Programa iniciado em 1978 já se estende por 4.500 km no norte do país, mas ainda divide especialistas sobre os resultados contra a desertificação
A chamada Grande Muralha Verde da China é um megaprojeto de engenharia ecológica criado para frear a expansão dos desertos de Gobi e Taklamakan, no norte do país.
O programa começou em 1978 e é conhecido oficialmente como Programa Florestal de Refúgio Três do Norte. A proposta é formar um grande cinturão de vegetação ao longo das fronteiras do norte chinês.
Por que a desertificação virou um problema maior
O norte da China já era uma região seca antes da urbanização acelerada a partir da década de 1950. Um dos fatores apontados é a “sombra de chuva” causada pelo Himalaia, que reduz a incidência de precipitação na área próxima à fronteira com a Mongólia.
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Com o avanço das cidades e a expansão das áreas agrícolas, aumentaram a erosão do solo e a deposição de areia. Isso favoreceu um cenário com mais tempestades de areia, que removem a camada superficial do solo, degradam o terreno e elevam a poluição por partículas em suspensão em centros urbanos.
Tempestade de poeira no norte da China é um fenômeno que agrava a poluição por partículas, reduz a visibilidade e acelera a perda de solo fértil, com impactos na saúde respiratória.

Os números do plantio e a meta de longo prazo
Desde 1978, a China afirma ter plantado mais de 66 bilhões de árvores ao longo de uma faixa de 4.500 quilômetros no norte do país, em áreas que fazem fronteira com Mongólia, Cazaquistão e Quirguistão.
As autoridades também planejam plantar mais 34 bilhões de árvores nos próximos 25 anos. Se o cronograma for cumprido, a meta é que a barreira vegetal chegue aos 4.500 km em 2050.
Desertos gigantes e pressão constante sobre o território
Os desertos de Gobi e Taklamakan são citados como dois dos maiores da região, somando cerca de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. O tamanho total é descrito como ligeiramente inferior ao do Alasca.
Mesmo com décadas de ações, os dois desertos seguem avançando. O Gobi, por exemplo, é frequentemente apontado como responsável por absorver cerca de 3.600 km² de pastagens chinesas por ano, com impacto sobre ecossistemas, áreas agrícolas e a qualidade do ar em cidades como Pequim.
Avanços anunciados e dúvidas sobre a eficácia
No ano passado, representantes do governo informaram que a China teria concluído o “cinturão” de vegetação ao redor do Taklamakan. A medida teria ajudado a estabilizar dunas e a manter a ampliação da cobertura florestal do país.
Segundo os dados citados, a cobertura florestal teria passado de cerca de 10% da área da China em 1949 para mais de 25% atualmente. Ainda assim, pesquisadores apontam que não há consenso sobre o quanto a muralha verde consegue, de fato, conter a desertificação.
Críticas: monocultivo, baixa sobrevivência e falta de água
Uma das críticas é a taxa de sobrevivência considerada baixa de árvores e arbustos plantados em trechos do projeto. Há relatos de grandes áreas com apenas uma ou duas espécies, principalmente álamos e salgueiros, o que aumenta a vulnerabilidade a doenças.
Um exemplo citado ocorreu em 2000, quando cerca de 1 bilhão de álamos teria sido perdido por causa de um único patógeno na província de Ningxia. Outro problema apontado é o plantio em locais com pouca disponibilidade de água, exigindo intervenção humana constante para manter as árvores vivas.
O especialista Xian Xue, da Academia Chinesa de Ciências, afirmou em 2017 que o esforço de plantio em áreas de dunas e no Gobi levou à queda rápida da umidade do solo e do lençol freático. Na avaliação dele, isso poderia acelerar a desertificação em algumas regiões, em vez de contê-la.
Impacto fora da China e referência para a África
Mesmo com as controvérsias, a iniciativa chinesa é descrita como inspiração para a Grande Muralha Verde da África. O plano africano prevê um cinturão de árvores com 8.000 km de extensão para conter a degradação do solo e a desertificação no continente.
O projeto chinês também é alvo de avaliações críticas por priorizar poucas espécies em determinados trechos, o que tende a contribuir menos para a biodiversidade do que estratégias baseadas em maior variedade de plantas nativas adaptadas a cada região.

O deserto está lá por falta de agua e as arvores sumiram pela mesma razão Se irrigarmos as plantas no deserto , logicamente as plantas voltarao a crescer mas isso implica num gigantesco projeto de irrigação. É o mesmo que acontece na Amazonia . A floresta está lá por causa da chuva e não o inverso como querem nos fazer crer .
Isso mesmo. Corretíssimo.