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O Grupo Potencial acaba de anunciar 6 bilhões de reais em investimentos para expandir a produção de biocombustíveis no Paraná em um momento em que o Brasil enfrenta risco real de desabastecimento de diesel por causa de crises internacionais

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 27/03/2026 às 15:08
O Grupo Potencial investirá R$ 6 bilhões na produção de biocombustíveis no Paraná enquanto o Brasil enfrenta risco de desabastecimento de diesel. Entenda o projeto. q
O Grupo Potencial investirá R$ 6 bilhões na produção de biocombustíveis no Paraná enquanto o Brasil enfrenta risco de desabastecimento de diesel. Entenda o projeto.
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O investimento de R$ 6 bilhões do Grupo Potencial na cidade da Lapa, Região Metropolitana de Curitiba, mira a expansão da produção de biocombustíveis com uma esmagadora de soja entre as maiores do Paraná, ampliação do biodiesel e refino de glicerina, em resposta direta à dependência brasileira de diesel importado e à instabilidade do mercado internacional de petróleo

O Grupo Potencial, empresa paranaense do setor de agroenergia, anunciou R$ 6 bilhões em novos investimentos para expandir a produção de biocombustíveis no seu complexo industrial na cidade da Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba. O anúncio chega em um momento em que o Brasil enfrenta risco real de desabastecimento de diesel, pressionado por conflitos internacionais e pela instabilidade do mercado de petróleo. Segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do grupo, o biodiesel é a solução do presente, não do futuro, e algumas regiões do país já enfrentam problemas de abastecimento.

Conforme A Tribuna, o investimento prevê a construção de uma esmagadora de soja entre as maiores do Paraná, com capacidade para processar 1,2 milhão de toneladas por ano em fase inicial, além da ampliação da produção de biocombustíveis como biodiesel e da expansão do refino de glicerina. A estratégia é verticalizar toda a cadeia produtiva, integrando processamento de grãos e geração de energia limpa em uma operação que começa no campo e termina no tanque.

Por que o Brasil enfrenta risco de desabastecimento de diesel

Mesmo sendo um dos maiores produtores agrícolas do mundo, o Brasil ainda depende majoritariamente da importação de diesel fóssil para mover sua economia.

Caminhões, tratores, colheitadeiras, locomotivas e embarcações consomem diesel diariamente, e qualquer oscilação no mercado internacional se traduz em aumento de custos logísticos que chega ao preço dos alimentos. Essa dependência expõe o país a crises geopolíticas sobre as quais não tem controle.

Em períodos de conflito internacional, como o cenário atual, a volatilidade do petróleo pressiona ainda mais a balança comercial brasileira e ameaça o abastecimento em regiões distantes dos grandes centros.

É nesse contexto que a produção de biocombustíveis ganha relevância estratégica: substituir parte do diesel fóssil importado por biodiesel produzido internamente reduz a exposição a choques externos e dá mais previsibilidade ao abastecimento do agronegócio e do transporte.

O que o Grupo Potencial vai construir com R$ 6 bilhões na Lapa

O ciclo de investimentos do Grupo Potencial tem como eixo a verticalização completa da cadeia de produção de biocombustíveis. O projeto principal é a construção de uma nova esmagadora de soja que deve processar 1,2 milhão de toneladas de grãos por ano em fase inicial, com possibilidade de expansão.

A unidade será uma das maiores do Paraná e vai abastecer diretamente a produção de biodiesel com óleo vegetal extraído no próprio complexo.

Além da esmagadora, o investimento contempla a ampliação da capacidade de produção de biodiesel e a expansão do refino de glicerina, subproduto do processo de fabricação do combustível.

O grupo também avança em soluções de economia circular, reaproveitando resíduos industriais para produzir insumos que retornam ao próprio processo produtivo.

O presidente do grupo, Arnoldo Hammerschmidt, afirmou que o investimento na produção de biocombustíveis na Lapa conecta agronegócio, indústria e energia renovável em um único complexo.

A verticalização como estratégia para baratear a produção de biocombustíveis

A maior parte do custo de fabricação do biodiesel está na matéria prima: o óleo vegetal, geralmente extraído da soja. Ao instalar a esmagadora dentro do próprio complexo industrial, o Grupo Potencial elimina o custo de comprar óleo de terceiros e ganha controle total sobre a qualidade e o preço do insumo.

Essa integração vertical é o que diferencia a estratégia do grupo de outros produtores que operam com cadeias fragmentadas.

Carlos Eduardo Hammerschmidt explicou que a verticalização é fundamental para competir em um mercado onde as margens são apertadas.

A produção de biocombustíveis em um modelo integrado permite absorver a produção agrícola regional, gerar energia limpa e ainda produzir subprodutos comercializáveis como a glicerina.

O complexo na Lapa funcionará como uma cadeia completa: soja entra como grão e sai como biodiesel, glicerina refinada e farelo para ração animal.

O impacto do investimento no Paraná e na economia regional

A expansão do complexo da Lapa terá efeitos diretos na economia da região. Quando totalmente concluído, o projeto poderá absorver uma parcela relevante da produção agrícola do Paraná, gerar empregos diretos e indiretos e impulsionar a logística local.

A operação prevê aumento no fluxo de caminhões e investimentos em infraestrutura, incluindo dutos para transporte de gás e combustíveis.

O vice-governador do Paraná, Darci Piana, destacou que o projeto simboliza um modelo de desenvolvimento baseado em parceria entre poder público e iniciativa privada.

Para a cidade da Lapa, a expansão da produção de biocombustíveis significa industrialização em uma região que historicamente dependia apenas da produção agrícola primária.

A instalação de moinhos e unidades de processamento transforma commodity bruta em produtos de valor agregado sem que a riqueza gerada saia do território.

Por que a produção de biocombustíveis é uma questão de soberania energética

O investimento do Grupo Potencial se insere em um debate mais amplo sobre segurança energética nacional. O Brasil possui capacidade instalada para ampliar a produção de biodiesel, mas parte desse potencial ainda não é plenamente utilizada.

O avanço da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel é visto como um dos caminhos para reduzir a dependência de importações e dar mais previsibilidade ao abastecimento.

Com a pressão global por descarbonização e a necessidade de diversificar matrizes energéticas, o Brasil aparece como um dos poucos países com condições de expandir rapidamente a produção de biocombustíveis em larga escala.

A matéria prima existe em abundância, a tecnologia está disponível e a demanda é crescente. Para Hammerschmidt, os biocombustíveis são um projeto de Estado, ligado à soberania da matriz energética brasileira.

Não se trata apenas de investir em uma indústria, mas de garantir que o Brasil não dependa de decisões tomadas em outros países para mover sua economia.

R$ 6 bilhões que respondem a um problema que o Brasil não pode mais ignorar

O investimento do Grupo Potencial na produção de biocombustíveis no Paraná não é apenas um movimento empresarial. É uma resposta concreta a um problema estrutural: o Brasil depende de diesel importado para funcionar e qualquer crise internacional expõe essa fragilidade de forma imediata.

A expansão na Lapa, com esmagadora de soja, ampliação de biodiesel e refino de glicerina, mostra que o caminho para reduzir essa dependência passa pela produção interna em escala, com integração vertical e matéria prima nacional.

Você acha que o Brasil deveria acelerar a produção de biocombustíveis para depender menos de diesel importado? Ou o investimento em energias como a elétrica e o hidrogênio verde seria um caminho melhor? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem acompanha energia e agronegócio.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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