnologia da empresa

Nos anos 1990, em Franca, no interior de São Paulo, um demitido da indústria de calçados decidiu empreender para pagar as contas. Segundo a Exame, Márcio Gurgel passou a vender ferramentas na porta de bancos, padarias e restaurantes da cidade, e daquela banca de camelô nasceria uma das principais redes de varejo especializadas em ferramentas e equipamentos do Brasil.

Três décadas depois, a Loja do Mecânico soma 19 lojas físicas, a grande maioria em São Paulo e uma em Minas Gerais, projeta faturamento de R$ 1,2 bilhão e inaugurou sua primeira unidade na capital paulista, no bairro de Interlagos, segundo a Exame. Entre a calçada de Franca e o bilhão projetado, a história é uma aula de ouvir o cliente.

O camelô que quase desistiu

O começo foi o retrato da urgência. Sem o emprego na fábrica de calçados, Márcio teve dificuldades em manter o negócio por ser um camelô e chegou a pensar em desistir, segundo a Exame. O plano era liquidar o que restava do estoque e procurar outro rumo.

Foi na tentativa de vender as últimas peças que veio a virada. Ao oferecer o restante dos produtos para mecânicos, ele descobriu que estava vendendo ferramentas de baixa qualidade, e os profissionais passaram a recomendar as marcas boas, que Márcio anotou e foi buscar em São Paulo, de acordo com a Exame. Em vez de brigar com o diagnóstico dos clientes, transformou a crítica em lista de compras.

De Gurgel Ferramentas a Loja do Mecânico

Ferramentas manuais sobre bancada de madeira, imagem ilustrativa. Foto: A S M Jobaer (CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons).
Ferramentas manuais sobre bancada de madeira, imagem ilustrativa. Foto: A S M Jobaer (CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons).

A escuta virou empresa. De pouco em pouco, ele cresceu a clientela na região de Franca até abrir a Gurgel Ferramentas, em 1993, e foi só em 2006 que o negócio ganhou o nome atual, Loja do Mecânico, passando a crescer tanto no digital quanto no físico, segundo a Exame. O nome novo carrega o público-alvo na testa: a loja é do profissional que vive da ferramenta.

O catálogo acompanhou essa vocação. Com um portfólio que vai de acessórios simples a grandes equipamentos industriais, a marca atende principalmente profissionais dos setores automotivo, de marcenaria, construção civil e do “faça você mesmo”, com a promessa de manter preços competitivos e trabalhar com marcas reconhecidas, de acordo com a Exame. É o arsenal completo de quem trabalha com as mãos, do parafuso ao maquinário pesado.

O filho que virou programador do site aos 14 anos

A segunda geração entrou na empresa pelas férias escolares. Ainda criança, Thiago Gurgel acompanhava o pai no trabalho durante as férias, visitando oficinas, fazendo viagens de negócios ou ficando no escritório, e por volta dos 14 anos começou a fazer cursos de programação para melhorar o site da Loja do Mecânico, segundo o Terra. O menino que rodava oficina com o pai virou o construtor da loja virtual.

E não foi um hobby passageiro. Thiago cresceu dentro da empresa, permaneceu como o único programador da Loja do Mecânico até 2015 e, formado em Administração, cuida hoje da tecnologia e da gestão de pessoas, de acordo com o Terra. O espírito da casa, ele resume na frase dita à Exame: “Meu pai queria que o mecânico achasse tudo em um lugar só. É o mesmo espírito que mantemos até hoje”.

O fundo, os “hubs” e o CEO da nova fase

Ferramentas antigas organizadas em parede de oficina, imagem ilustrativa. Foto: Syced (CC0, Wikimedia Commons).
Ferramentas antigas organizadas em parede de oficina, imagem ilustrativa. Foto: Syced (CC0, Wikimedia Commons).

A profissionalização ganhou capítulo decisivo em 2020. A entrada do fundo EB Capital impulsionou a criação de lojas físicas com função também logística, os chamados hubs de venda e distribuição, e hoje o comando executivo da empresa está nas mãos do CEO Guilherme Favaro, que lidera a integração dos canais e o projeto de crescimento acelerado, segundo a Exame. A empresa de família ganhou músculo de gestão sem perder os Gurgel de dentro.

A nova loja de Interlagos estreia esse desenho na capital. A unidade oferece uma jornada omnichannel: o cliente pode comprar no site ou no aplicativo e retirar o produto na própria loja, conforme a Exame. A loja física deixa de ser só vitrine e vira ponto de apoio do e-commerce que o filho do fundador começou a programar aos 14 anos.

O setor que saiu da informalidade

O crescimento da rede conta também a história do mercado em que ela vive. A trajetória da Loja do Mecânico ilustra a profissionalização de um setor que, por muito tempo, foi dominado por pequenas lojas de bairro e fornecedores informais, segundo a Exame. O balcão de ferramentas, que era negócio de esquina sem nota e sem garantia, virou varejo estruturado de rede, com marca, aplicativo e centro de distribuição.

A leitura possível é que a empresa venceu aplicando ao setor inteiro a mesma lição do fundador na calçada: o profissional sabe exatamente o que precisa, e quem o leva a sério fica com o cliente. Foi assim com as marcas anotadas no caderninho do camelô, e é assim com a jornada omnichannel de hoje.

A lição do homem que ouviu a crítica em vez de brigar com ela

A história de Márcio Gurgel tem um ponto de virada que muita gente ignoraria. Quando os mecânicos disseram que a ferramenta dele era de baixa qualidade, ele não defendeu o estoque: anotou as marcas recomendadas, foi buscá-las em São Paulo e reconstruiu o negócio sobre a recomendação dos próprios clientes, como registram Exame e Terra. A crítica ouvida na quase-desistência é a origem da rede que hoje projeta R$ 1,2 bilhão.

De Franca para a capital, com o pai fundador, o filho da tecnologia e um CEO tocando a expansão, a Loja do Mecânico virou referência do setor.

Conta pra gente nos comentários: você já comprou ferramenta que não aguentou o serviço, e trocaria de loja por uma que só vende o que o profissional aprova?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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