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Brasileira viajou 56 horas até a China para treinar kung fu por três semanas numa escola próxima ao Templo Shaolin, encarou até seis horas diárias de exercícios com a técnica de “corpo de ferro” que usa bastões para endurecer os músculos e viralizou com mais de 4 milhões de visualizações

Publicado em 17/05/2026 às 00:07
Atualizado em 17/05/2026 às 00:10
Uma brasileira de Ribeirão Preto viajou 56 horas até a China para treinar kung fu por três semanas numa escola próxima ao Templo Shaolin. Os vídeos da técnica de "corpo de ferro" com bastões viralizaram e ultrapassaram 4 milhões de visualizações.
Uma brasileira de Ribeirão Preto viajou 56 horas até a China para treinar kung fu por três semanas numa escola próxima ao Templo Shaolin. Os vídeos da técnica de “corpo de ferro” com bastões viralizaram e ultrapassaram 4 milhões de visualizações.
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A brasileira Letícia Pavim, influenciadora de Ribeirão Preto, em São Paulo, embarcou em uma jornada de 56 horas até a cidade chinesa de Zhengzhou para treinar kung fu durante três semanas numa escola comandada por um mestre da 36ª geração de lutadores, na região onde a arte marcial foi criada há mais de 1.500 anos. Segundo o g1, os vídeos que documentaram a experiência ultrapassaram 4 milhões de visualizações, especialmente as imagens da técnica de “corpo de ferro”, em que a brasileira recebe impactos de bastões no corpo como forma de condicionamento muscular.

A decisão de cruzar o planeta para treinar numa escola de kung fu não foi impulso. Letícia se preparou durante seis meses antes da viagem, mudou a alimentação com acompanhamento nutricional e treinou musculação e muay thai seis vezes por semana no Brasil para criar o condicionamento necessário. O sonho de conhecer a China a acompanhava desde a adolescência, quando chegou a estudar mandarim por três anos, mas a pandemia e a perda do pai para a Covid-19 em 2021 adiaram os planos. O gatilho final veio meses atrás, ao assistir a um vídeo do mestre Shi Miao Hai na internet: “Eu vi um vídeo do mestre e falei: ‘Meu Deus, é isso que eu preciso’. Fiquei obcecada”, conta a brasileira. A escola fica no distrito de Dengfeng Shaolin, na província de Henan, exatamente a região onde o kung fu nasceu.

Seis horas de treino por dia numa escola sem luxo

influenciadora de Ribeirão Preto (SP) viajou por 56 horas para participar de acampamento vizinho ao histórico Templo Shaolin.
imagem: g1

A rotina na escola de kung fu começa pontualmente às 6h da manhã e se estende por três blocos de treinamento que somam até seis horas diárias de exercícios físicos. O primeiro bloco é matinal, seguido de um período das 9h às 11h focado em combate, técnicas de mãos vazias e manuseio de armas. Após o almoço, o terceiro e mais exaustivo período vai das 14h30 às 17h, de segunda a sábado, com tardes livres apenas às quartas-feiras, sábados e domingos.

A estrutura do acampamento é funcional e sem conforto supérfluo. Os quartos são compartilhados, divididos por gênero, equipados com beliches e colchões no estilo tradicional chinês. A escola oferece alojamento, refeições e instrução contínua num formato de imersão total, onde a brasileira conviveu com alunos da Itália, Rússia, Catar e Irã. A comunidade se organiza em torno do conceito de “Família Kung Fu”, onde todos apoiam o desenvolvimento coletivo, mas os instrutores não perdoam falta de empenho.

A técnica de “corpo de ferro” que viralizou

Brasileira Letícia Pavim durante treinamento rigoroso de kung fu em escola na província de Henan, na China — imagem: g1

As imagens que mais chamaram a atenção do público nas redes sociais mostram a brasileira recebendo impactos de bastões em diferentes partes do corpo. A técnica, conhecida no kung fu como Tie Bu Sha (Camisa de Ferro) ou Palma de Ferro (Tie Zhang), é uma prática milenar que busca endurecer músculos, tecidos e ossos por meio de impacto constante e controlado. O praticante utiliza o Qigong, um sistema de respiração e energia, para contrair apenas a área que receberá a pancada, mantendo o restante do corpo relaxado para absorver a força de forma segura.

A prática não é obrigatória nos treinamentos: o aluno escolhe pedir para passar por esse nível de condicionamento. Letícia assumiu o desafio e treinou diariamente com os bastões, mesmo enfrentando dificuldade no início. “Eu penei muito nas aulas com o bastão, mas todos os dias ia praticando para ser melhor. Nada como a constância e o tijolinho por tijolinho para chegarmos onde quisermos”, descreve a brasileira. Os vídeos dessa prática foram os que mais viralizaram, ultrapassando a marca de 4 milhões de visualizações nas redes sociais.

Carregar 70 quilos nas costas e a bronca do treinador

Como parte do condicionamento extremo, a criadora de conteúdo precisou dar a volta nas instalações da escola carregando um colega de cerca de 70 quilos nas costas — IMAGEM: G1

Em um dos momentos mais marcantes da imersão, a turma recebeu o comando de carregar uma pessoa nas costas e dar uma volta completa nas instalações da escola, incluindo subir e descer lances de escada. A brasileira escolheu uma colega mais leve, com aproximadamente 40 quilos, e completou o percurso. A decisão gerou uma bronca severa do treinador, que exigiu o cumprimento da regra oficial: o praticante deve transportar alguém com peso corporal igual ou superior ao seu.

Como correção, Letícia precisou refazer todo o caminho carregando um adolescente chinês de 70 quilos nas costas. “Foi muito sofrido. Depois eu até dei uma choradinha, não de tristeza, mas somente porque o corpo sentiu muito. Mas aí a gente segue o baile, faz parte”, relembra. A rigidez dos instrutores chineses é parte fundamental da pedagogia: se a equipe nota comprometimento do aluno, as exigências sobem ao extremo. A brasileira encarou como elogio, não como punição.

Os seis meses de preparo que evitaram lesões

O preparo físico que Letícia fez no Brasil antes de embarcar para a China se provou decisivo durante as três semanas de imersão. Enquanto outros alunos sofriam lesões e precisavam de acupuntura logo nos primeiros dias, a brasileira completou o período inteiro sem necessidade de intervenção médica. “Passei três semanas ilesa. Claro que senti dor, tive roxos, mas não precisei tomar nenhum remédio. Fiz absolutamente todos os treinos e dei o melhor todos os dias”, conta.

A preparação de seis meses com musculação, muay thai e reeducação alimentar não foi exagero: foi estratégia. “Eu me preparei muito porque eu queria viver aquilo da melhor forma possível. Eu queria chegar realmente à melhor versão para me tornar algo que eu ainda não conheço”, explica Letícia. A abordagem contradiz a ideia de que experiências radicais se resolvem com coragem e improviso. Para a brasileira, a preparação metódica é o que separou uma imersão transformadora de uma experiência interrompida por lesão.

O Google Tradutor entre o mestre e a aluna

video: G1

Além do esforço físico, a comunicação foi um dos maiores desafios da brasileira na escola chinesa. Letícia havia estudado mandarim na adolescência, mas a falta de prática ao longo dos anos apagou o conhecimento do idioma. O inglês funcionava como língua comum entre os alunos internacionais, mas as interações com os mestres dependiam de tecnologia: “O mestre falava e mostrava a tela do celular com o Google Tradutor”, conta.

A brasileira alerta que o domínio de pelo menos o inglês é essencial para quem pretende fazer a imersão. “Se a pessoa não sabe falar nem o inglês e nem o mandarim, vai ser uma experiência só de ficar fazendo exercício, meio solitária e péssima, porque não vai se comunicar com ninguém”, relata. A interação com colegas de diferentes nacionalidades foi parte importante da experiência, e sem idioma em comum, o treinamento perde a dimensão cultural que torna a vivência transformadora.

Quanto custa treinar kung fu na China

O acampamento aceita qualquer pessoa acima de 18 anos e cobra valores fixados em moeda local que variam conforme o tempo de permanência. A tabela parte de aproximadamente R$ 2,5 mil para uma semana e chega a cerca de R$ 28 mil para a experiência completa de seis meses, englobando aulas, alimentação e dormitório. A brasileira optou pelo pacote de três semanas e, somando o valor do quarto de hotel nos dias iniciais, investiu cerca de R$ 6 mil no total.

Para quem planeja a experiência, o custo da viagem até a China precisa ser adicionado ao valor do acampamento. As 56 horas de deslocamento incluem voos com conexão e transporte terrestre até a escola, custos que podem variar significativamente dependendo da origem e da antecedência da compra. Mesmo assim, o investimento total da brasileira ficou numa faixa acessível para uma experiência de três semanas que inclui moradia, alimentação e instrução intensiva numa das escolas de artes marciais mais tradicionais do planeta.

56 horas de viagem, 4 milhões de visualizações e uma brasileira que voltou diferente

A brasileira Letícia Pavim viajou 56 horas até a China, treinou kung fu por três semanas com até seis horas diárias de exercícios, encarou a técnica de “corpo de ferro” com bastões e carregou 70 quilos nas costas em escadarias. Voltou sem lesões, com 4 milhões de visualizações e com uma mensagem que repete desde o início da carreira como criadora de conteúdo: “O propósito é inspirar mulheres a viajarem por todo o mundo, quebrar estereótipos e mostrar culturas tão únicas como o kung fu na China.”

Você teria coragem de treinar kung fu numa escola na China? Conte nos comentários o que achou da experiência da Letícia, se a técnica de “corpo de ferro” com bastões assusta ou inspira e se faria os seis meses de preparo antes de embarcar. Queremos ouvir a sua opinião.

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Roberta
Roberta
18/05/2026 14:12

Com certeza, teria e iria feliz e contente.

Eduardo Dantas
Eduardo Dantas
18/05/2026 10:20

Claro! , treinaria muito Kun Fu e desafiaria o Bruce Lee e o Jet Lee para uma rodada de lutas marciais,mas antes passaria numa funerária e deixaria um a ataúde sob encomenda.kkkkk

Joana Darc Gonsalle
Joana Darc Gonsalle
18/05/2026 09:31

Eu admiro muito a força e a coragem dela mas eu não teria essa força, parabéns Letícia 🙏

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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