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300 caminhões por dia movimentam megacomplexo que reúne 15 plantas industriais, produz 900 milhões de litros de biodiesel por ano e receberá até R$ 6 bilhões para quase dobrar sua capacidade até 2027

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 08/07/2026 às 16:45 Atualizado em 08/07/2026 às 17:37
Grupo Potencial amplia megacomplexo na Lapa (PR), aposta R$ 6 bilhões em agroenergia e pretende quase dobrar a produção de biodiesel.
Grupo Potencial amplia megacomplexo na Lapa (PR), aposta R$ 6 bilhões em agroenergia e pretende quase dobrar a produção de biodiesel.
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Complexo industrial na Lapa, no Paraná, integra biodiesel, soja, glicerina, cogeração de energia e biogás em uma estratégia de verticalização que amplia a escala produtiva, reduz etapas logísticas e prepara novos investimentos bilionários em agroenergia no país.

Instalado na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, o complexo do Grupo Potencial reúne 15 plantas industriais, produz 900 milhões de litros de biodiesel por ano e tem plano de investimento de até R$ 6 bilhões para ampliar sua operação até 2030.

Na prática, a estratégia combina esmagamento de soja, produção de biodiesel, refino de glicerina, cogeração de energia, biogás e projetos ligados ao etanol de milho, formando uma cadeia integrada voltada à expansão dos biocombustíveis.

A expansão ganhou força em 25 de março de 2026, quando a companhia inaugurou a nova esmagadora de soja e uma planta de glicerina refinada no município paranaense.

Com essas frentes, o plano industrial prevê elevar a capacidade para 1,7 bilhão de litros de biodiesel por ano, além de avançar em etanol, óleo degomado, DDGS, biogás e infraestrutura logística.

A cadeia integrada é o eixo do projeto, porque aproxima a produção do insumo principal da fabricação do biodiesel e reduz a dependência de etapas externas.

Em vez de comprar todo o óleo vegetal no mercado, o grupo passou a processar parte da soja no próprio complexo, encurtando o caminho entre a matéria-prima e o combustível renovável.

Complexo de biodiesel na Lapa ganha escala industrial

Pelo volume de veículos, a operação mostra o porte da estrutura instalada na Lapa e o peso da logística na produção de agroenergia.

A nova esmagadora tem capacidade para processar 3,5 mil toneladas de soja por dia, quantidade associada ao recebimento de cerca de 100 carretas diariamente.

Somam-se a esse fluxo aproximadamente 100 caminhões com matérias-primas e insumos para biodiesel, enquanto outros 100 veículos deixam o complexo carregados com biodiesel e derivados.

Na expedição de farelo de soja, entram mais cerca de 80 caminhões por dia, o que leva a movimentação operacional total para aproximadamente 380 veículos diários.

Para reduzir deslocamentos internos, parte da estrutura foi desenhada com ligação direta entre as unidades industriais, evitando transporte rodoviário desnecessário dentro do próprio complexo.

O óleo produzido na esmagadora segue por tubulações aéreas até a área de biodiesel, solução que integra fisicamente as plantas e ajuda a diminuir custos operacionais.

Segundo Luiz Carlos Bruzamolin Filho, diretor industrial do Grupo Potencial, “a cada nova etapa, a gente estica mais a cadeia de verticalização”.

Hoje, a primeira fase da esmagadora atende cerca de 25% da demanda interna por óleo vegetal, enquanto uma segunda etapa poderá elevar essa fatia para aproximadamente 50%, ainda sem cronograma definido.

Investimento bilionário mira mais biodiesel

No centro da expansão, o biodiesel continua como principal produto do complexo e sustenta a decisão de ampliar a capacidade industrial nos próximos anos.

A produção atual, de 900 milhões de litros por ano, deverá chegar a 1,7 bilhão de litros anuais com a ampliação prevista, reforçando a meta de consolidar a unidade como polo de agroenergia.

Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, de Relações Institucionais e Novos Investimentos do Grupo Potencial, afirma que os biocombustíveis passaram a ocupar papel estrutural no mercado de combustíveis.

Na avaliação do executivo, o Brasil reúne condições agrícolas e industriais para ampliar sua participação na transição energética, especialmente pela força do agronegócio e pela capacidade de produzir combustíveis renováveis em escala.

O ciclo anunciado pela companhia prevê aportes de R$ 6 bilhões no complexo da Lapa até 2030, com recursos direcionados a novas etapas industriais e projetos de descarbonização.

Também há previsão de investimentos entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões adicionais até 2030/2032, voltados a biodiesel, soja, etanol de milho, biometano e ampliação da eficiência ambiental da operação.

Soja, glicerina e energia entram no mesmo ciclo

Na lógica de verticalização, os coprodutos industriais também ganham papel relevante, porque ajudam a ampliar o aproveitamento econômico da matéria-prima processada no complexo.

A companhia opera duas refinarias de glicerina, coproduto gerado na produção de biodiesel, com capacidade anual entre 85 mil e 90 mil toneladas.

Esse volume é destinado a segmentos como os mercados farmacêutico, alimentício e cosmético, o que amplia a integração entre a produção de combustíveis renováveis e outras cadeias industriais.

No consumo de matérias-primas, a produção de biodiesel ainda depende majoritariamente de óleo vegetal, sobretudo de soja, enquanto gorduras animais e óleo de cozinha usado completam a composição.

Há mais de uma década, o programa de coleta de óleo residual da empresa já recolheu cerca de 33 milhões de litros, reforçando a aposta em reaproveitamento de insumos.

A busca por autossuficiência energética também integra o plano industrial, com uma caldeira de alta pressão equipada com sistema de cogeração.

Essa estrutura deve produzir cerca de 10 MW, volume informado como suficiente para atender ao consumo do empreendimento instalado na Lapa.

Outra frente prevista é a produção de biogás a partir de resíduos gerados no tratamento de efluentes industriais, dentro da estratégia de economia circular.

Estimado em R$ 120 milhões, o projeto poderá gerar até 25 mil metros cúbicos por dia e faz parte da meta corporativa de ampliar o reaproveitamento de resíduos.

Automação sustenta operação de grande porte

Com tantas frentes operando no mesmo site, a automação se tornou uma das bases para manter o controle industrial do complexo.

Cerca de 99% dos processos industriais são monitorados e controlados por uma sala central de operações, onde cinco operadores acompanham em tempo real o funcionamento das 15 plantas.

Na avaliação de Hammerschmidt, a aproximação entre agronegócio e biocombustíveis se tornou indispensável para sustentar a estratégia da companhia.

O executivo resume essa relação ao afirmar que “biocombustíveis e agronegócio não caminham mais separados”, em referência à interdependência entre oferta agrícola, processamento industrial e energia renovável.

A expansão também se conecta ao debate sobre segurança energética, em um mercado ainda sensível à volatilidade internacional do petróleo e às incertezas de abastecimento.

Para o vice-presidente do grupo, a produção nacional de biocombustíveis deve ser tratada como política de Estado, por envolver redução de dependência externa, geração de renda e avanço da descarbonização.

Ao movimentar centenas de caminhões por dia e projetar quase dobrar a capacidade de biodiesel, o complexo da Lapa mostra como a agroindústria tenta ocupar espaço maior na matriz energética brasileira.

Até onde a verticalização pode transformar a produção de combustíveis renováveis no país?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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