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Navio de pesquisa parte de Fortaleza neste domingo para missão de 35 dias que vai mapear o fundo do oceano brasileiro e buscar espécies marinhas desconhecidas, robô de duas toneladas a bordo pode descer até 6,5 mil metros de profundidade

Publicado em 17/05/2026 às 01:24
Atualizado em 17/05/2026 às 01:30
Um navio de pesquisa parte de Fortaleza neste domingo para uma missão de 35 dias que vai mapear o fundo do oceano brasileiro com um robô de duas toneladas capaz de descer a 6,5 mil metros. A expedição busca espécies marinhas desconhecidas no Cânion do Amazonas.
Um navio de pesquisa parte de Fortaleza neste domingo para uma missão de 35 dias que vai mapear o fundo do oceano brasileiro com um robô de duas toneladas capaz de descer a 6,5 mil metros. A expedição busca espécies marinhas desconhecidas no Cânion do Amazonas.
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Segundo o portal Diário do Nordeste, o navio de pesquisa R/V Falkor (Too), do Schmidt Ocean Institute, parte de Fortaleza neste domingo (17) para uma missão de 35 dias que vai mapear o fundo do oceano brasileiro e buscar espécies marinhas ainda desconhecidas pela ciência. A bordo, cerca de 20 pesquisadores, entre professores e estudantes universitários, utilizarão um robô autônomo de mais de duas toneladas capaz de descer até 6,5 mil metros de profundidade para coletar imagens, amostras de animais, plantas e sedimentos do fundo do mar.

A expedição, intitulada “Correntes de turbidez no Cânion Amazônico: impactos no fundo do mar, ecossistemas bentônicos e fluxo de carbono”, investiga como processos submarinos moldam o fundo marinho, influenciam a biodiversidade e transportam carbono nas profundezas do oceano. O navio aportou em Fortaleza nesta semana por razões de logística portuária e seguirá pela costa brasileira até 15 de junho, em parceria com o projeto Seabed 2030, iniciativa internacional inédita que pretende mapear todo o fundo do mar do planeta em alta resolução.

Os dados coletados durante a missão serão compartilhados de forma aberta e incluídos no Censo do Oceano, uma iniciativa global para identificar o máximo de espécies marinhas desconhecidas antes que se percam para as gerações futuras. A pesquisa ocorre entre duas datas simbólicas do calendário ambiental: o Dia do Meio Ambiente (5 de junho) e o Dia Mundial do Oceano (8 de junho).

O robô de duas toneladas que desce a 6,5 mil metros

O robô utilizado na missão é capaz de descer até 6,5 mil metros no fundo do mar.
Foto: Ana Beatriz Caldas.

O principal instrumento da expedição é um robô autônomo submarino que funciona como um veículo de exploração capaz de alcançar profundidades onde nenhum mergulhador humano sobreviveria. O equipamento pesa mais de duas toneladas, é equipado com múltiplas câmeras para registrar o máximo possível de imagens do oceano profundo e pode descer até 6,5 mil metros abaixo da superfície, profundidade que cobre a esmagadora maioria do fundo marinho da costa brasileira.

Além de filmar e fotografar, o robô é capaz de coletar amostras físicas de animais, plantas e sedimentos para análise laboratorial a bordo do navio. Essas amostras são fundamentais para identificar espécies novas, analisar a composição do solo marinho e entender como os ecossistemas bentônicos (que vivem no fundo do oceano) interagem com as correntes, os minerais e o carbono depositado nas profundezas. Interessados em ver o robô em ação podem acompanhar as missões ao vivo pelo canal do Schmidt Ocean Institute no YouTube.

O Cânion do Amazonas e o carbono no fundo do oceano

 O navio atracou em Fortaleza nesta semana e sairá no próximo domingo (17).
Foto: Ismael Soares.

Um dos focos principais da expedição é o Cânion do Amazonas, uma formação geológica submarina na foz do Rio Amazonas que funciona como canal de transporte de sedimentos e carbono para as profundezas do oceano. Os pesquisadores investigam como as correntes de turbidez, fluxos densos de água carregada de sedimentos que descem pelas paredes do cânion, impactam o fundo marinho, a vida que habita essas profundezas e o ciclo global de carbono. O entendimento desse processo é relevante porque o oceano é o maior reservatório de carbono do planeta.

O professor Ângelo Bernardino, da Universidade Federal do Espírito Santo, explica que a equipe vai explorar uma área com falha geológica ativa, onde espera encontrar biodiversidade diferente da que se encontra normalmente nos oceanos. “A gente pode trazer um pouco mais de informações sobre o que vive no fundo dos oceanos e a importância disso para a humanidade”, afirmou o pesquisador. Para a ciência brasileira, mapear os recursos vivos e não vivos do fundo do oceano, incluindo minerais, pode ter implicações que vão da conservação ambiental à exploração econômica.

Seabed 2030: mapear todo o fundo do mar do planeta

A expedição que parte de Fortaleza contribui com o Seabed 2030, uma iniciativa internacional inédita que tem como objetivo mapear todo o fundo do oceano global em alta resolução. Atualmente, a maior parte do fundo do mar permanece sem mapeamento detalhado, o que significa que sabemos mais sobre a superfície de Marte do que sobre o que existe nas profundezas dos nossos próprios oceanos. O Seabed 2030 busca preencher essa lacuna utilizando dados de expedições como esta para construir um mapa batimétrico completo do planeta.

Os dados coletados pelo R/V Falkor (Too) na costa brasileira serão integrados a essa base global e disponibilizados de forma aberta para pesquisadores, governos e organizações de conservação de todo o mundo. Para o Brasil, que possui uma das maiores extensões de costa oceânica do planeta, contribuir com o mapeamento do próprio fundo marinho é tanto um avanço científico quanto uma questão de soberania: conhecer o que existe nas profundezas do oceano brasileiro é condição para proteger e, quando necessário, explorar esses recursos de forma responsável.

Censo do Oceano: catalogar a vida antes que desapareça

Os dados da expedição também alimentarão o Censo do Oceano, uma iniciativa global liderada pela Fundação Nippon que busca identificar o máximo de espécies marinhas desconhecidas antes que mudanças climáticas, poluição e exploração destruam formas de vida que a ciência sequer teve a chance de documentar. “Estamos numa corrida contra o tempo para descobrir a vida marinha antes que ela se perca para as gerações futuras”, declarou Yohei Sasakawa, presidente da Fundação Nippon. “O Censo criará uma imensa riqueza de conhecimento de acesso aberto que beneficiará toda a vida na Terra.”

A expedição espera encontrar espécies que nunca foram catalogadas, especialmente nas áreas de falha geológica ativa do Cânion Amazônico, onde condições extremas de pressão, temperatura e composição química podem abrigar formas de vida únicas. Cada nova espécie identificada amplia o entendimento da biodiversidade oceânica e pode ter aplicações em áreas como farmacologia, biotecnologia e ciência dos materiais, já que organismos de ambientes extremos frequentemente possuem enzimas e compostos com propriedades que não existem em espécies de superfície.

Escola Azul: do fundo do oceano para a sala de aula

A expedição não ficará restrita ao navio e aos laboratórios. O professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordena uma iniciativa que conectará a missão com estudantes de escolas públicas e privadas de todo o Brasil por meio do projeto “Escola Azul”, do Governo Federal. As escolas participantes poderão visitar virtualmente o navio e conversar em tempo real com os pesquisadores durante a expedição.

O objetivo é fazer com que jovens brasileiros reflitam sobre como os oceanos se relacionam com suas próprias vidas, numa abordagem que transforma uma expedição científica de alto nível em ferramenta educacional acessível. Para estudantes que vivem no interior do país e nunca viram o mar, acompanhar pesquisadores descendo robôs a 6,5 mil metros de profundidade pode ser a experiência que desperta o interesse pela ciência oceânica e pela conservação marinha.

35 dias para conhecer o que nunca foi visto

O navio de pesquisa R/V Falkor (Too) parte de Fortaleza neste domingo para uma missão de 35 dias que vai mapear o fundo do oceano brasileiro, buscar espécies desconhecidas no Cânion do Amazonas e alimentar o Censo Mundial do Oceano com dados de acesso aberto. O robô de duas toneladas a bordo pode descer a 6,5 mil metros, coletar amostras de vida marinha e filmar profundezas que a maioria dos seres humanos jamais verá. Os resultados podem revelar formas de vida que a ciência nem sabia que existiam, e tudo começa a menos de 30 dias do Dia Mundial do Oceano.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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