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Uma estrutura misteriosa de mais de 2.500 anos foi encontrada escondida sob o Delta do Rio Nilo por cientistas que usaram correntes elétricas para enxergar o subsolo e revelaram o que pode ser um templo ou tumba monumental

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 26/03/2026 às 21:50 Atualizado em 27/03/2026 às 23:57
Cientistas encontraram uma estrutura misteriosa de 2.500 anos sob o Delta do Rio Nilo com amuletos e um escaravelho de faraó. Pode ser um templo ou tumba antiga.
Cientistas encontraram uma estrutura misteriosa de 2.500 anos sob o Delta do Rio Nilo com amuletos e um escaravelho de faraó. Pode ser um templo ou tumba antiga.
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Cientistas do Egito e da Alemanha descobriram uma estrutura misteriosa de 20 por 24 metros sob o sítio arqueológico de Buto no Delta do Rio Nilo usando tomografia de resistividade elétrica, e as escavações revelaram amuletos religiosos, um escaravelho com o nome do faraó Tutmés III e evidências de um templo da 26ª dinastia egípcia

Uma estrutura misteriosa com mais de 2.500 anos acaba de ser encontrada escondida sob o Delta do Rio Nilo, no Egito. Pesquisadores do Egito e da Alemanha identificaram a construção subterrânea no sítio arqueológico de Buto (Tell el-Fara’in) usando uma tecnologia que envia correntes elétricas pelo solo para criar um mapa tridimensional do que está enterrado. A estrutura misteriosa tem aproximadamente 20 por 24 metros e pode ser um templo secundário ou uma tumba monumental datada de cerca de 2.600 anos, segundo o estudo publicado na revista Applied Geophysics.

Conforme o Popular Machines, as escavações direcionadas no local revelaram paredes robustas assentadas sobre base de areia e uma grande quantidade de artefatos religiosos. Entre os objetos encontrados estão amuletos com representações de divindades como Ísis, Hórus, Hathor e Bes, além de um escaravelho raro com o nome do faraó Tutmés III, considerado um dos itens mais significativos do conjunto. A descoberta está chamando a atenção da comunidade científica internacional pela escala da construção e pela riqueza do material encontrado.

Como cientistas usaram correntes elétricas para encontrar a estrutura misteriosa

O Delta do Rio Nilo sempre representou um desafio para escavações arqueológicas. A região onde o rio se divide antes de desaguar no Mediterrâneo acumula camadas de sedimentos, água subterrânea e múltiplas ocupações humanas sobrepostas ao longo de milênios.

Escavar às cegas nesse terreno instável é caro, lento e pode danificar o que está enterrado. Para contornar essas dificuldades, a equipe de cientistas adotou uma abordagem que combinou imagens de satélite com uma técnica chamada tomografia de resistividade elétrica.

Essa tecnologia funciona enviando correntes elétricas pelo subsolo e medindo como os diferentes materiais resistem à passagem da eletricidade. Pedras, paredes de tijolos e cavidades respondem de forma diferente da terra e da água ao redor, o que permite criar um mapa tridimensional do que está enterrado sem precisar cavar.

Foi assim que os pesquisadores localizaram a estrutura misteriosa sob o sítio de Buto e puderam direcionar as escavações para os pontos exatos onde a construção se encontrava.

O que as escavações revelaram dentro da estrutura misteriosa de Buto

As escavações direcionadas pela tomografia elétrica revelaram uma construção com paredes robustas assentadas sobre uma base de areia preparada. Dentro da estrutura misteriosa, os arqueólogos encontraram uma grande quantidade de artefatos religiosos que indicam uso cerimonial ou funerário.

Amuletos com representações das divindades Ísis, Hórus, Hathor e Bes foram recuperados, junto com bacias de oferenda e relevos esculpidos que reforçam a hipótese de que o local servia a rituais religiosos.

O item mais significativo encontrado no local é um escaravelho com o nome do faraó Tutmés III, governante da 18ª dinastia que reinou por volta de 1479 a 1425 a.C.

Outro artefato que chamou atenção dos especialistas foi um amuleto com uma criatura híbrida combinando características de babuíno, falcão e uma divindade anã, peça que sugere uma simbologia religiosa complexa e rara.

A diversidade e o estado de preservação dos objetos indicam que a estrutura misteriosa era um espaço de importância considerável na região.

A 26ª dinastia egípcia e o planejamento por trás da construção

Os pesquisadores datam a estrutura misteriosa como pertencente à 26ª dinastia egípcia, conhecida como período saíta, que durou de aproximadamente 664 a 525 a.C.

Evidências indicam que o terreno foi artificialmente nivelado antes da construção, o que aponta para um planejamento sofisticado em uma região naturalmente instável. Essa intervenção no ambiente teria sido essencial para garantir que as paredes e fundações suportassem o peso da edificação sobre o solo macio do Delta do Rio Nilo.

O período saíta marca uma fase de reunificação do Egito sob o governo de faraós originários da cidade de Saís, localizada justamente no Delta do Nilo. Foi uma época de intensa atividade construtiva, com restauração de templos antigos e erguimento de novas estruturas religiosas por toda a região.

A descoberta em Buto se encaixa nesse contexto: um templo ou tumba monumental construído por ordem de uma elite que investia em arquitetura sagrada como forma de legitimação política e religiosa.

O hiato de 1.500 anos que o Rio Nilo impôs à ocupação de Buto

Além da própria estrutura misteriosa, o estudo trouxe informações sobre a história da ocupação humana na região de Buto. Os pesquisadores identificaram um hiato de aproximadamente 1.500 anos na ocupação da área, possivelmente causado por mudanças no curso das águas do Rio Nilo.

Alterações nos braços do rio podem ter tornado o local inabitável durante séculos, forçando a população a se deslocar para áreas vizinhas.

Esse padrão de abandono e reocupação é comum em sítios do Delta do Nilo, onde a dinâmica fluvial determina onde as comunidades podem se estabelecer.

O sítio de Buto possui múltiplas camadas de ocupação que vão desde o período pré-dinástico até épocas mais recentes, o que torna cada escavação uma tarefa de separar milênios de história sobrepostos em poucos metros de profundidade. A estrutura misteriosa da 26ª dinastia é apenas uma dessas camadas.

Por que a descoberta no Delta do Rio Nilo importa para a arqueologia moderna

A identificação da estrutura misteriosa de Buto é relevante por dois motivos. O primeiro é o que ela revela sobre a 26ª dinastia e a organização urbana e religiosa no Delta do Nilo durante o período saíta.

O segundo é a demonstração de que técnicas não invasivas como a tomografia de resistividade elétrica podem localizar construções inteiras sob o solo sem destruir o que está ao redor.

Essa abordagem muda a forma como a arqueologia pode ser feita em regiões difíceis como o Delta do Nilo, onde o excesso de água e sedimentos sempre limitou as escavações tradicionais.

Se a mesma tecnologia for aplicada em outros sítios da região, é provável que estruturas semelhantes ainda não descobertas venham à tona nos próximos anos. O subsolo do Delta do Nilo pode guardar muito mais do que a arqueologia conhece até agora.

O que mais o subsolo do Egito esconde

A descoberta de uma estrutura misteriosa de 2.500 anos sob o Delta do Rio Nilo é o tipo de achado que lembra o quanto ainda desconhecemos sobre as civilizações antigas.

Cientistas enviaram correntes elétricas pelo solo, criaram um mapa do que estava enterrado e encontraram paredes, amuletos de divindades e um escaravelho com o nome de um faraó. Tudo isso sem saber que a estrutura existia até poucos meses atrás.

A pergunta agora é: quantas outras construções como essa ainda aguardam silenciosamente sob o subsolo egípcio?

O que você acha que essa estrutura era: um templo, uma tumba ou algo completamente diferente? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem se fascina por arqueologia e pela história do Egito antigo.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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