Entenda por que a decisão do presidente Joe Biden de aumentar as tarifas sobre veículos elétricos chineses pode não ser eficaz para proteger a indústria automotiva dos EUA
O recente anúncio do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de aumentar as tarifas sobre veículos elétricos chineses de 25% para 100% causou um grande impacto na indústria automotiva global. Essa medida visa proteger a indústria automotiva doméstica, mas há motivos para acreditar que ela pode não funcionar como esperado. Vamos explorar por que as tarifas aumentadas podem não ser a solução eficaz para os problemas enfrentados pela indústria automotiva dos EUA, de acordo com o vídeo do canal Mobility Channel – MOCHA.

Revisão histórica e comparações com o Japão
A situação atual apresenta semelhanças com a crise enfrentada pela indústria automotiva dos EUA nos anos 1970, quando o Japão emergiu como um concorrente formidável. Naquela época, os Estados Unidos implementaram tarifas para combater o que percebiam como uma concorrência desleal. No entanto, essas tarifas não impediram o avanço da indústria automotiva japonesa. Ao contrário, incentivaram o Japão a melhorar ainda mais seus processos de fabricação e a continuar sua expansão global.
A China domina o mundo no quesito exportação de carros
Hoje, a China ocupa o papel que o Japão desempenhou décadas atrás. Como o maior mercado automotivo do mundo, a China também se tornou o maior exportador de veículos, superando o Japão. O rápido crescimento da produção e exportação de veículos elétricos chineses é um reflexo do compromisso do país com o desenvolvimento dessa tecnologia. A China não apenas adotou veículos elétricos em grande escala, mas também tem investido pesadamente em infraestrutura e recursos necessários para sustentá-los, como materiais para baterias.
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Ineficiência das tarifas altas
Historicamente, as tarifas comerciais têm se mostrado uma ferramenta ineficaz para proteger indústrias domésticas. Elas podem temporariamente dar um alívio aos fabricantes locais, mas frequentemente levam a uma complacência que prejudica a inovação e a competitividade a longo prazo. No caso dos veículos elétricos, as tarifas aumentadas podem aumentar os preços para os consumidores americanos e desencorajar a adoção de veículos mais eficientes e sustentáveis.
As tarifas sobre veículos elétricos chineses não apenas afetariam o mercado de consumo, mas também poderiam provocar retaliações comerciais, agravando tensões econômicas globais. Já vimos anteriormente como tarifas podem gerar guerras comerciais que prejudicam ambas as partes envolvidas, como aconteceu com as tarifas sobre a soja entre os EUA e a China em 2018.
Considerações políticas e eleitorais
Além dos aspectos econômicos e industriais, as tarifas elevadas sobre os veículos elétricos chineses também têm um forte componente político. Com as eleições presidenciais nos EUA se aproximando, essas tarifas podem ser vistas como uma estratégia populista para galvanizar apoio, explorando sentimentos anti-China que têm ganhado força entre o eleitorado americano.


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