O segredo não está na montanha, mas no formato do planeta. Como a Terra é achatada nos polos e mais larga no Equador, qualquer ponto sobre a linha equatorial já nasce mais afastado do núcleo. O vulcão equatoriano só precisou somar a sua altura a essa vantagem geográfica para vencer o gigante asiático.
O Monte Everest é a montanha mais alta acima do nível do mar, mas não é o ponto da Terra mais próximo do espaço. Por causa da protuberância do nosso planeta na linha do Equador, é o cume do vulcão Chimborazo, no Equador, que fica cerca de 2 quilômetros mais distante do centro da Terra, mesmo sendo bem mais baixo que o pico do Himalaia. A curiosidade científica voltou a circular em maio de 2026.
A explicação está no formato do planeta, e os números são precisos. O Everest, na fronteira entre Nepal e China, tem altitude oficial de 8.848,86 metros acima do nível do mar, acordada entre os dois países em 2020. Já o Chimborazo, um vulcão adormecido nos Andes equatorianos, chega a cerca de 6.263 metros de altitude, quase 2.600 metros mais baixo. Ainda assim, medido a partir do núcleo do planeta, é o vulcão que ganha a disputa, segundo confirma o Serviço Nacional Oceânico dos Estados Unidos.
Por que um vulcão mais baixo vence o Everest

Por causa da rotação, o planeta é achatado nos polos e mais “inchado” na região do Equador, num formato que os cientistas chamam de esferoide oblato. Isso faz com que qualquer ponto sobre a linha equatorial já comece mais distante do centro do que um ponto de mesma altitude perto dos polos.
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O Chimborazo fica a cerca de um grau e meio ao sul do Equador, bem em cima dessa protuberância, enquanto o Everest está a quase 28 graus ao norte. Medindo do centro da Terra, o cume do Chimborazo está a aproximadamente 6.384,4 quilômetros do núcleo, contra cerca de 6.382,3 quilômetros do Everest. Ou seja, o vulcão vence por cerca de 2,1 quilômetros, apesar de ser muito mais baixo em altitude.
A protuberância é a verdadeira estrela

O nível do mar no Equador fica cerca de 21 quilômetros mais distante do centro da Terra do que o nível do mar nos polos, uma diferença dez vezes maior do que os 2 quilômetros que separam o Chimborazo do Everest. Em números, o nível do mar equatorial está a cerca de 6.378 quilômetros do centro, contra 6.357 quilômetros nos polos.
Isso mostra que a disputa entre as duas montanhas é quase uma nota de rodapé diante de um efeito muito maior. A maior parte da vantagem do Chimborazo não vem da montanha em si, mas de onde ela está. A base equatorial de onde o vulcão se ergue já parte mais distante do centro, e ele apenas soma sua altura a esse ponto de partida privilegiado. Não à toa, o Chimborazo nem é o pico mais alto dos Andes, e pelo menos outras duas dezenas de cumes também estão mais distantes do centro do que o Everest.
“Mais perto do espaço”: o que é verdade e o que é exagero
Aqui é preciso separar o fato científico do exagero que costuma acompanhá-lo. Dizer que o Chimborazo é o ponto “mais próximo do espaço” só é defensável sob uma definição específica: a de que o cume é o ponto da superfície sólida da Terra que mais se projeta para fora, ou seja, o de maior raio em relação ao centro. É uma afirmação sobre distância do núcleo, não sobre altitude nem sobre a atmosfera.
Já as versões mais fortes da história não se sustentam. A ideia de que estar no Chimborazo coloca a pessoa mais perto do Sol ou das estrelas é falsa: a distância da Terra ao Sol varia cerca de 5 milhões de quilômetros ao longo do ano, mais de um milhão de vezes a diferença de 2 quilômetros entre as montanhas, e tanto o Sol quanto as estrelas se movem no céu. Se considerarmos que o espaço começa a uma altitude fixa acima do nível do mar, que é a convenção mais comum, então o Everest, bem mais alto, é o que está mais perto. As duas afirmações são verdadeiras, mas respondem a perguntas diferentes.
A expedição que mediu a barriga da Terra
O curioso é que essa protuberância não era conhecida com precisão e foi alvo de uma das expedições científicas mais ambiciosas do século 18. A Missão Geodésica Francesa, que trabalhou justamente na região do Chimborazo nas décadas de 1730 e 1740, foi enviada para medir o comprimento de um grau de latitude perto do Equador e descobrir se a Terra era achatada nos polos ou alongada. Os resultados confirmaram o formato achatado e protuberante.
Há uma bela ironia nisso: a expedição foi até os pés do Chimborazo para provar que a Terra tem uma protuberância no Equador, e é exatamente essa protuberância que hoje dá ao vulcão o seu título. Durante muito tempo, o Chimborazo foi até considerado a montanha mais alta do mundo. O naturalista Alexander von Humboldt o escalou em 1802 ainda sob essa impressão, crença que só caiu quando o Grande Levantamento Trigonométrico da Índia mediu o Everest e seus vizinhos, resultado consolidado em 1856.
E ainda tem a montanha mais alta da base ao topo
Para completar a coleção de curiosidades, vale lembrar que “mais alto” pode ter ainda outro significado. Se a medida for da base ao topo, o título de montanha mais alta da Terra não é nem do Everest nem do Chimborazo, e sim do Mauna Kea, um vulcão no Havaí que nasce no fundo do Oceano Pacífico e se eleva por mais de 10 mil metros, dos quais a maior parte fica submersa.
Esses casos mostram como uma pergunta aparentemente simples, qual é o ponto mais alto da Terra, pode ter respostas diferentes dependendo de onde começamos a medir: do nível do mar, do centro do planeta ou da base da montanha. Cada uma está certa à sua maneira, e juntas viram uma ótima lição sobre como a forma do nosso planeta guarda surpresas até nas perguntas que pareciam já ter resposta pronta.
A história do Chimborazo contra o Everest é um daqueles fatos que mexem com o que achávamos saber sobre o mundo. O Everest segue sendo, com folga, a montanha mais alta acima do nível do mar, mas o vulcão equatoriano, graças à barriga do planeta no Equador, é o pedaço de terra sólida que mais se afasta do centro da Terra. Mais do que uma disputa entre montanhas, a curiosidade é uma aula sobre o formato real do nosso planeta e sobre a importância de definir exatamente o que estamos medindo antes de cravar qualquer recorde.
E você, sabia que o Everest não é o ponto da Terra mais distante do centro do planeta? Ficou surpreso ao descobrir que um vulcão mais baixo leva esse título graças ao formato da Terra? Deixe seu comentário, conte o que mais te impressionou nessa curiosidade e compartilhe a matéria com aquele amigo que ama geografia, ciência e fatos surpreendentes sobre o nosso planeta.


Legal para fazer pensar o formato da Terra e os padrões que decidimos usar.
Meu Deus, esses textos escritos por IA viu… Estão cada vez piores
Uuuuuuaaaaaaaaaaauuuuuu