A frente nasce de um ciclone lá no extremo sul do continente e avança pelo oceano, trazendo chuva fraca ao litoral. O recado mais forte, porém, vem atrás dela: o ar frio que empurra para o continente vai espalhar o frio do Rio Grande do Sul até a Bahia ao longo da semana, sem ser, ainda assim, um evento extremo.
Uma frente fria seguida de uma nova massa de ar frio vai reforçar as baixas temperaturas logo na primeira semana de junho. O sistema deve atingir estados de quatro regiões do Brasil, Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, com mínimas abaixo de 10°C e geadas nas serras do Sul já na terça-feira, dia 2, segundo a previsão divulgada pela Meteored.
A análise é do meteorologista Matheus Manente, do portal Tempo.com, em previsão publicada em 29 de maio de 2026. Segundo ele, nos primeiros dias de junho uma frente fria originada de um ciclone que se formou muito ao sul da América do Sul avançará em direção ao norte sobre o Oceano Atlântico, abrindo caminho para a entrada de uma massa de ar frio que vai derrubar as temperaturas no centro-sul do país e levar o frio a regiões mais ao norte ao longo da semana.
A frente fria que traz chuva ao litoral
O primeiro elemento desse cenário é a própria frente fria. Embora ela avance por uma região mais oceânica, ainda será capaz de formar nebulosidade intensa e chuvas fracas no extremo leste e nas áreas litorâneas do Sul e do Sudeste do Brasil, sem provocar tempestades fortes sobre o país.
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De acordo com a previsão, o sistema atua predominantemente sobre o mar na segunda-feira, dia 1, e ao longo da terça-feira, dia 2, consegue gerar chuvas fracas especialmente sobre o litoral da região Sudeste, com pancadas leves também possíveis no litoral do Sul. A frente transporta umidade sobretudo para o Sudeste, deixando o tempo nublado e com chuviscos intermitentes na faixa litorânea e no leste de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
O novo reforço do frio
O grande destaque, porém, não é a chuva, e sim o que vem atrás da frente. A massa de ar frio impulsionada pelo sistema vai fazer o frio sobre o centro-sul do Brasil ganhar um novo reforço, derrubando as temperaturas em sequência ao longo da primeira semana de junho. Já na terça-feira, dia 2, esse ar frio estará atuando sobre todo o leste das regiões Sul e Sudeste.
Nos dias seguintes, a massa se desloca em direção ao norte, deixando de atuar sobre o Rio Grande do Sul, mas ganhando abrangência sobre Santa Catarina e Paraná. É um padrão clássico de avanço do ar frio pelo país, que vai levando as baixas temperaturas de estado em estado, ampliando aos poucos a área atingida pelo friozinho típico do fim do outono.
O frio chega a quatro regiões
O alcance do sistema é o que chama a atenção neste início de mês. Até a quarta-feira, dia 4, a massa de ar frio terá ganhado abrangência sobre todos os estados do Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, além de avançar sobre o Mato Grosso do Sul, parte de Goiás e parte da Bahia, deixando as temperaturas mais amenas nesses estados.
Com isso, o frio atingirá estados de quatro regiões do Brasil de uma só vez, Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, ainda no comecinho de junho. É importante destacar, no entanto, que a intensidade da massa não será extrema, ou seja, trata-se de um reforço significativo do frio, mas não de uma onda de frio histórica ou perigosa, e sim de um episódio dentro do esperado para a época.
Onde e quando o frio será mais forte
Para quem quer se planejar, vale acompanhar os picos do frio em cada região. No Sul, o auge será na terça-feira, dia 2, quando grande parte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina deve registrar temperaturas abaixo dos 10°C durante a madrugada e a manhã, com ocorrência de geadas especialmente nas regiões serranas.
Já no Sudeste e nos estados do Centro-Oeste e do Nordeste afetados, a massa de ar frio atuará com mais intensidade na quarta-feira, dia 4. Nesse dia, boa parte do Vale do Paraíba, da Serra da Mantiqueira e do extremo sul do Rio de Janeiro pode marcar temperaturas abaixo dos 10°C, com possibilidade de geadas pontuais nas áreas mais altas e frias. São os momentos em que o casaco mais pesado será bem-vindo.
Um fim de outono gelado e o inverno à vista
Esse episódio se encaixa em um padrão mais amplo para o período. A estação do outono termina oficialmente em 21 de junho, quando começa o inverno de 2026, e as previsões vêm indicando que o frio deve se manter significativo ao longo de todo esse fim de outono, com novas incursões de ar frio esperadas para os próximos dias.
Vale lembrar que, segundo os meteorologistas, a maioria das frentes frias de junho tende a passar de forma mais oceânica, o que limita o avanço do ar polar mais intenso pelo interior do país. Ainda assim, são esperadas ao menos duas incursões mais fortes de frio ao longo do mês, uma por volta da virada da primeira para a segunda quinzena e outra, mais intensa, na última semana de junho, já nos primeiros dias do inverno. O fenômeno El Niño, que está se formando, ainda não deve influenciar o clima de forma relevante neste mês.
A combinação de frente fria e massa de ar frio promete deixar a primeira semana de junho com cara de inverno em boa parte do Brasil, levando o frio do Rio Grande do Sul até a Bahia e trazendo geadas para as serras do Sul e do Sudeste. Sem ser um evento extremo, o sistema confirma a tendência de um fim de outono gelado, num aquecimento, ou melhor, num esfriamento gradual rumo ao inverno que começa em 21 de junho. Para quem sente o frio, é hora de deixar o agasalho à mão e acompanhar de perto a previsão.
E você, está sentindo o frio chegar na sua região? Curte essas temperaturas mais baixas ou prefere o calor? Deixe seu comentário, conte como está o tempo na sua cidade neste início de junho e compartilhe a matéria com quem precisa se preparar para o reforço do frio nos próximos dias.

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