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Um dos El Niños mais devastadores da história moderna não trouxe só calor: entre secas, colheitas destruídas e falta de estoques, 50 milhões morreram em três continentes, e cientistas veem nesse passado um alerta brutal para um planeta mais quente

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Escrito por Carla Teles Publicado em 09/07/2026 às 12:48 Atualizado em 09/07/2026 às 12:50
Um dos El Niños mais devastadores da história moderna não trouxe só calor entre secas, colheitas destruídas e falta de estoques, 50 milhões morreram em três continentes
El Niño expôs secas, fome global e mudanças climáticas, deixando alerta para um planeta mais quente.
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O El Niño de 1876 a 1878 entrou para a história como um dos eventos climáticos mais devastadores da era moderna. Em meio a secas severas, quebras de safra e falta de estoques, a fome atingiu regiões da Ásia, América do Sul e África, deixando cerca de 50 milhões de mortos.

Segundo a Popular Mechanics, em reportagem de Darren Orf, publicada em 17 de junho de 2026, pesquisas citadas no texto revisitam aquele período para entender como o fenômeno climático se combinou a decisões humanas, fragilidade econômica e falta de preparo. A análise trata o episódio como alerta para um planeta em aquecimento.

El Niño não agiu sozinho na tragédia global

El Niño expôs secas, fome global e mudanças climáticas, deixando alerta para um planeta mais quente.
Imagem: Divulgação.

O El Niño costuma ser associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico e à alteração dos ventos alísios, com efeitos em chuvas, temperaturas e secas em várias regiões do planeta. Entre 1876 e 1878, esse mecanismo ajudou a criar condições climáticas extremas em áreas já vulneráveis.

Mas os estudos citados pela Popular Mechanics indicam que a catástrofe não pode ser explicada apenas pelo fenômeno oceânico. Secas agudas foram o gatilho climático, mas fatores políticos e econômicos ampliaram o desastre, especialmente onde sistemas de armazenamento de água e grãos haviam sido negligenciados ou destruídos.

Três continentes sentiram o peso da fome

A fome de 1876 a 1878 atingiu regiões da Ásia, da América do Sul e da África, criando uma crise simultânea em áreas tropicais. A combinação entre clima extremo, colheitas comprometidas e baixa capacidade de resposta transformou quebras agrícolas em mortalidade em massa.

O número associado ao período é brutal: cerca de 50 milhões de pessoas morreram em apenas três anos. Por isso, pesquisadores tratam o episódio como uma das maiores calamidades ambientais dos últimos 150 anos, mesmo sendo menos lembrado que guerras e pandemias do século XX.

Pacífico, Índico e Atlântico criaram uma combinação rara

Pesquisas publicadas no Journal of Climate indicam que o evento de 1877 e 1878 resultou de uma configuração climática mais complexa. Antes do El Niño forte, houve anos de condições frias no Pacífico tropical, além de um dipolo do Oceano Índico extremamente intenso.

Ao mesmo tempo, temperaturas anormalmente altas na superfície do Atlântico ajudaram a compor um cenário de risco. A tragédia nasceu do encontro entre vários sistemas climáticos e uma sociedade pouco preparada para responder a colapsos simultâneos de produção de alimentos.

Comparação com outros super El Niños muda a leitura

Um estudo de 2020 citado pela Popular Mechanics apontou que a intensidade estatística do El Niño de 1877-78 não foi significativamente maior que a de outros três eventos fortes: 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Isso muda a forma de olhar para o desastre.

A conclusão é desconfortável: o problema não estava apenas na força do fenômeno, mas na vulnerabilidade do mundo naquele momento. Quando clima extremo encontra falta de estoques, infraestrutura frágil e respostas políticas insuficientes, o impacto pode escalar muito além da seca.

Mundo atual monitora melhor o ENSO, mas o risco continua

Hoje, a agricultura moderna acompanha com mais precisão as mudanças do ENSO, sigla para El Niño-Oscilação Sul. Previsões climáticas, monitoramento oceânico e sistemas de alerta permitem antecipar parte dos impactos sobre chuvas, safras e temperaturas.

Mesmo assim, os cientistas citados na reportagem não tratam o risco como superado. O aquecimento global pode intensificar extremos e aumentar a pressão sobre regiões já expostas a seca, insegurança hídrica e instabilidade alimentar. O passado não se repete da mesma forma, mas ajuda a revelar onde o sistema falha.

Lições de 1876 ainda pesam no presente

O caso mostra que desastres climáticos não dependem só da natureza. A forma como governos, mercados e comunidades armazenam alimentos, distribuem água e protegem populações vulneráveis pode determinar se uma quebra de safra vira crise localizada ou tragédia em larga escala.

A Popular Mechanics cita especialistas que veem a Grande Fome como um pior cenário possível para orientar preparação futura. Em outras palavras, o El Niño de 1876 a 1878 funciona como um teste histórico extremo para pensar segurança alimentar em um planeta mais quente.

O que esse alerta climático coloca em debate

A história do El Niño devastador de 1876 a 1878 mostra que fenômenos naturais podem se tornar catástrofes humanas quando encontram despreparo, desigualdade e sistemas frágeis. O evento matou milhões, mas também deixou uma pergunta que continua atual: como reduzir o impacto de extremos antes que eles virem colapso?

Você acredita que o mundo está mais preparado para enfrentar um super El Niño hoje, ou o aquecimento global pode expor novas fragilidades em alimentos, água e infraestrutura? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão.

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Carla Teles

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