Peru cria regras para motociclistas em áreas sob estado de emergência e proíbe passageiros em motos para tentar conter violência urbana.
Uma nova medida de segurança adotada no Peru começou a gerar forte repercussão nas redes sociais e assustou muitos motociclistas brasileiros após vídeos e publicações afirmarem que motos com garupa poderiam render multas equivalentes a mais de R$ 2 mil. A regra realmente existe, mas não foi criada no Brasil. As informações são da própria agência de notícias peruana e foram publicadas no dia 23 de janeiro deste ano.
O governo peruano passou a proibir que duas pessoas circulem na mesma motocicleta em regiões sob estado de emergência, principalmente em Lima Metropolitana e Callao, como parte de um pacote emergencial para tentar reduzir assaltos, ataques armados, extorsões e crimes cometidos por criminosos usando motos para fugir rapidamente do local.
Segundo autoridades peruanas, o modelo de crime se tornou cada vez mais comum no país: uma pessoa conduz a moto enquanto outra realiza assaltos ou ataques antes da fuga em meio ao trânsito urbano.
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A proibição começou a valer em áreas sob estado de emergência
De acordo com o Ministério dos Transportes e Comunicações do Peru, a restrição entrou em vigor em áreas declaradas sob estado de emergência, incluindo Lima e Callao. A medida foi formalizada por decreto supremo e passou a ser fiscalizada pela polícia peruana.
O governo afirmou que a decisão faz parte de um conjunto de ações emergenciais para enfrentar o aumento da violência urbana e do crime organizado.
Além da restrição para passageiros em motocicletas, o estado de emergência também ampliou operações policiais, presença militar nas ruas e ações de controle de identidade.
A multa inicial pode passar de R$ 1 mil e dobra em caso de reincidência
Segundo informações divulgadas por autoridades peruanas e veículos locais, a infração passou a gerar multa inicial de 660 soles, valor equivalente a aproximadamente R$ 1 mil na conversão atual.
Em caso de reincidência, a penalidade pode dobrar para 1.320 soles, quantia próxima de R$ 2.100 dependendo da cotação do câmbio.
A regulamentação também prevê perda de pontos na carteira do condutor e outras sanções administrativas.
O governo peruano afirma que motos passaram a ser usadas em ataques rápidos
Autoridades de segurança do Peru afirmam que motocicletas vêm sendo usadas com frequência crescente em:
- roubos rápidos;
- ataques armados;
- execuções;
- extorsões;
- e fugas urbanas.
Segundo reportagens locais e análises sobre a crise de segurança no país, criminosos aproveitam o trânsito intenso das cidades para escapar rapidamente após os ataques.
O modelo se tornou especialmente preocupante em Lima, onde a percepção de insegurança aumentou fortemente nos últimos anos.
A medida dividiu opiniões entre motociclistas e autoridades
A nova regra gerou forte reação entre motociclistas peruanos. Entidades ligadas ao setor afirmaram que milhões de pessoas usam motos diariamente para trabalho, deslocamento familiar e transporte urbano, argumentando que a restrição pune trabalhadores comuns em vez de atacar diretamente organizações criminosas.
Por outro lado, integrantes do governo defendem que a medida é necessária diante da escalada da violência.
O presidente peruano José Jeri chegou a participar pessoalmente de operações policiais de fiscalização em Lima para reforçar cumprimento da nova regra.
O Peru vive uma forte crise de segurança pública
A restrição acontece em meio a uma crise de segurança pública que se agravou no Peru nos últimos anos. Dados citados em relatórios e reportagens locais apontam crescimento de:
- extorsões;
- assassinatos;
- violência urbana;
- e atuação de organizações criminosas.
O governo peruano vem renovando estados de emergência em diferentes regiões do país como tentativa de conter a situação.
Em Lima e Callao, a presença de militares nas ruas se tornou mais frequente durante operações de segurança.
A regra não vale no Brasil
Apesar da repercussão nas redes sociais brasileiras, a proibição não foi adotada no Brasil. A medida está ligada especificamente às regras emergenciais implementadas pelo governo peruano em áreas sob estado de emergência.
Mesmo assim, a discussão ganhou força porque vários países da América Latina enfrentam aumento de crimes cometidos com motocicletas em grandes centros urbanos.
O caso peruano acabou chamando atenção justamente por atingir diretamente um dos meios de transporte mais usados pela população trabalhadora do país.
