Cansado de ter uma das cidades mais sufocadas do planeta, o Egito decidiu fazer algo radical, construir do zero uma capital inteira no meio do deserto a leste do Cairo, coroada por um arranha-céu de 70 andares que já é o prédio mais alto da África e cercada por avenidas erguidas onde antes só havia areia.
O Cairo é uma daquelas cidades que parecem caber gente além de qualquer limite. São mais de vinte milhões de pessoas espremidas num emaranhado de trânsito, poluição e infraestrutura no limite, e a saída que o Egito encontrou foi das mais ousadas que existem, não tentar consertar a cidade velha, mas erguer uma nova ao lado dela. É a chamada Nova Capital Administrativa, hoje rebatizada simplesmente de A Nova Capital.
O símbolo dessa ambição é a Iconic Tower, um arranha-céu de 70 andares que se tornou o edifício mais alto de toda a África. Ela domina o novo centro financeiro, cercada por outras torres que sobem rápido do chão do deserto. E o projeto não para na altura, ele inclui a maior catedral do Oriente Médio e uma imensa mesquita, num gesto deliberado de mostrar que ali nasce uma cidade pensada para ser capital de verdade.
Construir uma cidade do nada
Erguer uma capital do zero é um daqueles feitos que parecem coisa de outra era, mas que alguns países ainda ousam tentar. Significa traçar avenidas, redes de água, energia e esgoto, prédios de governo, bairros residenciais e centros financeiros num lugar que, até pouco tempo, era deserto puro. As imagens de satélite contam essa história melhor do que qualquer texto, mostrando uma malha urbana inteira aparecendo onde o mapa só registrava areia.
-
Sem mansão, sem alto investimento e sem sala de aula tradicional, professora que vive em casa de 22 m² ensinou alunos a construir uma quitinete de 9 m² com o equivalente a R$10 mil
-
Ponte de R$ 450 milhões no Brasil terá 700 metros, deve reduzir viagens para apenas 14 minutos e promete mudar a vida de mais de 1 milhão de pessoas, criando uma nova ligação estratégica após décadas de espera
-
Sem casa própria e pressionada pelo aluguel, jovem de 25 anos comprou um barco pequeno de 15 metros, reformou o interior sozinha aos poucos, transformou o interior com pintura, piso novo, banheiro maior e passou a viver nos canais pagando muito menos por mês
-
Cansada de ver famílias dormindo na rua, São Paulo entregou microcasas de 18 m² mobiliadas e tirou 888 pessoas da rua: a Vila Reencontro virou a moradia social modelo para a população de rua
Confesso que tenho um fascínio especial por esse tipo de projeto, porque ele expõe uma decisão de uma coragem quase absurda. Em vez de remendar o caos de uma metrópole histórica, o governo aposta bilhões num recomeço completo, transferindo para lá os ministérios, os órgãos públicos e a engrenagem administrativa do país. É reorganizar a coluna vertebral de uma nação inteira mudando-a de endereço.

Por que tirar o governo da cidade velha
A lógica por trás de mudar a capital costuma ser sempre parecida. Cidades históricas como o Cairo cresceram de forma desordenada por séculos, e chega um ponto em que descongestioná-las é praticamente impossível. Tirar de lá a máquina do governo e os milhares de funcionários que ela emprega é uma forma de aliviar a pressão sobre a cidade antiga e, ao mesmo tempo, criar um polo novo de investimento e moradia.
Não é a primeira vez que um país faz isso, e dá para entender a tentação. Uma capital planejada nasce com avenidas largas, espaço para crescer e infraestrutura moderna desde o primeiro dia, sem a herança de séculos de improviso. O risco, claro, é que uma cidade construída por decreto demore a ganhar alma e vida, levando anos para deixar de ser um canteiro de obras e virar um lugar onde as pessoas realmente querem estar.
O Brasil, aliás, conhece bem essa história. Foi exatamente isso que fizemos com Brasília nos anos 1960, erguendo uma capital inteira no meio do nada para tirar o centro do poder do litoral e interiorizar o país. Levou tempo até a cidade ganhar vida própria, mas hoje ninguém questiona que deu certo. O Egito aposta na mesma fórmula que o Brasil testou décadas atrás, a de que uma capital pode, sim, ser projetada do zero numa prancheta e brotar do chão onde antes não havia nada. É uma ideia que assusta pela ambição, mas que já provou ser possível. Talvez por isso a obra egípcia desperte uma curiosidade tão particular em quem vive num país que fez a mesma aposta e venceu.

Da fase de obra para a fase de cidade
O momento atual do projeto é justamente essa transição delicada, a passagem da construção pura para a operação de verdade. Prédios de governo já recebem funcionários, bairros começam a ser ocupados e a cidade ensaia os primeiros passos como um lugar habitado, e não apenas um gigantesco estaleiro urbano. É a fase em que se descobre se a aposta vai vingar ou se vai virar uma cidade-fantasma cara demais.
A Iconic Tower e o centro financeiro são a vitrine desse esforço, a parte que o Egito quer mostrar ao mundo como prova de que o projeto é sério e está de pé. Erguer o prédio mais alto da África no meio do deserto é, antes de tudo, uma declaração de intenção, um jeito de dizer que ali não nasce um subúrbio qualquer, mas um novo centro de poder.

Uma capital nascida do deserto
Fico imaginando o que vai significar, daqui a uma geração, dizer que a capital do Egito não é mais o lendário Cairo às margens do Nilo, mas uma cidade reluzente erguida do nada no deserto. É uma mudança de uma escala que poucos países teriam coragem de bancar, e que mistura ambição, necessidade e uma boa dose de aposta no futuro.
Dará certo ou não, só o tempo dirá, porque cidades planejadas têm um histórico irregular pelo mundo. Mas é impossível não se impressionar com a determinação de transformar areia em metrópole, levantando arranha-céus, catedral e mesquita onde, poucos anos atrás, não havia absolutamente nada além de horizonte.
Você moraria numa capital construída do zero no deserto, ou prefere o caos cheio de história de uma cidade antiga?


Essa nova capital,o novo super edifício,pelo que entendi conversando com Egípcio…é para gente de dinheiro…a maioria da população, como em.outros países…ganha para sobreviver,mas el -Sisi,ficará na história…inshallah…como.dizem.lá…
Veja bem: Brasília só deu certo pra quem é rico, porque para quem trabalha de verdade mora nas cidades satélites, tendo que usar transporte público horrível sem ar refrigerado, passando a cada 30 ou 40 minutos.
Brasília é quase cidade fantasma, com inúmeras salas de comércio vazias.
Como sempre no Brasil os grandes funcionários públicos vivem bem, os mais humildes são penalizados.
Mas Angola um país em **** ainda é pobre de conhecimento