Audiência pública marcada para 14 de maio na Câmara dos Deputados vai discutir impactos sanitários, ambientais, econômicos e jurídicos ligados ao abate de jumentos e ao comércio internacional de peles destinadas à medicina tradicional chinesa.
O Congresso Nacional realizará, no próximo dia 14 de maio de 2026, uma audiência pública para discutir o avanço do abate de jumentos no Brasil e os impactos ligados ao comércio internacional das peles desses animais.
O debate ocorrerá às 10h, no âmbito da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Além disso, o encontro pretende ampliar a pressão pela votação do PL 2387/2022, projeto que propõe o fim definitivo do abate de jumentos em território nacional.
Atualmente, a proposta segue parada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, sem previsão oficial de deliberação. Ainda assim, organizações da sociedade civil e pesquisadores intensificaram a mobilização para acelerar a análise do texto.
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Audiência no Congresso amplia pressão pelo fim do abate de jumentos
Segundo o deputado Célio Studart (PSD-CE), responsável pela iniciativa da audiência pública, o objetivo é ampliar o debate sobre os impactos sanitários, ambientais, econômicos e jurídicos ligados ao comércio global das peles de jumentos.
Além disso, o encontro também abordará temas relacionados ao bem-estar animal, à sustentabilidade e à saúde pública. Portanto, representantes do governo, pesquisadores e entidades civis devem participar das discussões.
Entre as organizações confirmadas estão o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e a The Donkey Sanctuary, instituição internacional voltada à proteção de equinos.
Segundo Patricia Tatemoto, PhD em Ciências pela USP e coordenadora de campanhas das Américas da The Donkey Sanctuary, o debate no Congresso é fundamental para que decisões legislativas sejam tomadas com base em evidências técnicas e científicas.
Comércio de peles de jumentos impulsiona preocupação internacional
Historicamente, as peles dos jumentos abatidos no Brasil têm como principal destino a China. No país asiático, o material é utilizado na produção de ejiao, um produto da medicina tradicional chinesa.
O ejiao é fabricado a partir da extração de colágeno das peles. Além disso, o produto promete benefícios ligados ao vigor físico e ao rejuvenescimento.
No entanto, conforme destacado pelas organizações envolvidas no debate, não existem comprovações científicas sobre a eficácia dessas promessas.
Enquanto isso, a crescente demanda internacional vem provocando preocupação sobre o futuro da população de jumentos no Brasil.
Dados oficiais apontam queda de 94% da população de jumentos
Segundo dados da FAO, do IBGE e do sistema Agrostat, o número de jumentos no Brasil caiu 94% entre 1996 e 2024.
Além disso, pesquisadores nacionais e internacionais classificam o cenário atual como uma “tragédia dos comuns”. Nesse caso, a exploração descontrolada de um recurso ameaça tanto os animais quanto comunidades rurais que dependem deles.
Conforme especialistas apontam, a ausência de uma cadeia produtiva estruturada e a dependência da captura dos animais intensificam o risco de colapso populacional.
Ao mesmo tempo, a demanda chinesa segue elevada. Segundo estimativas divulgadas pela The Donkey Sanctuary, a China consome cerca de 5,9 milhões de peles de jumentos por ano.
Além disso, projeções da organização indicam que a demanda pode atingir pelo menos 6,8 milhões até 2027.
Diante da redução da população de jumentos em território chinês, o país passou a importar peles de outras nações, incluindo o Brasil.
Agora, com o avanço das discussões no Congresso Nacional, entidades civis e pesquisadores tentam transformar o debate técnico em uma decisão legislativa definitiva. Afinal, até quando o Brasil conseguirá equilibrar pressão econômica, preservação ambiental e proteção animal sem definir o futuro do abate de jumentos?

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