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Sem diploma de engenharia e financiando tudo com conserto de celulares, estudante nigeriano transformou motor de Honda Civic, bancos de Toyota e peças de um Boeing 747 acidentado em um helicóptero amarelo de 12 metros feito no quintal de casa que chegou a voar seis vezes

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 26/06/2026 às 07:54 Atualizado em 26/06/2026 às 07:56
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Estudante nigeriano construiu um helicóptero com sucata de carros, motos e peça de avião, e a máquina chegou a voar em testes curtos.

Em 2007, a história de Mubarak Muhammad Abdullahi, estudante de física de 24 anos da Bayero University, em Kano, chamou atenção muito além da Nigéria. Reportagens publicadas pela Mail & Guardian mostraram que o universitário passou oito meses construindo um helicóptero artesanal com peças retiradas de carros, motos e fragmentos de uma aeronave acidentada. O caso impressionou não apenas pelo improviso, mas pelo fato de a máquina realmente conseguir sair do chão em testes curtos. Em vez de um conceito apenas visual ou de uma carcaça cenográfica, o que Abdullahi montou foi um protótipo funcional, ainda rudimentar, mas capaz de demonstrar decolagem em baixa altura e de transformar sucata em uma aeronave operável.

Helicóptero construído com sucata na Nigéria nasceu da mistura entre curiosidade, internet e improviso

O projeto começou no quintal de casa, onde Abdullahi desmontava veículos velhos e reaproveitava o que encontrava de útil. O estudante financiou parte da construção com o dinheiro que ganhava consertando computadores e celulares, além de contar com ajuda do pai para comprar alumínio e outros componentes.

As reportagens da Mail & Guardian mostram que a motivação não nasceu de um laboratório, de uma empresa ou de um programa oficial de inovação. O próprio Abdullahi afirmou que aprendeu noções básicas sobre helicópteros pela internet e que a ideia de construir a máquina surgiu da fascinação que desenvolveu ao assistir a filmes de ação na televisão.

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Não se tratava de um engenheiro aeronáutico com oficina equipada, mas de um universitário autodidata que decidiu enfrentar um desafio extremo com os recursos que tinha à mão, combinando conhecimento básico de física, habilidade manual e persistência.

Motor de Honda Civic, bancos de Toyota e peça de Boeing formaram a estrutura do helicóptero

A estrutura do helicóptero reunia elementos improváveis. Segundo os relatos publicados em 2007 pela Mail & Guardian, a máquina usava um motor de 133 cavalos retirado de um Honda Civic de segunda mão, além de bancos de um carro Toyota e partes metálicas de veículos desmontados.

Outro ponto que ajudou a transformar o caso em símbolo de engenhosidade foi a origem de parte da fuselagem. As reportagens informam que Abdullahi também reaproveitou componentes da carcaça de um Boeing 747 que havia caído nas proximidades de Kano anos antes, incorporando esses fragmentos ao protótipo.

O resultado foi um helicóptero de dimensões incomuns para um projeto caseiro. Os textos da época descrevem uma aeronave com 12 metros de comprimento, cerca de 7 metros de altura e aproximadamente 5 metros de largura, proporções que reforçavam a ambição do projeto mesmo com sua execução artesanal.

Como funcionava o cockpit do helicóptero artesanal de Mubarak Abdullahi

Apesar do improviso, o protótipo tinha uma lógica operacional clara. O cockpit reunia um botão de ignição, uma alavanca de aceleração instalada entre os assentos e um joystick usado para equilíbrio e direção, formando um conjunto simples, mas pensado para controle básico da aeronave.

Estudante nigeriano construiu um helicóptero com sucata de carros, motos e peça de avião, e a máquina chegou a voar em testes curtos.
nigeriano construiu um helicóptero com sucata

As reportagens da Mail & Guardian também descrevem um pequeno sistema de visão do solo. Uma câmera instalada sob o helicóptero era ligada a uma tela no painel, enquanto um transmissor de rádio completava o conjunto de comunicação do aparelho. Esse detalhe mostra que Abdullahi não se limitou à estrutura externa e tentou incorporar elementos práticos de operação.

Na descrição do próprio estudante, o funcionamento começava com o acionamento do motor e seguia com o avanço gradual da alavanca, até que a hélice superior ganhasse rotação suficiente para a aeronave decolar. Era uma solução rudimentar, sem os instrumentos completos de uma cabine profissional, mas baseada em um raciocínio mecânico consistente.

Helicóptero voou seis vezes, mas nunca passou de cerca de 2 metros de altura

É importante tratar o feito com precisão. A Mail & Guardian indica que o helicóptero de Abdullahi voou brevemente em seis ocasiões, mas jamais atingiu grande altitude.

O limite registrado nas reportagens ficou em cerca de sete pés, algo próximo de 2 metros, o que coloca o protótipo muito mais na categoria de demonstração funcional do que na de aeronave pronta para uso real.

nigeriano construiu um helicóptero com sucata
nigeriano construiu um helicóptero com sucata

Mesmo assim, o mérito técnico permanece impressionante. Fazer uma estrutura desse porte sair do chão, ainda que por poucos instantes e em altura muito baixa, já era um feito raro para um projeto montado com sucata, sem apoio institucional robusto e sem formação específica em engenharia aeronáutica.

O próprio Abdullahi reconhecia as limitações do primeiro modelo. Segundo o Mail & Guardian, ele admitia que a aeronave ainda não tinha instrumentos básicos para medir fatores como altitude, pressão atmosférica e umidade, o que mostra que ele tratava a criação como um primeiro estágio, não como produto acabado.

Falta de apoio oficial expôs o desperdício de talento na aviação nigeriana

Se a construção do helicóptero revelou inventividade, a reação oficial mostrou outra face da história. As reportagens registram que Abdullahi reclamava da ausência de interesse da autoridade de aviação civil da Nigéria, mesmo após demonstrações que despertaram curiosidade de autoridades locais em outro estado do país.

Esse contraste ajuda a explicar por que o caso ganhou força simbólica. De um lado, havia um estudante universitário montando uma máquina voadora com recursos escassos. Do outro, um ambiente institucional que, segundo os relatos da época, ainda não havia convertido essa demonstração de talento em apoio técnico, validação formal ou oportunidade de desenvolvimento.

A história acabou se transformando em um retrato poderoso de como inovação e precariedade podem coexistir. O helicóptero de Abdullahi não era prova de maturidade industrial, mas de capacidade inventiva em estado bruto, surgida longe dos centros tradicionais de pesquisa e sem a infraestrutura normalmente associada à aviação.

Novo helicóptero já estava em andamento e prometia ser mais sofisticado

Mesmo com todas as limitações do primeiro modelo, Abdullahi não parou ali. As fontes de 2007 mostram que ele já trabalhava em um segundo helicóptero, descrito como um projeto mais sofisticado e mais refinado do ponto de vista estético e estrutural.

Segundo os relatos publicados pela Mail & Guardian, essa nova versão seria um modelo de dois lugares, com motor novo e com a ambição de alcançar cerca de 4,5 metros de altitude e permanecer no ar por até três horas.

Era uma meta ousada, ainda baseada em projeções do próprio inventor, mas suficiente para mostrar que o primeiro protótipo era visto por ele como apenas o começo.

Mais do que construir um helicóptero artesanal com peças de carro e restos de aeronave, Abdullahi demonstrou uma mentalidade de desenvolvimento contínuo, tratando seu primeiro voo baixo não como ponto final, mas como ensaio para algo maior.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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