Fechamento da fábrica automotiva em Itatiaia reacende incertezas sobre empregos, vendas baixas e o futuro de uma estrutura industrial estratégica, enquanto uma montadora chinesa negocia assumir o espaço e transformar a unidade em nova base de produção no Brasil.
Após cerca de dez anos de operação industrial no país, a Jaguar Land Rover encaminha o encerramento da produção nacional em Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro, previsto para julho de 2026.
A decisão coloca 371 empregos diretos em situação de incerteza e ocorre enquanto a chinesa Chery Automobile negocia assumir a unidade para fabricar modelos da Omoda & Jaecoo.
Na fábrica fluminense, os últimos Discovery Sport e Range Rover Evoque previstos para a linha de montagem já foram produzidos, segundo a Quatro Rodas.
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Os veículos prontos deveriam seguir para as concessionárias até meados de julho, encerrando a etapa industrial da marca no Brasil.
Procurada pela publicação, a Jaguar Land Rover informou que a produção seguia normalmente em junho, conforme o planejamento operacional da companhia.
A empresa também afirmou não ter “informações adicionais” a compartilhar sobre o processo.
Fim da produção da Land Rover em Itatiaia
Inaugurada em 2016, a unidade de Itatiaia marcou a primeira fábrica produtiva da Jaguar Land Rover fora do Reino Unido.
Naquele momento, o projeto representava um dos investimentos automotivos mais relevantes no Rio de Janeiro e buscava fortalecer a presença da marca no mercado brasileiro.
Dentro da estratégia adotada pela companhia, a nacionalização de modelos premium como o Range Rover Evoque e o Discovery Sport tinha papel central.
Com o avanço dos anos, entretanto, a operação perdeu força diante de volumes baixos e mudanças no posicionamento global da marca.
Segundo a CNN Brasil, a Jaguar Land Rover continuará presente no país por meio de veículos importados.
A diferença é que a companhia deixará de manter o mesmo capítulo industrial aberto em Itatiaia, onde funcionava a montagem nacional dos SUVs.
O desempenho comercial ajuda a explicar a decisão da montadora.
Entre janeiro e maio de 2026, Discovery Sport e Range Rover Evoque somaram apenas 264 emplacamentos no Brasil, volume considerado insuficiente para sustentar uma operação fabril dedicada.
Além das vendas reduzidas, a fábrica trabalhava pelo regime SKD, no qual carrocerias chegam pintadas e parcialmente armadas.
Nesse formato, a etapa local se concentra na finalização dos veículos, com menor complexidade industrial em comparação com uma produção mais nacionalizada.
Embora o modelo limitasse o impacto da planta sobre a cadeia local de fornecedores, a estrutura mantinha mão de obra especializada.
A unidade também preservava uma base produtiva instalada em uma região importante para o setor automotivo fluminense.
Empregos na fábrica de Itatiaia
O futuro dos trabalhadores tornou-se o ponto mais sensível da transição.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real, a planta gera 371 empregos diretos, e os funcionários seguem em cursos de especialização enquanto aguardam uma definição sobre a continuidade da unidade.
Bruno Mendonça Streva, diretor administrativo do Sindireal, afirmou à Quatro Rodas que a Jaguar Land Rover mantém acordo coletivo vigente.
Também segundo o dirigente, a empresa segue cumprindo as obrigações trabalhistas previstas durante esse período de indefinição.
Para o sindicato, a principal preocupação é obter garantias que preservem postos de trabalho caso a negociação com uma nova fabricante avance.
A entidade busca evitar que a mudança de comando resulte em perda significativa de empregos na região.
Até agora, as informações disponíveis não confirmam demissão em massa nem indicam quantos empregados poderiam ser absorvidos por uma eventual nova operação.
Por isso, o risco trabalhista permanece ligado ao desfecho das tratativas e ao modelo de produção que poderá substituir a montagem atual dos SUVs da Land Rover.
Chery negocia fábrica para Omoda & Jaecoo
Entre os grupos interessados na unidade de Itatiaia, a Chery Automobile aparece como principal candidata a assumir a estrutura.
O plano em discussão prevê instalar no local a produção das marcas Omoda & Jaecoo, ampliando a presença industrial chinesa no mercado brasileiro.
Em 12 de junho de 2026, a CNN Brasil informou que representantes da Prefeitura de Itatiaia e do Governo do Estado do Rio de Janeiro já haviam iniciado conversas com executivos chineses.
As reuniões tratavam da transição industrial e das condições necessárias para viabilizar a ocupação da fábrica.
Na pauta das conversas estão incentivos fiscais, revisão de contratos e condições regulatórias para permitir a chegada da nova operação.
A Quatro Rodas também informou que a Prefeitura de Itatiaia realizou uma reunião virtual com representantes da Chery na sexta-feira (12).
Esse encontro tratou da compra da fábrica e da adesão a políticas fiscais locais.
As negociações envolvem ainda o Governo do Estado do Rio de Janeiro e ajustes com a Assembleia Legislativa, sobretudo em torno de questões tributárias.
Segundo a CNN Brasil, o objetivo das autoridades é evitar um longo período de ociosidade da planta.
A manutenção da atividade econômica gerada pelo complexo automotivo também aparece como ponto central nas conversas.
Produção chinesa pode chegar a 100 mil veículos por ano
Para que o projeto chinês avance, a estrutura da fábrica precisará passar por adaptações.
A estratégia atribuída à Chery prevê uma mudança para produção em CKD, formato em que processos como armação de carroceria e pintura são realizados no local.
Com esse modelo, a operação ganharia maior complexidade industrial em relação ao sistema usado pela Jaguar Land Rover em Itatiaia.
A mudança também aproximaria a unidade de uma produção mais completa dentro do território nacional.
Segundo a Quatro Rodas, a adaptação inicial da planta comportaria até 87 mil veículos por ano.
O planejamento discutido prevê capacidade próxima de 100 mil unidades anuais a partir do segundo semestre de 2027.
O plano inclui a nacionalização do Omoda 4 e pode abrir espaço para outros modelos das marcas Omoda, Jaecoo, Lepas e Jetour.
Caso a estratégia seja confirmada, a fábrica poderá atender tanto ao mercado brasileiro quanto a países vizinhos.
A CNN Brasil apontou que localização, mão de obra e logística da unidade são fatores relevantes para a ocupação da planta pelas marcas chinesas.
Esses elementos pesam porque a fábrica já possui estrutura instalada em uma região com tradição automotiva.
Mesmo com tratativas avançadas, a transferência da fábrica ainda depende de confirmação definitiva.
A continuidade dos empregos também não está assegurada pelas informações disponíveis, o que mantém trabalhadores, sindicato e autoridades em compasso de espera.
A eventual chegada da Omoda & Jaecoo será suficiente para preservar os trabalhadores e transformar Itatiaia em um novo polo de produção chinesa no Brasil?
