A brasileira Letícia Pavim, influenciadora de Ribeirão Preto, em São Paulo, embarcou em uma jornada de 56 horas até a cidade chinesa de Zhengzhou para treinar kung fu durante três semanas numa escola comandada por um mestre da 36ª geração de lutadores, na região onde a arte marcial foi criada há mais de 1.500 anos. Segundo o g1, os vídeos que documentaram a experiência ultrapassaram 4 milhões de visualizações, especialmente as imagens da técnica de “corpo de ferro”, em que a brasileira recebe impactos de bastões no corpo como forma de condicionamento muscular.
A decisão de cruzar o planeta para treinar numa escola de kung fu não foi impulso. Letícia se preparou durante seis meses antes da viagem, mudou a alimentação com acompanhamento nutricional e treinou musculação e muay thai seis vezes por semana no Brasil para criar o condicionamento necessário. O sonho de conhecer a China a acompanhava desde a adolescência, quando chegou a estudar mandarim por três anos, mas a pandemia e a perda do pai para a Covid-19 em 2021 adiaram os planos. O gatilho final veio meses atrás, ao assistir a um vídeo do mestre Shi Miao Hai na internet: “Eu vi um vídeo do mestre e falei: ‘Meu Deus, é isso que eu preciso’. Fiquei obcecada”, conta a brasileira. A escola fica no distrito de Dengfeng Shaolin, na província de Henan, exatamente a região onde o kung fu nasceu.
Seis horas de treino por dia numa escola sem luxo

imagem: g1
A rotina na escola de kung fu começa pontualmente às 6h da manhã e se estende por três blocos de treinamento que somam até seis horas diárias de exercícios físicos. O primeiro bloco é matinal, seguido de um período das 9h às 11h focado em combate, técnicas de mãos vazias e manuseio de armas. Após o almoço, o terceiro e mais exaustivo período vai das 14h30 às 17h, de segunda a sábado, com tardes livres apenas às quartas-feiras, sábados e domingos.
A estrutura do acampamento é funcional e sem conforto supérfluo. Os quartos são compartilhados, divididos por gênero, equipados com beliches e colchões no estilo tradicional chinês. A escola oferece alojamento, refeições e instrução contínua num formato de imersão total, onde a brasileira conviveu com alunos da Itália, Rússia, Catar e Irã. A comunidade se organiza em torno do conceito de “Família Kung Fu”, onde todos apoiam o desenvolvimento coletivo, mas os instrutores não perdoam falta de empenho.
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A técnica de “corpo de ferro” que viralizou

As imagens que mais chamaram a atenção do público nas redes sociais mostram a brasileira recebendo impactos de bastões em diferentes partes do corpo. A técnica, conhecida no kung fu como Tie Bu Sha (Camisa de Ferro) ou Palma de Ferro (Tie Zhang), é uma prática milenar que busca endurecer músculos, tecidos e ossos por meio de impacto constante e controlado. O praticante utiliza o Qigong, um sistema de respiração e energia, para contrair apenas a área que receberá a pancada, mantendo o restante do corpo relaxado para absorver a força de forma segura.
A prática não é obrigatória nos treinamentos: o aluno escolhe pedir para passar por esse nível de condicionamento. Letícia assumiu o desafio e treinou diariamente com os bastões, mesmo enfrentando dificuldade no início. “Eu penei muito nas aulas com o bastão, mas todos os dias ia praticando para ser melhor. Nada como a constância e o tijolinho por tijolinho para chegarmos onde quisermos”, descreve a brasileira. Os vídeos dessa prática foram os que mais viralizaram, ultrapassando a marca de 4 milhões de visualizações nas redes sociais.
Carregar 70 quilos nas costas e a bronca do treinador

Em um dos momentos mais marcantes da imersão, a turma recebeu o comando de carregar uma pessoa nas costas e dar uma volta completa nas instalações da escola, incluindo subir e descer lances de escada. A brasileira escolheu uma colega mais leve, com aproximadamente 40 quilos, e completou o percurso. A decisão gerou uma bronca severa do treinador, que exigiu o cumprimento da regra oficial: o praticante deve transportar alguém com peso corporal igual ou superior ao seu.
Como correção, Letícia precisou refazer todo o caminho carregando um adolescente chinês de 70 quilos nas costas. “Foi muito sofrido. Depois eu até dei uma choradinha, não de tristeza, mas somente porque o corpo sentiu muito. Mas aí a gente segue o baile, faz parte”, relembra. A rigidez dos instrutores chineses é parte fundamental da pedagogia: se a equipe nota comprometimento do aluno, as exigências sobem ao extremo. A brasileira encarou como elogio, não como punição.
Os seis meses de preparo que evitaram lesões
O preparo físico que Letícia fez no Brasil antes de embarcar para a China se provou decisivo durante as três semanas de imersão. Enquanto outros alunos sofriam lesões e precisavam de acupuntura logo nos primeiros dias, a brasileira completou o período inteiro sem necessidade de intervenção médica. “Passei três semanas ilesa. Claro que senti dor, tive roxos, mas não precisei tomar nenhum remédio. Fiz absolutamente todos os treinos e dei o melhor todos os dias”, conta.
A preparação de seis meses com musculação, muay thai e reeducação alimentar não foi exagero: foi estratégia. “Eu me preparei muito porque eu queria viver aquilo da melhor forma possível. Eu queria chegar realmente à melhor versão para me tornar algo que eu ainda não conheço”, explica Letícia. A abordagem contradiz a ideia de que experiências radicais se resolvem com coragem e improviso. Para a brasileira, a preparação metódica é o que separou uma imersão transformadora de uma experiência interrompida por lesão.
O Google Tradutor entre o mestre e a aluna
Além do esforço físico, a comunicação foi um dos maiores desafios da brasileira na escola chinesa. Letícia havia estudado mandarim na adolescência, mas a falta de prática ao longo dos anos apagou o conhecimento do idioma. O inglês funcionava como língua comum entre os alunos internacionais, mas as interações com os mestres dependiam de tecnologia: “O mestre falava e mostrava a tela do celular com o Google Tradutor”, conta.
A brasileira alerta que o domínio de pelo menos o inglês é essencial para quem pretende fazer a imersão. “Se a pessoa não sabe falar nem o inglês e nem o mandarim, vai ser uma experiência só de ficar fazendo exercício, meio solitária e péssima, porque não vai se comunicar com ninguém”, relata. A interação com colegas de diferentes nacionalidades foi parte importante da experiência, e sem idioma em comum, o treinamento perde a dimensão cultural que torna a vivência transformadora.
Quanto custa treinar kung fu na China
O acampamento aceita qualquer pessoa acima de 18 anos e cobra valores fixados em moeda local que variam conforme o tempo de permanência. A tabela parte de aproximadamente R$ 2,5 mil para uma semana e chega a cerca de R$ 28 mil para a experiência completa de seis meses, englobando aulas, alimentação e dormitório. A brasileira optou pelo pacote de três semanas e, somando o valor do quarto de hotel nos dias iniciais, investiu cerca de R$ 6 mil no total.
Para quem planeja a experiência, o custo da viagem até a China precisa ser adicionado ao valor do acampamento. As 56 horas de deslocamento incluem voos com conexão e transporte terrestre até a escola, custos que podem variar significativamente dependendo da origem e da antecedência da compra. Mesmo assim, o investimento total da brasileira ficou numa faixa acessível para uma experiência de três semanas que inclui moradia, alimentação e instrução intensiva numa das escolas de artes marciais mais tradicionais do planeta.
56 horas de viagem, 4 milhões de visualizações e uma brasileira que voltou diferente
A brasileira Letícia Pavim viajou 56 horas até a China, treinou kung fu por três semanas com até seis horas diárias de exercícios, encarou a técnica de “corpo de ferro” com bastões e carregou 70 quilos nas costas em escadarias. Voltou sem lesões, com 4 milhões de visualizações e com uma mensagem que repete desde o início da carreira como criadora de conteúdo: “O propósito é inspirar mulheres a viajarem por todo o mundo, quebrar estereótipos e mostrar culturas tão únicas como o kung fu na China.”
Você teria coragem de treinar kung fu numa escola na China? Conte nos comentários o que achou da experiência da Letícia, se a técnica de “corpo de ferro” com bastões assusta ou inspira e se faria os seis meses de preparo antes de embarcar. Queremos ouvir a sua opinião.

Com certeza, teria e iria feliz e contente.
Claro! , treinaria muito Kun Fu e desafiaria o Bruce Lee e o Jet Lee para uma rodada de lutas marciais,mas antes passaria numa funerária e deixaria um a ataúde sob encomenda.kkkkk
Eu admiro muito a força e a coragem dela mas eu não teria essa força, parabéns Letícia 🙏