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Com o plástico de apenas 6 garrafas tiradas do mar, uma engenheira de 25 anos faz prótese biônica em 24 horas num país onde 95% dos amputados nunca tiveram acesso a uma perna nova

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 25/06/2026 às 18:51 Atualizado em 25/06/2026 às 18:54
Em Moçambique, a engenheira Marta Uetela criou na BioMec a prótese feita de plástico do oceano: 6 garrafas viram uma perna em 24h para amputados sem acesso.
Em Moçambique, a engenheira Marta Uetela criou na BioMec a prótese feita de plástico do oceano: 6 garrafas viram uma perna em 24h para amputados sem acesso.
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Em Maputo, em Moçambique, a engenheira Marta Uetela, de 25 anos, criou a BioMec e desenvolveu uma prótese feita de plástico do oceano: com o material de apenas 6 garrafas tiradas do mar, ela monta uma perna nova em 24 horas num país onde a maioria dos amputados nunca teve acesso a uma prótese.

Tem gente que vê uma garrafa boiando no mar e pensa em lixo. A engenheira Marta Uetela vê uma perna nova. Aos 25 anos, em Moçambique, ela criou a BioMec, uma empresa que pega o plástico jogado no oceano e transforma em prótese para quem perdeu um membro. Com o material de apenas 6 garrafas tiradas do mar, a BioMec monta uma prótese feita de plástico do oceano em 24 horas, num país onde a esmagadora maioria dos amputados nunca teve acesso a uma.

O projeto foi destacado pela plataforma What Design Can Do, que reúne soluções de design contra o desperdício. Segundo a iniciativa, a BioMec produz a prótese em 24 horas, contra mais de mil horas do método tradicional, e tem capacidade para fazer 20 próteses por mês. Em vez de poluir a praia, o plástico vira mobilidade para gente que andava sem opção em Moçambique.

De 6 garrafas do mar a uma perna nova em 24 horas

Em Moçambique, a engenheira Marta Uetela criou na BioMec a prótese feita de plástico do oceano: 6 garrafas viram uma perna em 24h para amputados sem acesso.
O número que abre a história já impressiona.

Para montar uma prótese de perna abaixo do joelho, a BioMec usa o plástico de apenas 6 garrafas ou cerca de 250 gramas de rede de pesca descartada no oceano.

É pouco material para um resultado enorme: devolver a alguém a capacidade de andar.

E a velocidade é o segundo choque.

Enquanto o processo tradicional de fabricar uma prótese pode levar mais de mil horas, a prótese feita de plástico do oceano da BioMec fica pronta em 24 horas.

A diferença muda tudo para quem espera.

Em vez de meses de fila, o paciente pode receber a peça em um único dia, num ritmo que nenhum método convencional alcança naquela realidade.

E dá para escalar.

Com capacidade de produzir 20 próteses por mês, a BioMec transforma uma ideia de laboratório em algo que atende fila de gente de verdade.

Pouco plástico, pouco tempo, muito impacto.

Quem é Marta Uetela e como nasceu a BioMec

Em Moçambique, a engenheira Marta Uetela criou na BioMec a prótese feita de plástico do oceano: 6 garrafas viram uma perna em 24h para amputados sem acesso.
Por trás da invenção há uma engenheira jovem e inquieta.

Marta Uetela tinha 25 anos quando fundou a BioMec, reunindo um time de estudantes e recém-formados em engenharia, medicina, química e design.

A ideia não nasceu numa aula, mas da dor de ver um amigo penar para conseguir uma prótese depois de um acidente.

Foi esse episódio que acendeu a faísca.

Ao pesquisar o problema, Marta Uetela descobriu que a falta de acesso a próteses era enorme em Moçambique, e resolveu atacar duas crises de uma vez: a do lixo no mar e a da mobilidade.

A engenheira já tinha tino para empreender.

Antes da BioMec, Marta Uetela havia criado outro negócio, voltado à moradia, o que mostra que a veia de resolver problemas com design vinha de antes.

A prótese foi o salto seguinte.

Juntando engenharia, sustentabilidade e propósito, Marta Uetela colocou de pé uma empresa que hoje é reconhecida bem além de Moçambique.

O drama: a maioria dos amputados sem prótese em Moçambique

Para entender o tamanho da solução, é preciso ver o tamanho do buraco.

Em Moçambique, a imensa maioria dos amputados nunca teve acesso a uma prótese, seja pelo preço alto, pela demora ou pela falta de atendimento de saúde.

Sem prótese, a perda de um membro vira também perda de autonomia, de trabalho e de independência no dia a dia.

Os números variam conforme a fonte.

A própria What Design Can Do fala em 95% da população amputada sem acesso, enquanto outros levantamentos sobre a BioMec citam cerca de 90%, mas em qualquer cenário a conclusão é a mesma: quase ninguém consegue.

É um gargalo que condena gente à imobilidade.

Quando uma prótese custa caro e demora mais de mil horas para ficar pronta, ela simplesmente não chega à maior parte dos amputados de um país pobre.

É exatamente essa lacuna que a BioMec mira.

Levar uma prótese barata e rápida para quem nunca teve nenhuma é o que move o trabalho em Moçambique.

A tecnologia entra onde o sistema falhou.

Como o plástico do oceano vira prótese

A sacada está em juntar dois problemas e tirar uma solução.

A BioMec recolhe garrafas PET e redes de pesca abandonadas, o chamado lixo fantasma, que sufocam o mar, e usa esse material como matéria-prima.

Tratado e moldado, o material vira a estrutura de uma prótese feita de plástico do oceano sob medida para cada paciente.

A tecnologia não é só reciclagem.

A empresa desenvolveu um sistema que melhora a compatibilidade entre o coto e a prótese, aumentando o conforto de quem usa, um detalhe que costuma faltar em soluções baratas.

Conforto, aqui, é questão central.

Uma prótese desconfortável acaba abandonada na gaveta, então fazer uma prótese feita de plástico do oceano que a pessoa realmente queira usar é parte do desafio de engenharia.

E o ciclo se fecha.

Cada peça produzida é menos plástico no mar e mais uma pessoa de pé, num encontro raro entre meio ambiente e saúde.

Lixo que vira mobilidade.

A comunidade pesqueira que vira parceira

O modelo da BioMec é esperto porque espalha o ganho.

O plástico não cai do céu: é a própria comunidade pesqueira da praia local que recolhe e troca as redes fantasma por algum retorno.

Assim, os pescadores ganham uma renda extra e consciência ambiental, e a BioMec garante a matéria-prima de que precisa.

É um círculo virtuoso.

A praia mais poluída de Maputo deixa de ser só um problema e vira fornecedora, com a meta de reciclar pelo menos 20% do plástico descartado ali.

Todo mundo sai ganhando.

O mar fica mais limpo, a comunidade fatura, os amputados recebem prótese e a BioMec cresce, tudo a partir do mesmo lixo.

É economia circular de verdade.

Em vez de depender de doação infinita, o negócio se sustenta transformando resíduo em valor para várias pontas.

Sustentabilidade que paga a própria conta.

Da praia de Maputo ao reconhecimento da rainha

O trabalho de Marta Uetela não passou despercebido.

A BioMec recebeu o Commonwealth Points of Light, prêmio concedido pela então rainha Elizabeth II a jovens líderes sociais, segundo o próprio Points of Light.

Receber um reconhecimento desses coloca uma startup nascida numa praia de Maputo no mapa mundial da inovação social.

E não foi o único troféu.

A BioMec também ficou entre as três melhores startups da África pelo ClimateLaunchPad e chegou às fases finais de outros prêmios internacionais de inovação.

Os números de impacto acompanham a fama.

A empresa já produziu mais de 700 próteses para pessoas em países como Moçambique, África do Sul e Angola, levando a prótese feita de plástico do oceano para além das fronteiras.

De problema local a referência regional.

O que começou com 6 garrafas e um amigo sem perna virou uma operação que muda vidas em mais de um país.

O que o caso da BioMec mostra

A maior lição é unir problemas que pareciam separados.

Marta Uetela mostrou que o lixo que mata o oceano pode virar a perna que devolve a vida a um amputado, num só golpe de engenharia e criatividade.

Onde havia garrafa boiando e gente sem mobilidade, hoje há prótese de baixo custo saindo em 24 horas.

Vale, claro, manter o pé no chão.

A BioMec é uma iniciativa premiada e promissora, mas ainda opera na escala de centenas de próteses, e levar a solução a todos os amputados de Moçambique e da África exige muito investimento e tempo.

Ainda assim, a direção é certeira.

Provar que uma prótese feita de plástico do oceano pode ser rápida, barata e digna é o tipo de inovação que ataca desigualdade e poluição ao mesmo tempo.

Da praia de Maputo para três países, a BioMec transformou aquilo que todo mundo joga fora em uma segunda chance de andar.

E mostrou que, às vezes, a tecnologia mais poderosa é a que nasce olhando para o problema de quem ninguém olha.

E você, imaginava que o plástico de apenas 6 garrafas tiradas do mar pudesse virar uma prótese pronta em 24 horas? Conta pra gente nos comentários o que você acha desse tipo de inovação que limpa o oceano e devolve mobilidade aos amputados.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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